Piracicaba participa do #Weremember

evento Adesão ao movimento é por e-mail, para envio de imagens

Uma das maiores atrocidades registradas na história moderna, o genocídio cometido pelos nazistas, que ceifou a vida de milhões de judeus na Segunda Guerra Mundial, tem destaque em 27 de janeiro como o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto. Essa data foi definida em 2005, durante Assembleia Geral das Nações Unidas, para que o mundo se lembre das vítimas do Holocausto. Seguindo esse mesmo propósito, no ano passado foi criado um movimento, pelo Congresso Mundial Judaico, para compartilhamento de fotos com a expressão We Remember em um telão no Memorial de Auschwitz, antigo campo de concentração onde 1,5 milhão de poloneses foram exterminados. Em 2017, nas duas primeiras semanas de lançamento do desafio, mais de 200 mil pessoas tinham aderido ao #Weremember. Neste ano, o jornalista Maurício Ribeiro é o representante do ativismo internacional em Piracicaba, que pretende gerar um mínimo de 1.000 compartilhamentos para a projeção em 27 de janeiro, no telão em Auschwitz.

Segundo o representante do #weremember em Piracicaba, as fotos com os dizeres do movimento devem ser encaminhadas para o e-mail weremember [email protected] até 15 de janeiro de 2019. Para isso, orienta Ribeiro, o critério é que as pessoas estejam sérias e segurem um cartaz ou escrevam #weremember em um espelho, no braço. As fotos devem ser registradas na posição horizontal. “Pode abusar da criatividade, mas manter a seriedade, sem sorrir”, reforça.

O representante do movimento em Piracicaba destaca que essa é a primeira vez que ele coordena a iniciativa na cidade, que participa desde a primeira edição do #weremember. Maurício ressalta que antes de se tornar um movimento organizado pelo Congresso Mundial Judaico, muitos internautas já compartilhavam o “We remember” de modo individual em suas redes sociais. “As fotos coletadas serão enviadas ao escritório de Nova Iorque, responsável pela projeção em Auschwitz, no dia 27 de janeiro”, revela.

EMPATIA — Mais que empatia pelas vítimas do Holocausto, Maurício Ribeiro ressalta que não apenas judeus foram dizimados pelos nazistas, mas também negros, ciganos, pessoas com deficiências. “Todos que fugiam do padrão ariano eram mortos”, enfatiza. Ribeiro também é pesquisador da temática judaica e há cerca de dois anos viajou a Israel, para conhecer mais sobre a cultura e a história do povo judeu. A viagem de turismo e pesquisa resultou em muitos registros fotográficos, sendo que alguns deles compõem a exposição Caminhos do Sagrado, que pode ser vista até dia 6 de janeiro, por quem passar pelo Terminal de Ônibus da Vila Sônia. Além disso, relatos de hábitos praticados por uma bisavó de Ribeiro o fizeram ir mais fundo. “Fiz uma pesquisa da minha ascendência pelo DNA e descobri que há probabilidades da presença judaica na minha família, pela origem negra paterna, que é da Nigéria, um país com forte presença de judeus”, justifica. “Mas não precisa ser judeu para participar. Basta ter amor à vida. A história precisa ser lembrada para não ser repetida”, ressalta.

(Eliana Teixeira)