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Policial 24 horas por dia
Cristiani Azanha
14/02/2018 14h18
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Apaixonado pela profissão e policial militar em alerta 24 horas por dia, o capitão Antonio Carlos Rugero completa 37 anos de idade, na próxima segunda-feira (12), no mesmo dia em que entrou para corporação, há 17 anos. Atualmente é comandante da Companhia de Força Tática e Canil Setorial do 10º BPM/I (Batalhão da Polícia Militar do Interior) de Piracicaba. Rugero, como é conhecido, nasceu em Pirassununga. Filho de Clélia Aparecida da Matta Rugero e Antonio Carlos Rugero, que é veterinário e professor universitário. Incentivado pelo pai a ter amor pelos animais, ele até pensou em seguir a carreira no segmento de veterinária, mas foi por influência de um vizinho policial militar que decidiu prestar a Academia do Barro Branco, e tornar-se um oficial na corporação. Para ele, a Polícia Militar é sua segunda família. Foi durante o trabalho que conheceu sua esposa, que é soldado da PM e trabalha no Copom (Centro de Operações da Polícia), no mesmo batalhão em que atua. Pai de uma filha de quatro anos, tem também uma enteada de 11 anos. É na dedicação pela família que encontra seu descanso em seu horário de folga, mas, no entanto, sempre se mantém em alerta, pois, segundo ele, policial jamais descansa. Desde sua transferência para o 10º BPM/I, ele adotou Piracicaba como seu lar, pois ficou admirado pelos encantos da cidade.
 
 
Por quê decidiu ser um oficial da Polícia Militar?
 
Sempre tive disciplina em minha casa, e percebo o quanto foi importante para a minha formação pessoal. Somos em cinco irmãos e sempre tivemos que seguir regras desde cedo. Na época fiquei em dúvida se prestaria vestibular para veterinária, para seguir os passos do meu pai, ou a Academia do Barro Branco, que foi minha porta de entrada para a Polícia Militar. Decidi pela PM e hoje comando o Canil. Entre minhas funções está a proximidade com os cães, que gosto tanto. Consegui aliar o amor pelos animais no desempenho da minha profissão. Hoje não me vejo em outra função, pois trabalho no que mais gosto.
 
 
Como foi o início da sua carreira?
 
Sou formando na Academia de Polícia Militar do Barro Branco, ingressando em fevereiro de 2001 e me formei em 11 de dezembro de 2004, sendo classificado em Americana (19° BPM/I). Fui declarado aspirante a oficial em dezembro de 2004. Possuo especialização (cursos na instituição) em técnicas de ensino, policiamento em eventos, força tática, tiro defensivo para preservação da vida (Método Giraldi) e negociação de crises com reféns e direitos humanos. Fui instrutor no curso de formação soldados, em Limeira, entre 2011 e 2015, ministrando aulas de tiro defensivo e procedimentos operacionais, inclusive instrutor da minha atual esposa, em 2015.
 
 
Quais foram as atividades que desenvolveu na PM?
Fui subcomandante de Companhia no 19º BPMI, em Americana. Fiz parte da Força Tática e comandante da Força de Patrulha, que gerencia os chamados através do telefone 190. Depois passei a desempenhar as mesmas funções no 36º BPM/I , de Limeira, e, atualmente, comando a Força Tática e Canil do 10º BPM/I.
 
 
Qual é a função da Força Tática?
 
A Força Tática é uma tropa de apoio especializada em situações de gerenciamento de crises ou de maior gravidade, com foco, principalmente, no combate ao tráfico de drogas e roubos a banco, por exemplo. Assim como o Canil, a Força Tática tem trânsito livre nos 11 municípios que fazem parte do 10º BPM/I e sempre, quando possível, também apoia em situações mais graves em outras regiões.
 
 
Como um policial pode fazer parte da Força Tática?
 
O primeiro passo é ser voluntário. Depois passa por um rigoroso processo de seleção, onde são analisados vários pontos. Dedicação ao serviço, compromisso e disciplina todos os policiais militares têm, mas é justamente o algo mais que um integrante da Força Tática precisa ter, pois podem ser chamados a qualquer momento, mesmo quando estiverem de folga, dependendo da necessidade. Deverá ter um excelente condicionamento físico, pois durante as execuções dos trabalhos podem ficar muitas horas em pé e, muitas vezes, sem a oportunidade de beber água, se preciso. Sendo assim, portar o braçal da Força Tática passa a ter um peso muito importante para quem fizer parte. Tem que estar preparado!
 
 
Para fazer parte do Canil também precisa de dedicação extra?
 
Somente quem ama de verdade os cães pode trabalhar no Canil, pois também necessita de dedicação constante. Além dos trabalhos preventivos, ostensivos, ações sociais, entre outros, os integrantes da equipe precisam ter a mesma dedicação com seu cão, que será seu companheiro na realização das atividades. Deve preservar pela saúde, treinamento e limpeza das baias, que é realizada todos os dias.
 
 
Qual é a função do Canil na PM?
 
