Policial Civil em tempo integral

Apaixonado pela profissão, delegado coordena corporação em 11 cidades da região de Piracicaba. (Foto: Amanda Vieira/JP)

O que era apenas um sonho de criança, tornou-se realidade. Américo Sidnei Rissato conseguiu ser aprovado para o concurso para delegado de polícia. Após trabalhar em várias cidades da região, Rissato adotou Piracicaba e hoje atua na Delegia Seccional, que atende o total de 11 municípios da região.

Para ele, a família vem em primeiro lugar, depois a família, depois o trabalho e na sequência a religião. Considera que o ser humano não pode se descuidar de sua relação com Deus. O elo deve e tem que ser mantido sob pena de desmoronar tudo.

Conheça um pouco mais sobre o delegado Seccional de Piracicaba, no Persona deste domingo:

Qual referência que o senhor tem dos seus pais?

Bom, para falar dos meus pais, tenho que me conter pois sou um fã sem medida e fico muito emocionado. O meu heroi tem a estatura de um gigante! Você acredita que nunca vi meu pai reclamar da vida? Hoje, com seus 87 anos , com o Mal de Parkinson que judia muito dele, o homem não desanima e não deixa se abater. Na medida do possível, mantém sua rotina. Se nega terminantemente a ceder para a doença e levanta todos os dias às 6 horas da manhã, às vezes se apoiando na minha mãe, outras no andador, mas não reclama de nada, ao contrário, encara tudo com naturalidade e muita sabedoria. O certo é que ele sempre teve uma vida dura e isso faz parte da sua personalidade. O admiro muito e me espelho nele, nesse “italianão” teimoso, como costuma falar. Minha mãe, espanhola de 82 anos de idade, é uma mulher de fibra, daquelas que não tem tempo ruim, encara tudo com muita determinação. Mulher aguerrida, principalmente quando se trata de “proteger” a família. Cuida, sozinha, dos afazeres da casa e do meu pai. Tento seguir o exemplo deles e quando começo a desanimar, quer seja por problemas no trabalho ou na vida particular ou familiar, logo penso neles e de imediato me fortaleço. Tenho cinco irmãos e um deles, João Luiz Rissato, também exerce a profissão de delegado de polícia.

O que representa a família para o senhor?

A família é a base de tudo é meu porto seguro é na família e \ partir dela que somos o que somos na sociedade. O reflexo da educação que temos no seio familiar, quer seja por palavras. mas principalmente pelos exemplos é o que formam o nosso caráter. Vale a máxima, a família educa e a escola ensina. Quando a família desagrega, a consequência é desastrosa para a sociedade como um todo. Costumo dizer, em primeiro lugar vem a família, depois o trabalho e na sequencia a religião. O ser humano não pode se descuidar de sua relação com Deus. O elo deve e tem que ser mantido sob pena de desmoronar tudo. Não devemos confundir Deus com religião. Deus vem em primeiro lugar na nossa vida.

Onde o senhor já estudou?

Comecei meus estudos em escolas públicas na minha querida Mogi Mirim. Na sequência, me graduei em Direito na Fadesp em Pinhal. Fiz pós-graduação na Universidade São Francisco onde me especializei em Direito Penal e Direito Processual Penal. Na sequência, especializei-me em Direitos Humanos e Segurança Pública no Brasil em curso de pós graduação na Academia da Polícia Civil de São Paulo, onde conclui também o CSP (Curso Superior de Polícia).

Quais as profissões que já teve?

Nossa! difícil dizer, mas vamos lá: recordando, quando menino ainda, (menor não só podia como devia trabalhar naquela época) sorveteiro, na tradicional sorveteria do Genaro em Mogi Mirim (hoje não existe mais) depois, chapeiro (fazia lanches), carpinteiro, aprendiz de barbeiro (vontade do meu pai), ajudante de mecânico, motorista de caminhão em depósito de bebidas, motorista e entregador em papelaria e materiais de escritório, vendedor de máquinas de escrever, estoquista de papelão, auxiliar de escritório na Champion papel e Celulose, por 11 anos, por fim advogado e atualmente delegado de Polícia. Ah, ia esquecendo, instrutor de Auto Escola por muito tempo.

