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Unimep e seus desafios para 2018
Felipe Poleti
18/12/2017 15h53
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Cidadão do mundo. É assim que se define o reitor interino da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), Fábio Botelho Josgrilberg, 45, quenasceu em Estrasburgo, na França, e se considera um brasileiro registrado fora do país. Graduado em jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo, tem mestrado na Concordia University (Montreal, Canadá), doutorado pela USP (Universidade de São Paulo) e pós-doutorado na LSE (London School of Economics and Political Science), na Inglaterra. Casado há 11 com Fabiola, é pai de Isabel, 7, e Giovana, 4. Em entrevista à reportagem do Jornal de Piracicaba para a seção Persona, Josgrilberg, que contou ter saído da França ainda muito pequeno, chegando a São Paulo, passando pelo Rio de Janeiro até, então, se instalar em Piracicaba, comentou sobre a história que tem com a Rede Metodista e os desafios enfrentados pela universidade.

Qual a sua história com Piracicaba?

A minha relação com Piracicaba se dá pela Unimep, onde chegueiadormir emacampamento juvenil de congresso da IgrejaMetodista, que acontece ainda. Vim por diversas vezes aqui dar palestras sobre diferentes temas.Tenho várias pessoas conhecidas aqui, desde os anos 2000, de participar de eventos do Cogeime (Conselho Geral das Instituições Metodistas de Ensino), ajudar em outros projetos da faculdade. Desde o início do ano, entrei como representante da mantenedora no Conselho Universitário da Unimep e em agosto fui indicado para ser o reitor interino e a perspectiva é que isso fique até, pelo menos, julho do ano que vem. A ideia é tentar indicar algum nome da própria comunidade para dar continuidade após esseprocesso e oplanejamento da continuidade ao caminhar da Unimep.

Como você entrou para a Rede Metodista?

Eu entrei, em 2005, na Universidade Metodista de São Paulo. Lembro que na época o diretor da área me convidou paraumalmoço edisse: “olha, Fábio, a gente precisa montar a educação à distância da Metodista,tantograduaçãocomo pós semipresenciais”. Porque ele me chamou? No período em que eu estive no Canadá, durante seis meses eu trabalhei no departamento de tecnologia educacional na Universidade da Concordia. Foi aí que eu comecei como gerente de projetos de educação à distância. Foi quando nós conseguimos o credenciamento para graduação em 2005. Em 2006, começamos a oferecer os primeiros cursos de educação à distância até se tornar o que se tornou hoje na Universidade Metodista de São Paulo, com mais de 10 mil alunos nessa modalidade de ensino.

Essa sua experiência ajudará a Unimep na implantação dos cursos à distância?

Sim, essa experiência que eu tenho em diferentes formatos de educação à distância ajudará a alavancar novos serviços educacionais aqui na Unimep. Para isso, é preciso desmistificar um pouco isso do “vai substituir o presencial pelo à distância”. Não é isso. São serviços educacionais para públicos diferentes e com necessidadesdiferentes e com perfis de docentes que podem ser diferentes também. Não é todo conteúdo que se aplica à distância. Tem uma série de questões que você precisa avaliar nesta posição, que é aluno, conteúdo, docente. Então, contexto do aluno, que tipo de conteúdo e que tipo de docentepode atender a isso.A partir daí é que você monta os projetos.

Qual foi o caminho para chegar ao posto de reitor da Unimep?

