,
Clique e
assine o JP
Televendas: 3428-4190
Classificados: 3428-4140
Comercial: 3428-4150
Redação: 3428-4170
Últimas notícias:
  • 'Levar torta na cara em Chaves era uma honra', diz atriz de Paty
  • Prazo para sugestões à mobilidade é ampliado
  • Alça de acesso que ligará via deve ser entregue em janeiro

Do teatro de fantoche ao parlamento italiano
Rodrigo Alves
27/02/2018 14h54
  |      
ENVIAR     IMPRIMIR     COMENTE              
 
Senador italiano desde 2013, Fausto Guilherme Longo, 65, pretende continuar sua trajetória política no PSI (Partido Socialista Italiano para a América do Sul), mas, desta vez, tenta uma vaga para deputado. Como parlamentar, ele promoveu diversos encontros culturais, econômicos e comerciais entre a Itália e o Brasil, conquistou recursos para atividades de facilitação e preservação da cultura italiana no exterior e realizou um forte trabalho para que a Carteira Nacional de Habilitação brasileira tivesse validade na Itália. Natural de Amparo, o filho caçula do industrial Fausto Longo e da dona de casa Maria José Marcondes transferiu-se para Piracicaba aos 4 anos. Frequentou o Grupo Escolar Moraes Barros e a Etec (Escola Técnica Industrial) Fernando Febeliano da Costa. Na cidade, fez história na imprensa e na política, sendo, além de secretário de Turismo, um dos nomes que ajudou a criar o Salão Internacional de Humor. Avô de Elena, Filipa, Guilherme e Leonardo, é pai do biólogo e cartunista Luccas, do diretor de TV Leonardo e do empresário Luigi. É casado com Sheila Brabo, sua terceira esposa. Arquiteto e urbanista, fez o seu mestrado em planejamento e tecnologia da habitação e permaneceu por 15 anos na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), onde exerceu várias funções. Em pleno período de campanha, Longo deu uma pausa em sua agenda para responder às perguntas da seção Persona. Neste entrevista, ele apresenta as principais lembranças da cidade e, claro, destaca seus ideais democráticos.
 
 
Você é natural de Amparo, no entanto parte considerável da população de Piracicaba lhe considera um cidadão nato. Quando e como foi a sua vinda para a cidade?
 
Nasci em Amparo em 1952, minha família se transferiu para Piracicaba em 1956, por motivos profissionais. Meu pai, industrial do setor de mármores e granitos, estabeleceu aqui a sua empresa. Praticamente toda a minha vida foi ligada a Piracicaba.
 
 
Seu nome é muito lembrado em função do Salão Internacional de Humor, do qual é um dos fundadores. Como é o seu envolvimento com o evento, nos dias atuais?
 
Sempre fui um voluntário e colaborador do Salão, um dos eventos mais importantes do humor gráfico, desde sua fundação até hoje. Continuo, sempre que posso e sou convocado, pronto para colaborar para o fortalecimento e aperfeiçoamento do Salão. Na última edição, tive a oportunidade de lançar o livro “Ilustre Guardanapo”, que reúne ilustrações feitas por mim em guardanapos de restaurantes durante as refeições em Roma. O livro tem a participação do jornalista e amigo Ricardo Viveiros, e direção artística do cartunista e amigo Zélio Alves Pinto.
 
 
É verdade que trabalhou com teatro de fantoches? O que fazia?
 
Sim. Entre 1963 e 1967 tinha um teatro de fantoches, Mamolengos, que apresentava peças em programa de auditório na Rádio Difusora, nas creches ou casas de caridade e no Parque Infantil da Prefeitura de Piracicaba. Era um trabalho voluntário para alegrar e educar crianças. Nós mesmos, meus amigos e eu, sempre com alguma ajuda de minha família, criávamos as peças, os bonecos, roupas, adereços, cenários e o palco também!
 
 
E na imprensa? Conte-nos sobre as passagens por O Diário, Jornal de Piracicaba e Rádio Difusora.
 
