Piracema não é anedota de pescador

A Operação Piracema da Polícia Militar Ambiental existe há tempo suficiente para que qualquer pescador, ainda que amador, entenda que se trata de período de restrição. Não é um achismo qualquer das autoridades, ao contrário, é uma ação necessária para que a pesca continue existindo assim como as diversas espécies de peixes. Numa cidade que nasceu por causa de seu rio e também o venera como símbolo de sua identidade caipira, é de se assustar a quantidade de multas por pesca ilegal. Na matéria de Cristiane Azenha, publicada na página A 4, podemos verificar que em três dias foram R$ 14 mil em multas e diversas ocorrências.

Claro que tem sempre aquele que acha que um peixinho a mais ou a menos não faz diferença. Porém, a atitude de total desrespeito com nosso rio e sua vida não pode ser tratada com condescendência. Imagine-se no Grand Canyon, no deserto do Arizona, nos Estados Unidos, uma beleza natural. Se todo mundo que visitasse esse local levasse uma pedra embora… ah, mas isso não é possível, né. Então, se louvamos a rigidez com que outros países tratam suas riquezas naturais, por que admitimos que se pesque na piracema. Nesse período, os peixes buscam as cabeceiras para reprodução, o que vai garantir que nosso rio continue sendo morada de diversas espécies. Atitudes podem ser pequenas, mas a somatória delas é que nos permitirá ser uma sociedade melhor. Não adianta gritar por justiça e fraudar o Fisco, estacionar em local proibido e/ou jogar lixo na rua. A dona Justiça pode ser cega, mas sabe contar e um dia um lado da balança desequilibra. No caso de um rio, pode ser muito tarde para consertar.

( Alessandra Morgado)