Piracicabano é o primeiro aluno autista da UFPR a graduar

Lucas se formou em Artes: lição de vida. (Divulgação)

O TEA (Transtorno do Espectro Autista), conhecido popularmente por autismo, é um transtorno de desenvolvimento neurológico que se caracteriza pela dificuldade na comunicação social e comportamentos repetitivos. Porém, esse distúrbio não foi um empecilho para o jovem Lucas Fernandes Dalcin, 27, seguir o sonho de graduar-se numa universidade.

Em 2017, com a mãe Silvana Fernandes Dalcin, 53, Lucas se formou em licenciatura em Artes pela Universidade Federal do Paraná no campus Litoral. A graduação é uma grande conquista celebrada pela família do jovem, que há oito anos deixou Piracicaba para viver em Matinhos, no Paraná.

“Apesar do diagnóstico tardio, desde o seu nascimento já sabia que algo era diferente nele. Primeiro houve uma alteração no teste do pezinho, e conforme ele crescia, outras particularidades do autismo ficaram mais evidentes, como a não interação social. Ele não era verbal até os três anos de idade, entre outras coisas”, relatou a mãe.

Silvana não pensou duas vezes em ajudar o filho com o sonho. Prestaram vestibular e passaram a seguir esta jornada juntos. Segundo ela, foram quatros anos lado a lado na sala de aula. “Fui com o objetivo de lutar por um mundo em que a inclusão não seja só um sonho. Sei bem os desafios enfrentados por um aluno de inclusão. Acompanhar o meu filho em uma nova etapa de sua vida, a tão sonhada universidade, e poder estar ao lado dele como colega de turma foi maravilhoso”, disse.

De acordo com a mãe, esta experiência foi essencial para o desenvolvimento de Lucas, que com o apoio dos professores e dos alunos, conseguiu superar as dificuldades. “Ele ganhou mais autonomia e confiança em si mesmo. Sem dúvida, a faculdade o ajudou tanto profissionalmente, inclusive já esta trabalhando e atuando como um arte-educador, como pessoalmente, pois ele está mais maduro e responsável”, relatou.

Lucas contou ainda que também sentiu esta evolução na sua comunicação social, por meio das aulas de teatro, música, dança e artes visuais. “Foi muito legal, conheci lugares e pessoas diferentes e que compartilhavam outros pensamentos. Fiz amigos, tive oportunidades profissionais com ilustrações e tive uma experiência muito legal em ter minha mãe como colega de turma”, disse.

Hoje, por intermédio da arte, Lucas gosta de retratar o tema inclusão social. Seu formato preferido de desenho é o mangá, inclusive, iniciará nos próximos dias a pós-graduação em alternativas para a nova educação. “Procuro conscientizar sobre as deficiências, preconceitos e discriminação, que é comum em nossos dias. Quero dizer para todas as pessoas que desejam fazer uma faculdade, que não tenham medo. Vão em frente, e se for preciso, tentem várias vezes. Não deixem que as pessoas digam o contrário, acreditem no seu sonho”, relatou.

(Jéssica Souza)