PMs visitam adolescente que sonha em ser policial

Bastou uma ligação através do telefone 190 para que o dia do paciente Felipe Tsuyoshi, 15, mudasse, pelo menos, por alguns minutos. Internado há 30 dias após um surto, ele recebeu a visita da cabo Sueli Tavares e do soldado
Pedroso, da Polícia Militar, anteontem. A primeira atitude dele ao ver os policiais abrirem a porta foi fazer continência
e dizer: “um dia seria coronel deles”.
 
A mãe do garoto, a assessora de imprensa Adriana Regina Drika Maktub disse que o filho nasceu com uma síndrome
rara, conhecida como “citomegalo” que causa febre alta, refluxo, retardo mental e cegueira. “Minha luta tem sido
constante, vivo um dia de cada vez. Decidi ligar para a Polícia Militar e também para o Exército porque meu filho sempre acorda e fala a mesma frase: ‘liga para a polícia’. Ele sempre diz que quer ser um policial, por isso, decidi fazer seu pedido e fiquei imensamente feliz quando fui atendida. Sei que a polícia tem inúmeras funções, mas eles não podem imaginar como essa visita fez tão bem ao meu filho. Só posso deixar minha gratidão”, relatou a mãe.
 
Adriana entrou em contato com o Copom (Centro de Operações da Polícia) do CPI- 9 (Comando de Policiamento
do Interior). “Assim que recebemos o contato da mãe, repassamos o pedido especial que foi atendido com toda a
dedicação pela Polícia Militar”, comentou o chefe do Copom, tenente Frederico Augusto Marques de Faria.
 
A cabo Sueli disse que assim que abriu a porta do quarto foi recebida com um grande abraço. “Trabalho há alguns
anos com crianças e adolescentes. Sabemos da importância da aproximação da polícia com eles. No caso do Felipe foi diferente e para nós também serviu como mais uma grande lição de vida”, disse a cabo.
 
A policial comentou que mesmo diante da impossibilidade de Felipe um dia tornarse um policial de verdade, por
conta da deficiência, ela diz que um sonho será sempre um sonho. “Quantos adolescentes têm uma saúde perfeita,
muitas vezes estão em uma família estruturada e muitas vezes vão para caminhos errados e muitas vezes atribuem a
responsabilidade aos pais. Felipe, é diferente, é especial. Ele acredita no seu sonho. Nossa responsabilidade é aproximá -lo disso, ainda que seja por alguns minutos”, relatou a cabo.
 
A mãe do garoto disse que, após a visita, a rotina de Felipe mudou. “Antes ele acordava e perguntava da polícia, agora sempre que pode ele quer ir à recepção e pedir para ligar para a polícia”, disse Adriana.
 
 
TRATAMENTO—Adriana disse que a situação do filho não é simples, pois ele não pode ficar sozinho. “Soube
apenas de um único hospital psiquiátrico infantil no Brasil, mas ele é pago. Não tenho condições de pagar, pois trabalho como freelancer e já tive que abrir mão de dois trabalhos desde que meu filho foi internado”, relatou a mãe.
Ela tem a pretensão de fazer uma ONG para unir-se com as mães que sofrem com o mesmo problema. Quem quiser
saber um pouco mais sobre a luta do garoto pode adicioná -lo no Instagram @amigosdofelipetsuyoshi.