O início foi uma paixão por fotografia, despertada em mim por meu irmão José Benedicto, paixão que me levou ao encontro de Henrique Spavieri (saudoso amigo) no jornal O Diário, na rua Prudente de Moraes. Aprendi com as lições e conselhos de Spavieri, fiz diversos trabalhos e fui o fotógrafo que fez a primeira foto de Adilson Benedito Maluf na cadeira de prefeito! Depois, a paixão pelo desenho me levou a exercer a função de publicidade e propaganda, montamos uma das primeiras agências de Piracicaba, a Longo e Kanazawa, também com a participação do José Antonio Arruda Mariano, quando iniciou uma longa relação com os jornais e rádios locais. Em seguida, atuei como ilustrador e chargista em O Diário, no Jornal de Piracicaba (levado ao Dr. Losso pelo amigo Djalma de Lima), Diário do Povo de Campinas, mais algumas colaborações com a revista Pauta, de Limeira, Revista Aldeia, de Piracicaba (do também saudoso e amigo Alceu Marozzi Righetto); entre 1967 e 1968 mantivemos um programa de músicas brasileiras, Postal Sonoro do Brasil, dirigido pelo também saudoso e amigo Moraes Sarmento e apresentado por mim, por João Carlos Teixeira Gonçalves (Carlinhos) e Nilton Rebocho. Tive a oportunidade e o privilégio de trabalhar e aprender com Cecílio Elias Netto, Dr. Losso Netto, João Maffeis Neto, Roberto Antonio Cera, José Maria, Caetano Rípoli, Adolpho Queiroz, Giba, Ermelindo Nardin, Carlinhos Colonnese, Alceu Righetto, Djalma de Lima, Geraldo Nunes, Tuca, Ângela Furlan, entre tantos outros.
 
 
É da década de 70 a sua entrada na política? Quais fatores fizeram com que se enveredasse por esse caminho?
 
Claro que sempre o motivo inspirador era a indignação com o regime de exceção vigente e que tolhia nossas liberdades democráticas e o pleno direito à cidadania, principalmente em nós que éramos jovens ávidos por participar da vida de um país, de nossa cidade. De certa forma, desde os 14 anos já estava envolvido com a política estudantil. A situação política da época, evidentemente, estimulava nossa participação. Em 1970, quando completei 18 anos, na Escola Industrial, onde presidia o grêmio estudantil, fui convidado pelo professor Frederico Alberto Blaauw, então vereador e membro do diretório municipal do MDB, para me filiar ao partido. Foi o início de tudo. A partir dessa iniciação, comecei a participar ativamente de diversas campanhas, de Adilson Maluf, Francisco Antonio Coelho, João Pacheco e Chaves, João Herrmann Neto, Franco Montoro, Almino Afonso, Mario Covas, entre muitos outros.
 
 
De que forma se engajou no grupo ligado ao então prefeito João Herrmann Neto, tornando-se coordenador de Turismo em sua gestão?
 
Mantínhamos uma agência de publicidade e propaganda e no período eleitoral fomos convidados pelos amigos Carlinhos Gonçalves e Tato Pereira para conversar com o então candidato João Herrmann. Já neste primeiro contato, gostando das propostas apresentadas, nos oferecemos para colaborar na campanha. O resultado, embora apertado (86 votos!!!) deu a vitória ao MDB. João Herrmann, já prefeito, sabendo que já estávamos muito ligados, voluntariamente, ao então Departamento de Turismo, na organização e planejamento do turismo receptivo em Piracicaba, me perguntou o que faria se fosse o responsável pela área; após explicar meus projetos, João Herrmann, concordando com as ideias, me convidou para assumir a função, impondo a única condição de que todas as ideias e propostas fossem submetidas à decisão popular, ou seja, eu deveria apresentar nossas propostas aos vereadores, aos segmentos envolvidos, à imprensa, à sociedade e, principalmente, aos centros comunitários, para que todos compreendessem a atividade do turismo como uma alternativa econômica para gerar emprego, renda e dignidade. Foi assim que iniciei a vida no setor público.
 
 
Seus vínculos com Herrmann se mantiveram ao longo dos anos? De que forma?
 
