Pichado, de novo

Para ter uma noção da repercussão do caso, a imagem foi replicada no Twitter do apresentador Danilo Gentili, que fez o polêmico comentário: “que vândalos arrombados”

Em 2012, quando foi construída a escultura do peixe dourado, por R$ 90 mil, a intenção era exaltar a simbiose que existe entre os moradores e o rio Piracicaba. A intenção era homenagear Piracicaba, que significa lugar onde o peixe para, na língua tupi. Mas, essa escultura, fincada na entrada do município, tem sido motivo de discórdia e de chacota. Neste final de semana ocorreu mais um capítulo desta novela. Pela 21ª vez, o monumento foi pichado. Na última investida, os dizeres “EleNão” foram pichados. Essa frase foi propagada pelas redes sociais e se refere a movimento encabeçado pelas mulheres contra a candidatura a presidente da Jair Bolsonaro (PSL).

O assunto causou polêmica novamente, porque um homem e uma mulher fizeram uma selfie em suas redes sociais mostrando a pichação ao fundo. O mais grave foi que correligionários de Bolsonaro replicaram a imagem e colocaram os dados pessoais da mulher, inclusive com endereço e placa do carro, para ameaçá-la. Mas isso não quer dizer que foram os pichadores. O caso foi parar no departamento jurídico da prefeitura pela primeira vez, como mostra reportagem de Fernanda Moraes, publicada nesta edição. Segundo a administração, houve dano ao patrimônio público e, por esta razão, será feito boletim de ocorrência e o caso será apurado pela Polícia Civil, inclusive com pedido de ressarcimento pelos danos.

Para ter uma noção da repercussão do caso, a imagem foi replicada no Twitter do apresentador Danilo Gentili, que fez o polêmico comentário: “que vândalos arrombados”. Pela enésima vez, a prefeitura pintou o peixe, para apagar a pichação.

Nesses seis anos, já picharam de tudo nesse peixe. A primeira vez escreveram dead fish, que significa peixe morto. No último dia 10 de setembro, os dizeres eram “Mexeu com uma mexeu com todas”, frase usada para relatar o assédio sexual vivenciado por uma figurinista da TV Globo. Além da frase, a pichação também trazia uma caricatura que faz referência à vereadora Marielle Franco, assassinada a tiros em março deste ano, no Rio de Janeiro. Até agora ninguém identificou os vândalos.

Toda a vez que isso aconteceu, a prefeitura tomou a mesma providência: apagou a pichação. Esse é um dos assuntos mais comentados sempre nas redes sociais do Jornal de Piracicaba. Os leitores têm toda a razão. A escultura se tornou um canal de protesto. Os leitores também já deram várias sugestões para que esse problema seja evitado: grafitar o peixe, fazer um concurso cultural para escolher obras de arte para ilustrar o peixe. Instalar câmeras de monitoramento para flagrar os vândalos com a boca na botija. Há aqueles que sugerem até mesmo o cercamento da escultura. Os mais radicais defendem até mesmo a derrubada do peixe. Mas, até agora, a prefeitura mantém sua posição: pintar o que foi pichado…

(Claudete Campos)