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Em prol do empreendedorismo
Felipe Poleti
10/07/2018 10h08
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(Claudinho Coradini/JP)

A os 66 anos de idade, o empresário Luiz Carlos Furtuoso assumiu pela segunda vez, em cerimônia que ocorreu na última quinta-feira, a presidência da Acipi (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba). Nascido em São Paulo, mora em Piracicaba desde o primeiro ano de vida. Em 2003, recebeu o título de Cidadão Piracicabano, que, segundo ele, “foi a confirmação daquilo que escolheu para a vida, ser piracicabano”. Casado com Maria Cristina, tem três filhos — Taís, Felipe e Samira. É sogro de Gustavo e avô de Maria Fernanda e Ana Beatriz, chamadas por ele como “as xodós do vovô”. Diz-se um apaixonado pelo XV de Piracicaba e por empreendedorismo, motivo pelo qual decidiu reassumir a função de presidente da Acipi, a fim de mostrar a importância da força do empreendedor na retomada econômica da cidade neste momento “póscrise”. Nesta entrevista, o empresário contou sobre sua história como empresário, falou de política e também comentou as novidades e os desafios futuros da Associação para o triênio 2018-2021.

Como começou sua história como empreendedor?

Como empresário comecei cedo. Antes de ter minha empresa, tive outros dois empregos. A minha primeira atividade foi como gráfico e depois passei pelo Supermercado Brasil e lá fiz minha carreira profissional. Entrei com 18 anos e com 24 já era diretor da empresa. Foi uma experiência muito grata e muito importante na minha vida, pois foi lá que aprendi muita coisa, não só da parte profissional, mas também da parte de forma de entendimento de empresa, forma de gestão, de relacionamento com os colaboradores. Fiz muitos amigos, foi um momento que me deu boa base para que conseguisse iniciar minha atividade empresarial em 1979. E já se vão 39 anos como empresário.

Há quanto tempo está na Acipi?

Na Acipi, estou há bastante tempo, quase 22 anos. Antes de vir para a Acipi, trabalhei bastante na CDL e na Federação da CDL, onde participava de muitos congressos. Anualmente, realizamos atividades aqui. Todo congresso que tinha, eu participava junto com diversas pessoas que hoje estão aqui na Acipi. Nessa época, criamos um grupo de amigos que participavam destas atividades e isso tudo foi interagindo. Boa parte destas pessoas vieram para a Acipi e acabei indo junto. Minha primeira função foi como conselheiro e depois exerci várias funções dentro da diretoria, fui vice-presidente. Teve uma época em que a Acipi estava passando por mudanças, quando o amigo Paulo Checoli, que é tio do Paulinho (presidente da entidade até semana passada), me convidou para ser vice-presidente e ajudar a fazer esta renovação na equipe, trazer ideias novas, fazer uma interação das pessoas que já estavam na entidade junto as que estavam chegando. Na época, formamos uma boa diretoria, um time que vem dando continuidade ao trabalho que vinha sendo feito. A continuidade que digo é de seguir os projetos existentes. Não é porque muda de presidente que as coisas precisam terminar. Um exemplo é a ampliação da nossa sede. Um comprou terreno; outro, começou a obra; outro, terminou, e outro, entregou a obra. Da mesma forma que as obras seguem, os programas também, um exemplo é a Escola de Negócios. Em resumo, isso mostra a sinergia dentro da entidade. A Acipi ganha com isso porque não se para nenhum projeto no meio do caminho só porque não foi minha ideia ou não foi eu quem começou, não temos isso na Acipi.

Quais seus planos para a gestão da entidade nos próximos três anos?

Durante um mandato, sempre fazemos alguns ajustes devido aos novos desafios. Hoje, o projeto básico é estar mais próximo do associado. A estrutura do prédio está pronta, a equipe interna está preparada, os projetos foram concretizados e agora precisamos utilizar toda essa infraestrutura que temos aqui. O que é isso ao nosso ver? Nós temos uma entidade de empreendedores e nós queremos estimular isso. Como vamos fazer isso? Vamos ter uma base móvel, um veículo totalmente equipado que vai até o local onde estão os associados, nos corredores comerciais, onde precisar, para poder apresentar a Acipi a ele. Ele será a porta para que todos possam conhecer o que a Acipi faz, tudo o que oferece e sua infraestrutura. É possível até que façamos palestras e capacitações nele, mas para grupos pequenos. Com isso, levamos a Acipi até o associado, comunidade, no lugar onde as pessoas estão. Inicialmente, dentro do possível, queremos levar treinamentos para os corredores comerciais. As vezes, às pessoas têm dificuldades devido ao expediente, mas se você conseguir levar isso mais próximo a eles, com certeza a adesão será grande.