Eu comecei a minha trajetórianaRedeMetodista trabalhando em outras instituições antes, mas na Rede Metodista em 2005. Tão logo eu terminei meu doutorado em Londres, eu comecei também a atuar na pós-graduação stricto sensu de comunicação social lá da Metodista, depois de uns quatro anos. Eu fui chamado para ser pró-reitor do Centro de Pós-graduação e Pesquisa da Universidade Metodista em 2011. Em meados do ano passado, quando o professor Márcio de Morais deixou a Metodista de São Paulo para vir à Metodista de Piracicaba, me indicaram para ser reitor lá até a indicação de um novo reitor. Ao final do ano, a mantenedora me chamou para ser diretor nacional de educação superior, uma função dentro da mantenedora que buscava justamente entender e avaliar as estratégias da mantenedora paraaeducação superior. Eu comecei este projeto em março deste ano, porém, em julho, iniciou-se a dificuldade aqui na Unimep e ai me pediram para assumir interinamente a reitoria, onde estou desde então. Paralelo a isso, outras atividades que eu desenvolvo e impactaram a minha vida na Rede Metodista é o envolvimento com processos de inovação. Sou conselheiro do Innovative, que é uma ONG que organiza o movimento de 100 Open Startups, que é dos maiores movimentos de aproximação de startups de grandes empresas. Talvez, este envolvimento com processos de inovação também tenha chamado a atenção para eu assumir outros postos dentro da estrutura da educaçãoMetodista.

Hoje a universidade vive um momento difícil. Quais medidas tem tomado para que a universidade retome o equilíbrio?

Em uma leitura bem pessoal, de fato se vive um momento difícil. Invariavelmente, as crises institucionais se dão devido a uma crise econômica que se transforma em crise política e que acaba virando uma crise institucional mais grave. Se você olhar a história das crises que a Unimep viveu em 1985, 2006, agora ou mesmo de outras instituições confessionais pelo Brasil afora, normalmente é essa a dinâmica. Por quê? Porque são pressões econômicas que levam a decisões que geram conflitos na comunidade e aí o grande paradoxo — que eu acho da vida das instituições confessionais — porque são decisões tomadas com a preocupação da continuidade do projeto missionário da instituição, da mesma forma como a comunidade está preocupada com o projeto educacional, portanto, o mesmo projeto missionário que a mantenedora tem aí seguem caminhos que acabam gerando conflitos.

Então, quando se vive estes momentos, que são cíclicos, de tempos em tempos eles acontecem pela dinâmica mesmo da sociedade. Mudam-se as demandas de cursos, cenários econômicos diferentes, são “n” variáveis que podem disparar o processo de uma dificuldade dentro de uma instituição confessional sem fins lucrativos. Para isso épreciso sentar.Eé isso que eu tenho feito, para dialogar e buscar soluções. Obviamente as soluções nem sempre serão consensuais em tudo, mas antes de tomar a decisão é preciso conversar muito. Éisso que temsido feito desde então, quando eu entrei aqui.

Quais as primeiras decisões que tomou?

Para citar um exemplo, eu entrei aqui em agosto. As primeiras medidas que tive foi ter reuniões semanais, que ocorriam todas as terças-feiras, às 17h, com o movimento estudantil. Da mesma maneira, todos os Fóruns que eu pude ir para dialogar eu fui. Eu estive, obviamente, com o presidente do Conselho Universitário, estive em vários conselhos de faculdade, estive no Fórum de Defesa da Unimep, busquei conversar com o prefeito, com a Câmara, para justamente reconstruir esse processo de diálogo que,no processo da crise, ele acaba sendo interrompido. Eu não sou de ficar olhando para o passado para tentar entender o porquê que foi interrompido. Eu quero olhar para frente e restabelecer esta confiança. O diálogo se rompe quando a confiança se acaba e é aí que você precisa reconstruir. Não adianta pedir confiança. É um processo que precisa se gastartempo e se criar e se retomar essa confiança e é isso que eu tenho feito e buscado da melhor maneira possível desde que eu cheguei. Tanto com os docentes, quanto com os funcionários, diretores e, obviamente, na posição em que estamos, muitas vezes eu sou obrigado a tomar decisões que podem não agradar a todos, mas isso é o ônus da posição em que me encontro. Se não fosse eu, seria outro que teria que tomá-la. Mas hoje, podendo ter uma visão otimista da minha parte, me sinto muito à vontade nos diá- logos nos diferentes fóruns da comunidade acadêmica e da sociedade de Piracicaba.Converso com alunos, converso com docentes, com lideranças locais, não me sinto em momento algum constrangido e eu acho que, aos poucos, a gente vai superando isso e daí vem minha expectativa e meu otimismo para 2018. Às vezes, as pessoas me perguntam: “nossa Fábio, mas você está sofrendo muito lá?”. Eu respondo que não, que eu estou fazendo o que eu sempre acreditei, que é ter uma educação de qualidade de relevância social, de ser capaz de conduzir um projeto que faça a diferença na região.

