Piracicabano morre de doença transmitida por pombos

Foi enterrado ontem, no Cemitério da Vila Rezende, o corpo do caminhoneiro Wagner Costa Maia, de 44 anos. Ele morreu no dia anterior, na Santa Casa, após ser diagnosticado com neuro criptococose, doença provocada por um fungo transmitido por pombos. Ele era casado e tinha três filhos. 
 
Segundo o cabeleireiro Thiago Siqueira Maia, filho de Wagner, ele reclamava há quase um mês de fortes dores de cabeça. “Ele sentia muita dor na cabeça. Procurou o hospital várias vezes e os médicos acreditavam que era sinusite. Há alguns dias nós conseguimos a internação dele e, após muitos exames, foi constatado que ele tinha o fungo”, disse. 
 
A família não sabe como ele contraiu a doença, mas acredita que o trabalho dele pode ter contribuído para o contágio. “Ele era caminhoneiro e quanto não estava carregando e descarregando, descansava em um terreno baldio em São Paulo que tem muita sujeira. O médico disse que ele pode também ter pego o fungo pelo ar-condicionado do caminhão”, completou Thiago. 
 
A criptococose é transmitida por fungos encontradas nas fezes secas dos pombos e é considerada um risco para pacientes com deficiência imunológica. Após a infecção, o fungo pode se espalhar através da circulação sanguínea ou do sistema linfático.A doença é apontada por infectologistas como rara e de difícil tratamento, já que requer o uso prolongado de medicamentos. 
 
Os sintomas podem ser confundidos com os de uma meningite menos aguda, com dor de cabeça, vômito e febre. A doença também pode provocar tosse e falta de ar, também menos intensos, que vão piorando com o tempo. 
 
Não há registros de transmissão de animais para animais ou de animais para homens. A principal fonte de transmissão desta doença é a população de pombos. Dessa forma, o controle populacional das aves é apontada como a melhor estratégia de prevenção.
 
Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que a Vigilância Epidemiológica não foi comunicada sobre o caso porque a doença não é de notificação obrigatória. Também por conta disso, não há estatísticas sobre o número de casos em Piracicaba. Sobre o controle de pombos na cidade, a pasta informou que o CCZ (Centro de Controle de Zoonozes) só deve se manifestar.