Tem algo novo no que diz respeito à qualificação profissional?

Dentro da Acipi temos muitas aulas teóricas e nossa intenção é criar um espaço dentro da entidade — possivelmente construí-lo — para que tenhamos a aula prática. Um exemplo, você vai lá e faz um curso de vendedor e pegou a teoria e foi embora. A prática espera-se que você adquira já no trabalho, mas nossa intenção é que este espaço da teoria seja ao lado da prática, para a pessoa ter um profissional acompanhando e exercitar a venda, a compra etc., sempre sob orientação. Com isso, temos um profissional mais qualificado e já com experiência inicial naquilo em que ele poderá trabalhar. Numa loja, hoje, já é diferente a forma de atuar, tem que ter conhecimento de mais funções, para você poder crescer. Com esta nova ação da Acipi, o formado poderá entrar para trabalhar num comércio em qualquer função, seja como vendedor, caixa, estoquista, vitrinista. Outro exemplo é no curso de telemarketing, a pessoa aprende a teoria, mas aqui ela já vai exercer a prática sob orientação de um especialista, mesma coisa para cursos de secretária, telefonista etc. Isso abrange um grande número de associados nossos. Em resumo, vamos dar uma qualidade melhor ao profissional, que vai atender melhor no comércio e o retorno será mais positivo, ou seja, agregaremos mais valor e melhorando os resultados. Por meio da Escola de Negócios, queremos fazer vídeos de treinamentos que serão disponibilizados para as pessoas levarem às empresas — material didático e visual — sempre com conteúdo voltado para cada realidade do nosso associado.  Essa é mais um forma de termos pessoas mais qualificadas em nosso mercado de trabalho e também uma forma de manter os profissionais atualizados.

O que espera do comércio local para o futuro?

Nestes próximos 12 meses, que serão de fortes mudanças—econômicas e de governo — as novidades propostas pela Acipi viriam a ajudar na retomada da economia, com palestras e outras atividades. Vamos focar muito nisso para que as empresas tomem decisões bem informadas, dar oportunidades e sabedoria para enfrentar os desafios que vêm pela frente. Com relação às eleições deste ano, nós vamos manter a campanha Eleitores Unidos por Piracicaba, porém, diante do cenário que temos hoje, vamos fazer alguns ajustes nas formas que vamos fazer esta campanha para que Piracicaba tenha essa representatividade na Assembleia e na Câmara Federal, com deputados estaduais e federais que representem a nossa região.

No momento de crise, o que é importante para a retomada do crescimento?

Entre as diversas propostas que temos, vamos dar o máximo de suporte técnico possível para o MEI, o micro e pequeno empresário, porque eles precisam deste apoio. Já damos bastante este suporte, mas vamos ampliar mais. Começamos recentemente um projeto de atendimento às MEIs na entidade que vai ajudar muito. Hoje, os custos são elevados individualmente, mas quando a Acipi faz, os custos são menores, pois abrange mais gente, por isso é vantagem para todos. Vamos concluir o projeto de ecomerce pela Acipi, e trazer cada vez mais nossos comerciantes para este mercado. O caminho futuro é esse. Com a nossa diretoria de T.I., queremos que a mídia social esteja cada vez ativa nas empresas e que a Acipi seja um facilitador para as empresas que não estão nestas redes ou não sabem usar bem estas ferramentas para que possa fazê -los de forma fácil e de custo baixo.

Como a Acipi pode ajudar na questão da inadimplência na cidade?

Queremos reeditar a cartilha de educação financeira da Acipi, individual ou familiar, pois sabemos que esta é uma ferramenta importante para organização do orçamento e todos ter uma vida melhor, pois quando a pessoa está desempregada as dificuldades são muitas. Tem muita gente que usa essa cartilha. Lembro de quando fizemos o lançamento desta cartilha e observamos que o índice de inadimplência em comparação com outros anos anteriores a ela caiu significativamente, ou seja, tem um significado positivo para as famílias, para as crianças, os jovens, o empresário, todos aprendem e evitam desconfortos.