Além de, naturalmente, os vínculos de caráter ideológico se confirmarem e se fortalecerem ao longo do tempo, mantivemos uma forte e significativa aliança política, mesmo militando em frentes partidárias diferentes. Sempre existiram respeito e espírito colaborativo entre João Herrmann e eu. Até durante nossa atuação na Fiesp, tentamos demonstrar à direção daquela entidade a importância da participação de um político extremamente preparado e com uma postura política consolidada em seus quadros. João Herrmann era uma figura de destaque no Instituto Roberto Simonsen, com contribuições diferenciadas no contexto do Conselho Superior de Relações Exteriores desta entidade. E como ocorre com todos aqueles que nos tiram da comodidade, que provocam um novo modo de pensar, de questionar os valores arraigados pelo conservadorismo, acabou criando resistências ou julgamentos preconceituosos. Claro que o ser humano, João, como qualquer um de nós, teve seus erros, seus defeitos, mas, indiscutivelmente, foi um político comprometido e que sempre lutou para que cada indivíduo pudesse ter meios para construir um percurso digno, independentemente de classe, gênero, etnia ou crenças.
 
 
Em 1988, mesmo ano em que nascia a Constituição, o senhor garantiu uma vaga na Câmara. Como foi participar da política nesse período?
 
Fui candidato a uma cadeira no Legislativo de Piracicaba em 1982, obtive 1.317 votos, cerca de 2,5% dos votos válidos para vereadores. Como segundo suplente do PMDB, somente fui diplomado vereador em 1988, devido ao falecimento do vereador Newton da Silva, o popular “Niltinho”. Embora tenha sido diplomado, em respeito à legislação e aos eleitores, não tive a oportunidade de exercer a função e fazer valer o mandato, afinal, a Câmara já se encontrava em seu recesso de final de legislatura para transferir aos novos titulares eleitos no pleito de 1988, do qual não participei. Dessa forma, entrei para a galeria dos vereadores eleitos, porém, não cheguei a exercer o mandato em sua plenitude. Minha participação política se deu em outros meios, acabei assumindo outras funções no governo estadual e federal.
 
 
O Brasil de jovens idealistas, que ansiavam pela democracia e por um país igualitário, não ficou em um passado muito distante?
 
Creio que é mais atual e premente hoje! Não existe alternativa mais concreta para a construção de uma nação do que a democracia. Temos que despertar as pessoas para o fato de que, para além de nossas convicções ideológicas, ou seja, do sonho de uma sociedade mais justa e que garanta equivalência de oportunidade para que todos tenham a possibilidade de construir sua própria felicidade, temos que assumir nossa condição de condôminos de uma nação, ou seja, donos! E donos, cuidam!!! Não podemos acreditar que apenas por meio do nosso voto nos livramos da responsabilidade que temos para garantir desenvolvimento de qualidade para o nosso condomínio chamado Brasil. O síndico não é dono; presidente, governador ou prefeito não são “donos”, exercem a função em nosso nome. Mas não podemos simplesmente ignorar o país, o estado ou nossa cidade só porque já votamos e “passamos o problema para o chefe de plantão”. O sonho de uma democracia, de uma sociedade justa, solidária não ficou no passado, está muito presente, e deve estar, se pretendemos uma nação de verdade, no futuro.
 
 
Com uma história tão eclética como essa, a opção pela vida política na Itália tornou-se um caminho natural...
 
A opção por um exercício político na Itália se deveu muito mais à nossa ligação com uma linha de pensamento que busca privilegiar a dignidade do ser humano, independentemente de onde viva, a que classe pertença, que cor ou raça seja ou quais crenças professe. Nesse contexto, não importa qual seja a tribuna — Senado ou Câmara, Fiesp, sindicato, associação ou reunião entre amigos, aqui, na Patagônia, nos Altiplanos andinos ou mesmo em Roma —, sempre que temos a oportunidade apelamos para o bom senso das pessoas para que possamos juntos pensar o futuro que almejamos. A mais significativa aliança democrática da Itália e que reúne os partidos democráticos, socialistas, verdes, cívicos nos propôs o desafio de contribuir para que, também os italianos que vivem fora da Itália, em nosso caso aqui na América do Sul, tivessem essa preocupação de, além de pensar a nossa cidadania, nossos interesses pessoais, pudéssemos dedicar nosso empenho para melhorar as condições de vida de toda a humanidade, independentemente de fronteiras, de “Ius soli” ou “Ius sanguínis”, um só planeta, um só povo.
 
 
Voltar

Comentários

Nome:
E-mail:
Comentário:
 

  • Seja o primeiro a comentar