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Persona com Marcio de Moraes
Da Redação
15/05/2017 15h12
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No cargo de reitor da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) desde outubro do ano passado, o professor Marcio de Moraes tomou como principal tarefa dar continuidade ao projeto educacional e à história da universidade. Para tanto, o novo desafio deverá caminhar junto a experiência que possui. “Só é possível atuar nesta função se for colegiadamente. Tenho expectativa, também, de conseguir aproximar ainda mais a universidade das empresas e despertar nos mais de 50 mil alunos formados aqui o desejo de envolverem-se novamente com a Unimep”, disse durante a tomada de posse. Nascido em São Roque, região metropolitana de Sorocaba, o bacharel em ciências econômicas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e doutor em administração pela Universidade de Barcelona, na Espanha, atuou como assessor da Reitoria da Unimep nos anos de 1997 e 1998, além de participar de vários eventos da juventude metodista nos anos 1980. A vinda à instituição piracicabana marca a segunda atuação de Moraes como reitor. Por dez anos, ocupou o cargo na Umesp (Universidade Metodista de São Paulo) e, antes disso, atuou como vice-reitor administrativo na instituição por sete anos. Diante de uma crise financeira nacional que afeta diversas instituições educacionais, particulares e públicas, o professor colocou esse como um dos desafios a serem enfrentados nos próximos anos da universidade. “Temos fé de que, coletivamente, superaremos este momento. O ano de 2017 será melhor e isso nos anima a seguir em frente com muito entusiasmo, pois a educação tem a capacidade de transformar as pessoas”, falou Moraes.

Qual é o foco do seu trabalho à frente da Unimep? O trabalho de um reitor, como é o caso, está voltado especialmente na área acadêmica e, para mim, o meu está e estará exatamente em trabalhar para que a qualidade acadêmica da Unimep, que é reconhecida pelo trabalho até aqui realizado, mantenha-se sempre atual e inovadora.

Não é a primeira vez que ocupa o cargo de reitor em uma universidade. Quais os principais desafios em administrar uma instituição de ensino particular? Entre muitos desafios que enfrentamos em uma instituição de ensino particular, especialmente no ensino superior, como é o caso da Unimep, destaco dois: o primeiro é manter a qualidade do ensino com uma proposta pedagógica que consiga preparar o futuro profissional para atender às demandas do mercado e que tenha, ao mesmo tempo, uma sólida formação cidadã. O outro está relacionado ao fato das possibilidades de financiamento (dos cursos) serem tão pequenas, tanto nas públicas como nas privadas, dificultando assim o acesso ao ensino superior para o aluno que não possui determinadas condições.

Atualmente, o Brasil passa por uma crise. De que modo a Educação influi no âmbito econômico de um país? Com crise ou sem crise econômica, a Educação é a única solução para que os países — e logicamente o Brasil — consigam avançar e alcançar novos patamares de desenvolvimento. Sem ter a Educação como prioridade, os custos com outras áreas, como a Segurança e a Saúde, por exemplo, serão cada vez mais difíceis de serem atendidos. Na vigente crise que vivemos, podemos perceber que as pessoas com um menor nível de formação educacional sofrem muito mais com o desemprego.

Quais as perspectivas para o setor educacional universitário brasileiro em 2017? O número de alunos matriculados no ensino superior brasileiro está caindo e não estou me referindo somente às instituições privadas. Nas instituições públicas, percebemos também esse fenômeno e ele está relacionado ao fato das famílias encontrarem dificuldades para manter seus filhos e filhas matriculados em função dos custos, que não são poucos. Em momentos de crise, a regra é geral, com o corte nos custos a educação acaba sendo a primeira a ser afetada.

Para você, qual país tem o melhor sistema educacional? Por que? Creio que é difícil dizer que um país tem o melhor sistema educacional, pois cada um possui suas peculiaridades e precisa atender a aspectos muito diferentes, como aqueles relacionados à cultura daquela população específica, por exemplo. Um destaque que podemos fazer pelos resultados alcançados em um período de tempo não muito grande é a Coreia do Sul. Houve uma decisão política e, ao mesmo tempo, estratégica, em que a valorização da educação possibilitou que o país crescesse economicamente, tendo como base a educação de qualidade e a pesquisa aplicada.

Qual a relação curso superior e mercado de trabalho? Cada vez mais o mercado de trabalho demandará pessoas com cursos superiores nas diferentes áreas do saber. A capacitação profissional, via os cursos superiores, de graduação e de pós-graduação, é mais uma exigência básica neste tempo em que a revolução tecnológica se vê cada vez mais rápida.

Avaliações/provas e vestibulares são os melhores modos de averiguar o desempenho de um aluno? As avaliações fazem parte do processo educacional, mas muitas vezes percebemos que ocorrem algumas distorções que podem nos levar a conclusões equivocadas. Cada vez mais percebemos que as avaliações acontecem durante o percurso formativo e, para mim, essa é uma das melhores formas de avaliar. É lógico que ainda não conseguimos desenvolver, para o vestibular, por exemplo, um processo de avaliação que não aconteça em um único dia, já que muitas faculdades e universidades realizam provas exclusivas. Percebemos, no entanto, que com a possibilidade de utilização dos resultados do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) pelos alunos e pelas instituições educacionais, essa distorção vai aos poucos sendo corrigida.

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Foto: Claudinho Coradini/JP)

O que pensa sobre o Novo Ensino Médio, em estudo para ser implantado no Brasil pelo Ministério da Educação nos próximos anos? O que este modelo influenciará no ensino superior, já que o estudante, no fim dos três anos do Ensino Médio, poderá ter, também, um certificado do Ensino Técnico? Toda mudança gera certa instabilidade e é natural que seja assim. Tenho dúvidas, ainda, sobre as reais condições dos alunos e alunas fazerem a opção de um técnico pela área que darão prosseguimento no futuro. Refiro- -me, especificamente, ao momento da vida que adolescentes farão essa opção. Entendo que o papel da família e também dos docentes será ainda mais importante, não para definir ou escolher a área na qual darão prosseguimento aos estudos, mas para apresentar as diferentes possibilidades e as características de cada área para que a opção seja a melhor possível naquele momento da vida.

Houve muitos comentários sobre a vinda do curso de medicina a instituição. A universidade não o obteve por falta de estrutura? Infelizmente a Unimep não foi a instituição escolhida para implantar o curso em Piracicaba e ficamos tristes por isso, porque entendemos que tínhamos, assim como temos, todas as condições para isso. Entretanto, a decisão do Ministério da Educação já foi tomada e não pode ser alterada.

Hoje, a Unimep é polo de apoio presencial para cursos de pósgraduação à distância da Umesp. Há intenção de a própria Unimep oferecer graduações EAD (Educação à Distância)? Sem dúvidas. A universidade pretende sim oferecer também cursos, sejam eles de bacharelado ou de graduação tecnológica, na modalidade a distância. Nosso credenciamento foi aprovado e aguarda somente publicação pelo MEC (Ministério da Educação) para que passemos a oferecer os cursos EAD.

O que ainda deseja alcançar profissionalmente? O fato de “estar reitor”, pois essa é a condição real que vivo, me desafia a voltar a ser professor, que é, de fato, o que sinto ser.

Com o que gosta de se ocupar nas horas de folga? Gosto de ouvir a boa Música Popular Brasileira, fazer caminhadas não obrigatórias, jogar voleibol e, ultimamente, aproveitar ao máximo o tempo de brincadeiras com meu neto de quase dois anos.

 
 
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