Para realizar estas ações, o modo de gestão da entidade vai mudar?

Queremos implantar a governança na Acipi. A entidade, com todo esse crescimento, o modelo de gestão que existe hoje pode sofrer mudanças. Vemos a necessidade de um novo modelo de governança que pode ser utilizado pela própria entidade e ser disponibilizado às empresas. Queremos estudar a melhor forma de governança para a entidade. Consequentemente, isso será trazido de dentro da Acipi para as empresas usarem e receber novos conhecimentos. Por alguns períodos, vamos deixar a Acipi aberta à comunidade. Muita gente, associada ou não, muitas vezes tem curiosidade de conhecer a entidade, mas não consegue. Hoje temos mais de 5 mil associados e queremos ter alguns dias em que a entidade fique aberta para que as pessoas a visitem com apoio de monitores que explicarão tudo sobre seu funcionamento.

Qual deve ser a marca da sua administração?

Nós temos a marca que é a força do empreendedorismo, porque acreditamos bastante que a livre iniciativa é uma das pontas da democracia, onde se tem liberdade. O empreendedor deve caminhar neste sentido. Só é empreendedor quem tem uma atividade profissional? Não, eu comecei a ser empreendedor no meu emprego do supermercado. Por ter esse olhar empreendedor que eu cheguei a ser diretor. Acredito muito que nós temos que ser empreendedores sempre, independente de se trabalhar em seu próprio negócio ou não. Um exemplo, um médico ou advogado, ele empreende sozinho, mas tem outros que já unem forças, montam escritórios, clínicas e a coisa fica maior. O empreendedorismo é uma vocação. A força do empreendedorismo é aquilo que nós entendemos que alavanca o desenvolvimento, a economia. A livre iniciativa é o que dá a oportunidade do empreendedor desenvolver. Com uma democracia de verdade, a pessoa pode mudar de vida e dá oportunidade de empreender. Vemos isso em nossa economia, que é dinâmica. Essa é a chave que nós achamos que abre todas as portas. Tudo que é estatizante, dominador, que impeça que as pessoas tenham liberdade de se desenvolver na vida, não apoiaremos. Essa é nossa bandeira e lutamos por isso.

Você já foi presidente da Acipi na gestão 2001-2005. De lá para cá, o que mudou na entidade? Quais os principais benefícios que estas mudanças trouxeram aos associados e a população piracicabana?

Nesses anos todos, vem crescendo o número dos nossos associados, o que fortalece a entidade. Hoje, Piracicaba é a maior associação em números de associados do Estado de São Paulo, só perde para a capital. Somos maiores que Campinas, Ribeirão Preto e outras cidades deste mesmo porte e isso mostra que o trabalho que estamos fazendo teve um caminho certo e veio evoluindo. A Escola de Negócios foi ampliada, já que saiu do departamento de cursos para uma escola maior, mais bem estruturada. Outro ponto importante é a assinatura digital, apoio para o MEI, Junta Comercial que atende toda a região e não só a Piracicaba. Esses são avanços totalmente importantes, as campanhas que a gente vem fazendo para ativação do comércio, formação de mão-de-obra, inclusive com MBA oferecido pela Acipi. A parte de comunicação evoluiu muito, temos livro, revista, informativos, participação em programas, ou seja, a entidade se tornou mais comunicativa. O apoio e a parceria que temos com o poder público tem sido crucial para esta evolução. Temos o SCPC e trabalhamos para que as pessoas tenham seu cadastro positivo e isso vai ser muito bom, pois vai diminuir muito os custos dos empresários, diminui os riscos dos bancos, dos agentes financeiros, e melhora o ritmo do consumo. Ampliamos o prédio para atender toda essa necessidade de crescimento. Montamos a cooperativa de crédito que se uniu com a Coplacana e surgiu a SicoobCocred, ampliando um projeto bastante forte e que está crescendo muito e ajuda os empresários e funcionários. Enfim, nós criamos uma estrutura muito forte. Isso só deu certo porque os ex -presidentes deram continuidade aos trabalhos realizados por toda a equipe da entidade, o que nos tornou extremamente fortes.

