Piracicaba registrou um caso de febre maculosa neste ano

febre Placas em áreas de risco alertam população. ( Foto: Claudinho Coradini/JP)

Entre janeiro e agosto deste ano, Piracicaba registrou apenas um caso de febre maculosa que evoluiu para cura. A informação é da Secretaria Municipal de Saúde, que divulgou ontem levantamento mais recente sobre a doença na cidade. Segundo a pasta, em comparação com o mesmo período de 2017, a cidade já havia registrado cinco mortes pela doença, fato que não aconteceu neste ano.

De acordo com a pasta, setembro é o mês que encerra a estiagem – período em que o principal vetor da doença, o carrapato estrela, tem mais facilidade para procriação – motivo pelo qual a incidência de casos deve diminuir. No entanto, é necessário que a população fique atenta às regiões onde podem ser encontradas capivaras – principal hospedeiro do carrapato-estrela. As regiões consideradas de risco são margens de rios, córregos e lagoas, além de áreas verdes.

“Em Piracicaba, temos um fator adicional, que é o Rio Piracicaba e as colônias de capivaras que vivem nas matas ciliares. Esses roedores ampliam a possibilidade de transmissão da doença. Por isso, a Secretaria de Saúde alerta sobre o risco de contaminação pelo carrapato-estrela para quem costuma visitar essas áreas endêmicas”, informou a pasta.

Em caso de exposição ao local onde pode ter ocorrência de carrapato, é fundamental que, logo em seguida, as pessoas observem se não há nenhum em seu corpo. Caso seja encontrado, o aracnídeo deve ser retirado imediatamente, antes que ele se fixe, tenha contato com a corrente sanguínea e transmita a bactéria causadora da febre maculosa. Se isso acontecer, os sintomas podem demorar de dois a 14 dias para aparecer.

CAPACITAÇÃO – No final de agosto, cerca de 100 profissionais de vigilância, unidades de Pronto Atendimento, Hospitais e Atenção Básica da rede de saúde de Piracicaba participaram de capacitação sobre a Febre Maculosa Brasileira na Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz). A atividade é de iniciativa do Grupo de Vigilância Epidemiológica XX (Piracicaba) e Superintendência de Controle de Endemias (Regional de Campinas), ambos da Secretaria de Estado da Saúde, em parceria com a Comissão de Prevenção e Controle da Febre Maculosa da Esalq/USP.

Segundo os organizadores, a Febre Maculosa ocorre na região de Piracicaba desde 2000. Entre janeiro de 2010 e agosto de 2018, foram notificados 2048 casos na região do Grupo de Vigilância Epidemiológica de Piracicaba, sendo confirmados 116 casos. De janeiro a agosto deste ano foram notificados 188 casos na região, confirmando-se nove casos, dos quais seis evoluíram a óbito (nenhum na cidade de Piracicaba). “Essa atividade é anual desde 2013, com objetivo de capacitar novos técnicos e promover a troca de experiências entre os profissionais da saúde para enfrentar esta importante doença”, informou a assessoria da Esalq.

A DOENÇA – De acordo com a pasta, para haver transmissão da doença, o carrapato infectado precisa ficar pelo menos quatro horas fixado na pele das pessoas. Os mais jovens e de menor tamanho são vetores mais perigosos (micuim), porque são mais difíceis de serem vistos. Não existe transmissão da doença de uma pessoa para outra.

A febre maculosa tem cura desde que o tratamento com antibióticos (tetraciclina e clorafenicol) seja introduzido nos primeiros dois ou três dias. Atraso no diagnóstico e no início do tratamento pode provocar complicações graves, como o comprometimento do sistema nervoso central, dos rins e pulmões, das lesões vasculares e levar ao óbito.

(Felipe Poleti)