Pet com medo de fogos. O que fazer?

Confira dicas da veterinária Mariana Bortolazzo para amenizar o estresse do seu bichinho. (Foto: Reprodução)

Época de jogos, festas juninas e final de ano é sempre um martírio para os pets que têm medo de fogos de artifício. Cães e gatos contam com uma audição muito mais sensível que a dos humanos, portanto, se o barulho já incomoda a nós, imagine aos ‘bichinhos’.

Coração acelerado, correria e a busca por um local para se esconder são atitudes típicas de animais quando estão assustados pelos fogos e, em meio a tudo isso, o tutor pode ficar desesperado e sem saber o que fazer. Antes de tudo, é importante manter a calma para não estressar ainda mais o pet e, assim, algumas medidas podem ser tomadas para amenizar o sofrimento.

De acordo com a veterinária Mariana Bortolazzo, o ideal é que o animal seja mantido dentro de casa, em segurança, até que a agitação termine. “Pode-se usar algodão nos ouvidos para abafar os ruídos, lembrando sempre de removê-los assim que o barulho acabar”, indica. “Feche portas e janelas para abafar os ruídos, e para evitar fugas que podem acabar em atropelamentos e outros acidentes”.

Outra dica da veterinária é ligar TVs e aparelhos de música para disfarçar o som dos fogos, além de ser interessante preparar um abrigo para que o animal se sinta seguro e confortável enquanto se esconde. Coloque ali comida, água e também brinquedos com os quais o pet possa se distrair.

Tome cuidado com a coleira! “Alguns animais, em função do medo provocado pelo barulho de fogos ou chuva, podem instintivamente se desesperar, enroscando-se ou se enforcando com o uso de coleiras. Se possível, retire a coleira nesses momentos para evitar esses acidentes”, alerta Mariana.

Se mais de um animal estiver no mesmo ambiente, mesmo que sejam amigáveis um com o outro, podem haver brigas geradas pelo estresse do momento. O melhor é separá-los para garantir que ninguém sairá machucado.

Ademais, é importante não forçar o bicho a nada e tentar deixá-lo o mais à vontade possível. Caso o terror seja extremo, algum medicamento calmante pode ser receitado por um veterinário, após consulta e avaliação.

E A LEI?

Diversas cidades pelo Brasil e mundo têm optado por proibir o uso de fogos de artifício com explosões em altos volumes, que prejudicam não apenas os animais, mas também crianças, idosos e pessoas com problemas de saúde especiais.

Em um dos casos mais notórios, em 2011, uma “chuva” de pássaros foi notícia em Beebe, pequena cidade do Arkansas, nos EUA. No acontecimento, mais de cinco mil pássaros da espécie tordos-sargento despencaram mortos do céu após o revéillon.

De acordo com o declarado por George Badley, na época responsável pelos serviços veterinários do Arkansas, a causa da morte foram os altos barulhos dos fogos. As aves, após ficarem amedrontadas e atordoadas pelos ruídos, bateram umas nas outras durante um desesperado voo de fuga, o que resultou na queda de milhares delas.

Em Piracicaba, um projeto de lei do vereador Marcos Abdala (PRB), de número 6.881/2017, busca proibir a queima de fogos com altos estampidos. Em discussão há dois anos, a proposta foi retomada pelo parlamentar em maio deste ano e, por enquanto, aguarda análise das comissões da Câmara de Vereadores de Piracicaba, inclusive a de meio ambiente. Após aprovação das comissões, a proposta segue para votação pelos parlamentares, ainda sem previsão.

A veterinária Mariana defende as proibições, já que, além das consequências geradas pelo barulho das explosões, a fabricação dos fogos de artifício causam malefícios também para o ar e água, porque liberam percloratos. “Estas substâncias inibem o funcionamento da glândula tireoide, alterando o crescimento, desenvolvimento e o metabolismo de várias partes do organismo dos animais que entram em contato com este poluente”, explica a especialista.

Adotar é o Bicho!

O Jornal de Piracicaba, em parceria com entidades protetoras da cidade, promove a campanha “Adotar é o Bicho”, que tem o objetivo de dar visibilidade a gatos e cachorros que buscam um novo lar.

Para conhecer os animais disponíveis acesse o site: www.jornaldepiracicaba.com.br/adotar-e-o-bicho.

Mariana Requena
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