Polícia Militar e cães: parceiros na segurança

adoção Canilda PM conta com dez pastores belga de malinois. (Fotos: Claudinho Coradini/JP)

O Canil Setorial de Piracicaba possui, atualmente, dez cães em atividade e quatro aposentados. Com 25 receptores olfativos a mais que os seres humanos, os cães escolhidos para trabalhar com a Polícia Militar são da raça pastor belga de malinois. Eles executam missões como: faro de entorpecente, ajudam no policiamento e participam de apresentações de adestramento em escolas e entidades. As equipes fazem parte do 10º BPM/I (Batalhão da Polícia Militar do Interior).

“Além do fuzil, metralhadora, pistola e da viatura, nós temos o cão de faro ou de guarda para auxiliar o policial durante o patrulhamento. É uma ferramenta a mais que facilita o nosso trabalho e otimiza a utilização desse meio para a nossa profissão. Quanto maior o vínculo entre o cão e o condutor as chances de obter sucesso na busca é muito maior”, explica o sargento Mascellani.
Todos os cães do Canil Setorial, além do treinamento constante, também recebem cuidados como acompanhamento veterinário, abrigo em boas condições e limpos, além de receber a atenção de seu condutor, que também é responsável pela limpeza e alimentação.

O cabo Juliano faz parte da equipe há 11 anos. Para trabalhar ali, ele fez o curso de cinotecnia, que é a parte básica de adestramento de cães e também o curso de faro. Seu “cão-panheiro” de trabalho é o Iron, considerado um dos cães de destaque no canil. “Desde quando ele chegou tentamos criar esse vínculo, o treinamento fica muito mais fácil quando ele sente que pode confiar”, explicou.

Iron já participou de uma operação com os policiais civis da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) e ajudou na localização de drogas escondidas dentro de uma bexiga, em um galinheiro entre o Bosques do Lenheiro e Mário Dedini. “O cão procura partículas de drogas até encontrar a fonte de odor. Iron entrou no galinheiro e quando encontrou os entorpecentes sentou lá dentro. Fiquei muito orgulhoso dele, do nosso trabalho”, afirmou Juliano.

Além do empenho no adestramento, a eficiência de Iron está na genética. Ele é filho do Aruk, um dos cães mais completos que o plantel já teve. Ele conseguia assimilar os comandos para procura de droga e arma. Ao mesmo tempo em que tinha uma mordida potente para imobilizar o eventual abordado, bastava um comando para que permitisse a socialização com as crianças.

Devido à eficiência do uso dos cães nesse tipo de abordagem, o Canil de Piracicaba é considerado como referência na região e também tem sido solicitado para apoiar as ocorrências das polícias Rodoviária, Civil e Federal. As equipes auxiliaram os policiais do 48º BPM/I de Sumaré, que também faz parte do CPI-9 (Comando de Policiamento do Interior).

Cães aposentados ficam marcados na memória

Apesar de todos os cuidados e adestramento, os cães atuam na Polícia Militar pelo período máximo de oito anos. Depois, eles são “aposentados” e podem ser doados a seus condutores, que são os primeiros na preferência. De qualquer forma, a separação entre os condutores e seus cães não é uma tarefa fácil. Por muito pouco, Aruk, não pode ir para a casa de seu leal amigo e condutor há sete, dos seus oito anos de vida. O cabo Youssef Tannous Tanche Junior já tinha preparado sua casa para recebê-lo. Um agravamento de problemas respiratórios abreviou a vida do pastor belga de malinois. Ele foi sepultado em 12 de abril de 2018, no Cemitério dos Animais de Piracicaba. Aruk só não foi enterrado com honras militares, porque se trata de uma honraria concedida exclusivamente aos policiais que morrem em serviço, mas ele conseguiu o mais perto disso do que um cão poderia chegar.

Youssef tinha percebido que a saúde de seu amigo não era mais a mesma. Ele visitava o companheiro no Canil até nos dias de folga, na esperança de animá-lo, mas o cão não resistiu. “Acreditei que a minha presença o faria melhorar. Antes da sua morte fui visitá-lo, conversei com ele pedi que ele aguentasse um pouco mais, que em breve ele iria embora comigo. Quando recebi a notícia que ele não tinha aguentado fiquei desolado. Foi muito difícil pegar ele, enrolar na toalha e colocar na viatura”, lembrou Youssef, emocionado. Aruk também está marcado no coração e no corpo do policial, que fez uma tatuagem em sua homenagem.

O cabo Juliano também teve que superar a separação de seu antigo parceiro Dragon, aposentado no final do ano passado. “Dragon foi um dos melhores cães de faro que já passaram pelo CPI-9. Nossa relação de amizade era muito grande, inexplicável. No trato comigo, ele era sempre alegre”, lembrou.

Juliano lamenta não ter ficado com o cão após a sua aposentadoria. ‘Não pude adotá-lo porque moro em apartamento e não há espaço suficiente. Então ele foi doado para nosso médico veterinário. Na época que se aposentou não quis fazer uma cerimônia para não alertar que estávamos sem um cão de faro, mas agora chegou o momento de eu fazer essa homanagem para ele” completou Juliano.

Para o policial, a separação é consolada pelo fato de ter certeza que Dragon está sendo bem cuidado.

(Raquel Soares)