Tendo em vista todo este avanço e qualidade dos serviços prestados, os diretores e conselheiros recebem alguma remuneração para isso?

O trabalho dos diretores e conselheiros da Acipi é voluntário, e isso dá uma situação muito confortável, porque você está fazendo o que você quer fazer, não é obrigado. A partir do momento que você faz porque quer, sua dedicação te dá prazer. Você convive com outros empresários, discute temas da cidade, os problemas da comunidade e como você pode ser mais útil à sociedade. Isso engrandece a alma da gente, você não faz por dinheiro, faz por amor, por prazer. Todos os presidentes que passaram pela Acipi, os diretores, os membros de conselho, estão de parabéns por fazer isso de livre e espontânea vontade. Além disso, a nossa equipe interna também nos incentiva, pois o desafio é muito grande, mas sempre que você precisa é atendido, todos os funcionários da Acipi se envolveram neste projeto, fazem parte disso, é uma satisfação muito grande estar junto. Temos responsabilidades, momentos difíceis, mas quando se tem um grupo junto, com pessoas que te apoiam, que são sinceros, onde há confiança, é uma experiência gratificante. Como você avalia a participação da Acipi nos últimos anos quanto à política e como pretende gerenciar este assunto tendo em vista as eleições presidenciais em outubro? Nós estamos nos expondo mais. Eu participei efetivamente disso tudo. A Acipi tinha que fazer este papel, já que estavam mudando a rota da democracia brasileira. Aí, a população deu um recado muito claro que ela não queria uma mudança naquela forma como estava sendo feita. Foi o clamor popular de não aceitar que o país tivesse mudanças e que nos levasse a ter o mesmo destino da Venezuela, por exemplo. As manifestações foram muito importantes. É o papel da entidade participar, já que temos responsabilidade de mostrar à população o que está acontecendo e se engajar dentro de uma bandeira. Historicamente, a Acipi foi fundada num período onde o Estado de São Paulo lutava para uma Constituinte, no tempo do governo Getúlio Vargas. Naquele momento, o Estado se posicionou, a Associação Comercial de São Paulo era um dos pontos de referência de aglutinação destes ideais de liberdade, que o Estado de São Paulo foi tratado por Getúlio de uma forma extremamente desrespeitosa na época. O presidente da associação na época, quando terminou a Revolução de 1932, foi exilado do Brasil. Está em nosso DNA lutar pela liberdade, pela democracia, pela livre iniciativa e a Acipi foi fundada exatamente nesta época. Desde o começo da nossa história lutamos por isso. Não podíamos nos furtar dessa responsabilidade. Nas eleições deste ano, tem um detalhe importante, a população vai estar mais atenta, vai querer mais informações sobre os candidatos. Em nossa campanha, teremos vários candidatos com nome em disputa, vamos ter que aprofundar mais o nosso trabalho e unir os eleitores de Piracicaba a votar com consciência. 

Quais são os desafios da entidade neste período de recuperação da economia?

Nós já estávamos dando uma boa recuperada dessa crise, mas não sabemos muito bem, com tudo isso que vem acontecendo na política, corrupção, crises internas e externas, mudou um pouco o contexto das coisas. Vejo que precisamos estar atentos ao que vem pela frente. Com que rapidez as coisas vão melhorar? Acho que nos próximos 12 meses ela será bem mais demorada que o esperado. O grande detalhe é que a capacidade ociosa das empresas é grande e se o Brasil retomar o crescimento teremos condições de atender essa demanda. O que nós vemos hoje com espaços comerciais fechados, nunca foi visto antes. Isso significa que esse empresário deixou de trabalhar e, ele e seus funcionários, estão todos no mercado de trabalho como desempregados. A roda de negócio que ele pertencia também foi quebrada e outras pessoas foram afetadas. A retomada disso requer bastante cautela e precisamos preparar estas pessoas para que elas retomem este espaço que foi desocupado. Em resumo, o Brasil é muito grande. O custo nosso é caro e pesa muito, a estrutura é inchada, o que deixa o país sem condições de investir, um percentual muito grande da arrecadação acaba sendo perdida, comprometida, e não há dinheiro para investir do mesmo jeito que o governo acaba ficando sem capital para investir. O desafio maior é destravar essa economia, reduzir impostos e ampliar a livre iniciativa. 

 
 
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