Policiais que mataram jovem no Cecap terão novo julgamento,determina TJ

O TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo) determinou esta semana que sejam julgados, de novo, dois PMs (Policiais Militares) acusados de matar o jovem Henrique Arnaldi, de 18 anos, durante uma blitz no bairro Cecap, em 2008. Os desembargadores anularam a decisão do tribunal do júri de Piracicaba que, em maio do ano passado, condenaram um agente a seis anos de prisão em regime semiaberto e absolveram o outro.
 
A decisão atende a um pedido do MP (Ministério Público), que considerou a decisão dos jurados “contrária às provas”. ‘Assim, diante do cenário revelado nos autos, com teses coincidentes para os dois acusados, cada um deles admitindo ter efetuado dois disparos na direção da vítima, atingida por três projéteis, os jurados poderiam ter condenado os dois réus, absolvido ambos por legítima defesa ou absolvido a dupla por clemência. A solução dada à causa, com a condenação de um dos policiais e a absolvição de outro revela contradição que vicia o julgamento’, apontou o relator do caso no tribunal, desembargador Nilson Xavier de Souza.
 
Arnaldi foi morto com três tiros nas costas por, supostamente, desobedecer à ordem de parada. Os servidores alegaram ter ouvido dois disparos antes de revidar. Durante o registro da ocorrência, eles apresentaram um revólver calibre 38 que teria sido encontrado ao lado da moto da vítima durante o resgate. O laudo do Instituto de Criminalística, no entanto, constatou que não havia resíduos de pólvora nas mãos da vítima nem digitais dela na arma.
 
Testemunhas ouvidas durante o processo alegaram que Arnaldi estava com as duas mãos no guidão da moto e não viu a ordem de parada da PM por ter se distraído com amigas que estavam na avenida.
 
Os dois policiais respondem ao processo em liberdade e seguem trabalhando. Em processo administrativo realizado pela Corregedoria da PM, eles foram absolvidos. Com isso, só devem perder o cargo se houver condenação judicial.
 
Além de pedir a anulação do julgamento, o promotor de Justiça responsável pelo caso, Aluísio Nunes Maciel Neto, ainda considerou a pena aplicada ao policial condenado inadequada. “As circunstâncias do crime são graves. Ficou provado que a vítima não atirou. Era um rapaz trabalhador e sem passagem policial. E tem o fato de, por ser da PM, ele tinha o dever de preservar a vida”, afirmou o representante do MP na época do primeiro julgamento. 
 
O advogado do policial absolvido, José Jaílson dos Passos, não quis comentar a decisão do TJ-SP. Já o defensor do PM condenado, Clauder Correa Marino, não retornou os contatos feitos pela reportagem em seu escritório.
 
O pai de Henrique — que pediu para não ser identificado — disse que não acompanha mais o processo. Eles deixaram o bairro onde o crime ocorreu. “Já faz algum tempo que eu não falo com o advogado. Acho que é muito sofrimento. Tomamos a decisão de não acompanhar. O que tiver de acontecer, vai acontecer”, afirmou.