Piracicabano ganha bolsa para pesquisas no MIT

Caio Moretti passará um ano no Instituto que é referência mundial. O pesquisador passará um ano desenvolvendo sua pesquisa de computação aplicada (foto: Mariana Requena)

O MIT (Massachusetts Institute of Technology), nos Estados Unidos, é uma das universidades mais renomadas no mundo, responsável por diversas das pesquisas que originaram avanços na tecnologia, como o desenvolvimento do radar, e a confirmação da existência dos quarks, consideradas as menores partículas subatômicas.

Com uma invejável lista de ex-alunos, entre eles Kofi Annan, sétimo secretário-geral da ONU e ganhador do Nobel da Paz em 2001, e Buzz Aldrin, o segundo homem a pisar na Lua, o MIT atrai o olhar de jovens pesquisadores ao redor do mundo, e não foi diferente com Caio Benatti Moretti, 28, piracicabano que ganhou bolsa do instituto para desenvolver parte de seu doutorado em seus laboratórios.

O pesquisador, que embarca para os EUA no próximo dia 31 e passará um ano desenvolvendo sua pesquisa de computação aplicada à saúde com um dos grupos mais importantes e seletos na área, conta que a ideia para dar continuidade a seu projeto no MIT vem de alguns anos, quando conseguiu o contato do brasileiro Hermano Krebs, cientista do Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos do MIT. “Desenvolvo meu doutorado no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP de São Carlos, mesma universidade que fiz meu mestrado. É desde esse período, por volta de 2014, que meus planos com o MIT surgiram, quando tomei conhecimento de que meu orientador mantinha contato com um pesquisador do MIT”, relembra. “Comecei a publicar artigos e a enviar para o pesquisador, com a ideia de chamar sua atenção”. A pesquisa de Moretti consiste na análise de dados de pacientes que têm sequelas de AVC e fazem fisioterapia em membros superiores com o auxílio do robô InMotion ARM, criado por Krebs.

Os padrões contidos em informações coletadas pelo robô são analisados e, baseado na hipótese de que as consequências do AVC diminuirão, o jovem reúne dados que tentam provar os avanços fisioterápicos. Em uma das apresentações preliminares de seu doutorado, a qual Krebs assistiu por videoconferência, Caio apresentou a dificuldade de conseguir mais dados para o projeto no Brasil e o especialista disse que poderia fornecê-los nos EUA.

Além do convite do pesquisador do instituto, que garantiu a possibilidade de desenvolver a pesquisa do MIT de forma gratuita, Caio ainda precisava levantar fundos para viajar e se manter em outro país, então teve que se dedicar a conseguir mais um patrocínio, dessa vez pelo Programa de Bolsas da Fatesp.

O projeto passou e o sonho finalmente se concretiza. “Estou colhendo todos os frutos do meu esforço agora. É uma união disso com a sorte, não posso negar, levando em conta que é muito difícil fazer pesquisa no Brasil”, afirma. “Pretendo voltar para contribuir com a bagagem adquirida lá fora”.

Mariana Requena
mariana.requena@jpjornal.com.br