Acredita que professores, alunos e demais funcionários darão apoio a suas decisões?

É difícil responder por eles, mas eu posso falar o que eu tenho sentido em relação a isso. Eu sinto a mesma disposição de diálogo e o mesmo objetivo nas nossas conversas, o que me deixa muito à vontade conversando na Câmara de Vereadores, com o prefeito, com a Adunimep, com o movimento estudantil, porque nenhum desses fóruns eu vejo como “estamos em guerra e estamos querendo um destruir o outro”. Não é isso. Nós todos temos um objetivo comum que é dar continuidade a uma história belíssima da Unimep. Eu me sinto muito à vontade, sem demagogia nenhuma, com o vereador Matheus Erler, com o prefeito Barjas Negri, com o Milton Souto, da Adunimep. Enfim, eu acho que todo o processo depende de, inicialmente, ter objetivos comuns. Se a gente tem objetivos comuns e temos a capacidade de diálogo, a gente encontra os caminhos necessários.Podemnão ser os consensuais, mas com certeza a gente vai encontrar vários pontos em comum, que nós concordamos e que nós vamos avançar nesses pontos. É isso que me deixa otimista.

Recentemente, o JP noticiou a vinda do curso de medicina veterinária, de odontologia e da possibilidade da implantação do ensino à distância na Unimep. Como aconteceram estas tratativas?

Meu sonho e minha oração para 2018 é, primeiro, consolidar este processo de diálogoe aproximação.Temos um orçamento já definido, já que a Unimep vem há alguns anos rodando sem um orçamento definido e neste semestre nós fizemos um limite no desenvolvimento de um orçamento, ou seja, depois de muitos anos, a Unimep passa a ter um orçamento. Com esta peça orçamentária, que nos direcione e indique nossas possibilidades, a expectativa é pegar 2018 e planejar o médio e longo prazo. Coincidentemente, graças ao trabalho — não é só o meu trabalho, porque não fiz nada sozinho — da própria comunidade, recentemente nós tivemos o credenciamento para oferecer o curso de Medicina Veterinária em Piracicaba, o credenciamento e autorização para oferta de cursos à distância peloConselhoNacionalde Educação e, também, internamente, estamos nos estruturando para lançar o curso de Odontologia em Piracicaba, igual ao que temos em Lins. Esses projetos já vinham em andamento, então o mérito é das equipes envolvidasdiretamente nestes projetos.

Como será o planejamento destes novos cursos?

No fundo, são três ações. Agora, para se olhar em um médio- longo prazo, você precisa encontrar seus principais diferenciais. E quando eu falo de diferencial, não é premissa, porque é o mínimo que uma instituição de ensino deve prezar, qualidadena educação oferecida. Nós temos nossa qualidade assim como as outras universidades também têm, é premissa ter qualidade, condições de estudo e infraestrutura. O que eu quero trazer para o ano que vem é discutir e saber qual o nosso diferencial como universidade, partindo do princípio que as outras universidades comunitá- rias ou confessionais têm qualidade e infraestrutura como nós. A gente precisa identificar exatamente qual é a nossa áreade atuação,qual éonosso diferencial em cada curso para ter clareza e para que o estudante em potencial também tenha esta clareza do porquê vir a estudar na Unimep.

O que você espera para 2018 como reitor da Unimep?

Eu acho que os desafios são cíclicos, eles aparecem de tempos em tempos. Tenho plena certeza que nós vamos superar os desafios que enfrentamos este ano e tenho total convicção que em 2018 entraremos num modo de planejamento colaborativo que dará continuidade e honrará a belíssima história da Unimep. Não tenho a menor dúvida disso. 

 
 
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