Piracicabana tem mais de 1.000 plantas em jardim

Maria Apparecida é dona de um “imenso” jardim (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Hoje, Maria Apparecida Carssella Sornsen completa 80 anos de de idade e de uma trajetória cheia de histórias divertidas e tristes, mas sempre contadas com muito carinho.

Maria é piracicabana raiz, nascida no bairro do Chicó. É a quinta de sete filhos. Ainda pequena, a família se mudou para o bairro Pauliceia e depois, quando se casou em 1945, mudou-se para o São Judas, onde vive até hoje.

Desde a infância dona Maria tem uma forte ligação com a natureza. “Adoro mexer com plantas e até hoje me lembro do meu pai nos ensinando”, relembra.

Ela é dona de um belo e imenso jardim, com mais de 1.000 plantas, dentre elas framboesa, pepino, uvas, orquídeas, bromélias, pitaya, pimenta, jabuticaba e muito mais. “Quando fico triste, venho mexer com as plantas. Me alegraria em saber que todo mundo tivesse mais ‘verde’ em casa. Casa sem planta me deixa um vazio tão grande no coração”, comenta.

Além de cuidar das plantas, dona Maria ajuda nos trabalhos da igreja, cuida dos seus 11 gatos, faz artesanato, crochê e todos os anos – há dez anos consecutivos – viaja para Goiânia, junto de sua amiga Sinera. “Essa amizade é fruto da minha profissão de doméstica. Fiz faxina em todas as casas do bairro e isso me deu muitas amigas, sou muito feliz em tê-las”, relata a aniversariante.

Seu primeiro emprego foi em 1938 no Hospital Santa Casa, mas se aposentou na Companhia de Força e luz (CPFL) com 60 anos.

Apesar da fala mansa e do sorriso no rosto, a aposentada conta que já passou “por maus bocados”. Segundo ela, sua mãe – de quem fala com saudade – faleceu em seus braços, e essa cena se repetiu com os outros cindo irmãos. “Pura saudade que sinto deles, cuidei de todos com muito carinho, foi uma fase muito triste da minha vida”, conta.

Além de suportar a dor da morte de seus familiares, dona Maria também quase morreu, quando um ladrão – fugindo da polícia – invadiu sua horta e pediu para que ela o escondesse. Ele relata que, com “com um pensamento rápido”, inventou uma história que assustou o ladrão que foi embora pela porta da frente e pegou um táxi. “Eu tive um forte pressentimento ali, foi meu pai lá do céu que me protegeu. No dia seguinte, o taxista – conhecido do bairro – disse que o homem comentou que quase tinha matado uma mulher, um pouco antes”.

A aposentada é um exemplo de pessoa moderna, para regar suas plantas ela capta água da chuva. Sobre seu casamento, infelizmente não deu certo, mas moram juntos e são amigos até hoje. “Temos duas filhas e três netos que alegram nossa vida”.

Letícia Azevedo