Picadas de animais peçonhentos aumentam 13,2%

saúde Escorpiões se alimentam de baratas no esgoto. Foto: Claudinho Coradini/JP.

A quantidade de acidentes de provocados por picadas de animais peçonhentos (escorpiões, aranhas, cobras entre outros) registrados entre janeiro e setembro aumentou 13,2% este ano em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 1.170 acidentes em 2017, sendo que neste ano o número já chegou a 1.325 (foram 155 casos a mais). Embora os dados discriminando caso a caso em 2018 não estejam fechados, sabe-se que a maioria dos acidentes foi provocada por picadas de escorpiões – no ano passado responderam por 60% dos casos. O agravante é que estamos no início do período mais crítico, que são os meses do Verão.

“O escorpião é um aracnídeo que se alimenta de insetos e é no calor que tem mais inseto disponível para alimentação. Também é a época de reprodução deles, por isso ficam mais ativos no ambiente”, explicou a bióloga Regina Lex Engel, responsável pelo setor de animais sinantrópicos (pragas urbanas, que podem invadir residências) do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) da Prefeitura de Piracicaba.

Como não existe veneno eficaz para o combate do escorpião, a prefeitura atua para reduzir a principal oferta de alimentos a eles (as baratas nas redes de esgoto). A administração municipal realiza também trabalho de orientação aos cidadãos. As principais recomendações são: fechar as vias de acesso da rede de esgoto para dentro do imóvel. O ideal é trocar todos ralos da casa por modelos com tampa ‘abre e fecha’ (devem ser abertas apenas no momento do uso), além de vedar todas as arestas de portas e janelas.

PRIMEIROS SOCORROS — Caso algum familiar seja picado por escorpião, a recomendação da bióloga do CCZ é para que procure a unidade de saúde mais próxima. Os primeiros socorros são feitos com aplicação de soro fisiológico e analgésico. O soro antiescorpiônioco está disponível apenas na Santa Casa de Piracicaba, atendendo à recomendação do Ministério da Saúde (preconiza que a ministração do soro seja centralizada).

Ainda que com ela tenha funcionado, Karine Louise relata uma experiência traumática que a faz recomendar o descumprimento do protocolo. Em casos de picadas em crianças, ela sugere procurar diretamente a Santa Casa. O sobrinho dela de 2 anos foi picado na região do bairro Paulista no último dia 22 de setembro. Por pouco, conta Karine, o desfecho não foi trágico.

“Levamos ele no pronto-socorro da Vila Cristina. Ele já estava com as mãos e com a boca roxas. Estava gelado e suando muito. Levaram-no para a Santa Casa. Aplicaram o soro nele. Eram 13h. Ele estava respondendo bem. Às 21h, o batimento cardíaco foi para 194 por minuto (normal seria entre 100 a 120). Deixaram desfribiladores preparados caso chegasse a 200. Ficou assim sábado (dia do acidente) e domingo. Na segunda à noite, abaixou um pouco. Na terça, voltou ao normal. A médica disse ter sido um milagre de Deus. Fomos muito bem atendidas da Vila Cristina. Mas médica falou que se não tivesse sido rápido, ele teria morrido. Por isso, recomendo que ninguém perca tempo indo ao pronto-socorro”.

A bióloga do CCZ diz que são raros os casos nos quais é necessário encaminhar para a soroterapia. A procura direta à Santa Casa, diz ela, pode comprometer o atendimento dos casos que realmente são de emergência . Em 2017, foi registrada a morte de uma criança, vítima da picada de escorpião em Piracicaba. Este ano, não foi registrado nenhum óbito.

(Rodrigo Guadagnim)