Os cães são utilizados em três funções distintas. A primeira é o faro, onde o cão é adestrado para procurar entorpecentes, armas e explosivos. A outra é o patrulhamento, onde o cão acompanha o policial nas atuações diárias do policial, e a terceira é as apresentações sociais para a comunidade.
 
 
Qual é a raça mais usada no Canil?
 
Anteriormente, o Canil teve cães da raça rottweiler, mas com o passar do tempo deixou de ser utilizado, pois, apesar de ser um excelente animal de proteção, não consegue manter o ritmo constante de um pastor belga de malinois, que pode ser utilizado até cinco horas seguidas de trabalho, dependendo da necessidade, pois o rottweiler é mais robusto, e, sendo assim, consome mais energia.
 
 
Pastor belga de malinois é a preferência, hoje?
 
Sem dúvida, atualmente nosso Canil conta com 15 animais. Todos da mesma raça, pastor belga de malinois. Ele é um cão com muita agilidade e excelente para o trabalho policial, pois pode ser muito bem usado no faro, policiamento ou em ações sociais.
 
Quem é a estrela do plantel?
 
Atualmente é o Aruk, que tem oito anos e deve aposentar-se a partir de março deste ano. É o cão mais completo que já tivemos, pois atua muito bem nas três utilizações do trabalho. Ao mesmo tempo em que tem o foco na localização do entorpecente, arma ou explosivo, ele vai muito bem no policiamento e é extremamente dócil quando participa de uma ação social. Hoje não temos nenhum outro animal que possa substituí-lo.
 
 
Você acredita que o cão aproxima o policial da comunidade?
 
Infelizmente nem sempre o policial é visto com bons olhos. A começar por algumas práticas que consideramos inapropriadas, que geralmente acontecem quando os pais querem chamar a atenção do filho quando faz algo errado, como “cuidado, o policial vai te prender”. Isso não é certo, pois o policial é amigo do cidadão de bem. Só realizamos as prisões quando há um crime e a pessoa que cometeu tem consciência do que fez. O cão policial vem nesse viés, para desmistificar essa prática. A criança precisa crescer sabendo que o policial é um amigo que tem a função não somente de protegê-lo, mas também de toda a sua família.
 
 
Você se imagina fazendo algo fora da Polícia Militar?
 
Mesmo quando estou em horário de folga, apesar de tentar desligar um pouco, isso acaba sendo impossível, pois os amigos de mais afinidade também são policiais, e algumas conversas sobre a corporação são inevitáveis, mesmo quando não estamos usando farda.
 
 
A Polícia Militar é considerada como uma família pelos integrantes?
 
Não tem como ser diferente. Passamos a maior parte do tempo no trabalho do que com nossos familiares. É impossível não ter um vínculo. Durante o serviço há uma certa hierarquia, que precisa e necessita ser respeitada, mas fora do expediente as patentes são deixadas de lado e todos passam a ser policiais militares.
 
 
Já passou por momento de morte de alguém próximo?
 
Sim, já tive um parceiro morto em combate. É algo que dói na alma da gente, pois realizamos o juramento de desempenhar nossa função até a morte, mas quando é alguém próximo sempre é uma situação difícil.
 
Qual foi o momento mais crítico que passou na profissão?
 
Como policial militar não foram poucas, tivemos inúmeras, principalmente na Força Tática. Quando somos solicitados como apoio já são situações críticas. Entre elas, recordo-me da nossa atuação durante os ataques de uma facção criminosa, em 2004. Na época trabalhava em Sumaré e passei mais de 48 horas seguidas no interior do Complexo Penitenciário Campinas-Hortolândia, durante uma rebelião de presos, que demorou dias. Foi uma situação muito tensa, tivemos agentes penitenciários feitos reféns, alguns estavam machucados, além de agressões entre os detentos. Só deixamos a unidade depois que a situação foi controlada e os presos retornaram para as respectivas celas.
 
 
O que representa a Polícia Militar para você?
 
Para mim representa simplesmente tudo, pois não entrei na carreira por dinheiro ou por qualquer outra intenção que não fosse o amor à profissão. Sou realizado como policial e a cada dia tenho a certeza que escolhi a melhor profissão do mundo, pois tenho uma carreira que sempre almejei. Com satisfação saio de casa todos os dias para trabalhar para desempenhar uma função que sempre quis. Não tem nenhuma outra profissão ou salário que possa incentivar-me a abandonar a Polícia Militar. Minha vida gira em torno da corporação. Sou extremamente realizado aqui e não quero mudar. Sou feliz assim!
 
 
Qual seu conselho para quem quer ingressar na carreira?
 
Só tenho a dizer que é uma excelente escolha, desde que esteja preparado e que saiba que sempre será norteado pela disciplina. Para que tenha uma boa carreira, sempre deve estar norteado no caminho do bem. A corporação preserva muito isso. Caso o interessado não tenha isso, é melhor repensar. No entanto, para mim, vejo que a disciplina é fundamental para fazer um trabalho com ética, além da realização de um bom atendimento ao cidadão de bem.
 
 
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