Como decidiu ser delegado?

Desde menino, sonhava ser policial. Na verdade, creio que seja o sonho de muitos meninos e meninas. O certo é que quando crescem, o sonho geralmente “passa”, mas comigo não foi exatamente assim. Na realidade o meu sonho de ser policial só aumentou. Eu lembro que escrevia cartas para os delegados de polícia, em especial aos da Academia de Polícia, perguntando o que eu precisava fazer para ser um deles.

Meu pai, por sua vez, insistia que eu fosse barbeiro, como já disse. Enfim, pra resumir, não desisti do meu sonho e aqui estou. Eu continuo sonhando, só que agora, com uma Polícia Civil mais valorizada e respeitada pelos nossos governantes e consequentemente pela sociedade. É por isso que continuo minha luta.

Onde já trabalhou?

Como delegado de polícia, trabalhei em Campinas, Euclides da Cunha Paulista, Teodoro Sampaio, Rosana, Mogi Mirim, Artur Nogueira, Americana, Cosmópolis, Sumaré, São Paulo e atualmente Piracicaba.

Qual a sua referência com Piracicaba?

Eu nem imaginava que um dia trabalharia nesta cidade grande. Isso mesmo! Era assim que eu via e ainda vejo Piracicaba. As poucas vezes que vinha diligenciar aqui, quando trabalhava em outras cidades, lembro que era muito difícil localizar os endereços que precisava, até porque o GPS, quando tinha, era ainda, incompleto e a internet móvel, nem se fale. Usávamos um mapa (fornecido pela Polícia Civil) Enfim, eu via uma cidade muito grande! Hoje porém, a vejo grande não só populacional e geograficamente como também enorme em cultura, organização, limpeza, enfim uma cidade maravilhosa com um povo acolhedor. Aqui fiz muitos amigos. É uma cidade fácil da gente amar. Hoje entendo muito bem o maravilhoso Hino de Piracicaba.

Quais são seus planos para o futuro?

Espero ter saúde e disposição para continuar trabalhando na Polícia Civil que é o que eu mais amo fazer na vida, até quando Deus permitir e à administração superior assim entender. Continuo pronto para servir a minha instituição onde preciso for. Que assim seja e . amém. No demais, o futuro à Deus pertence.

O que gosta de fazer em seu tempo de folga?

Ocupo meu tempo de folga com a família. Sou um homem muito caseiro, amo minha casa e adoro um chinelo! Não resisto à um bom filme, à um joguinho de tranca, buraco ou ainda cacheta. Ah, adoro cozinhar! De preferência pra bastante gente. Não tem nada melhor que a casa cheia, mesa farta e barulho de crianças brincando. Pronto! Ia me esquecendo também dos meus cachorros e gatos rs. Tudo misturado. Amo muito isso. Detesto estradas movimentadas. Pra que isso?

Gosta de cinema ou livros?

Amo cinema, de preferência em casa. Quanto aos livros, aprecio uma boa leitura, desde que seja prazerosa. Se nas primeiras dez páginas, der sono, ele volta para a prateleira e lá fica.

Quais seus autores favoritos?

Não tenho favoritos não! Na verdade nunca pensei nisso. Tem alguns livros que marcaram.Vou citar aqui ‘Ética a NiCômaco’, de Aristóteles, bem como ‘Contemporâneo’ e

‘Ética e vergonha na cara, Política para não ser idiota’, ambos de Mário Sérgio Cortella.Gosto muito também do autor Leandro Karnal, dentre outros. No mais, continuo lendo muitos doutrinadores do Direito, mas nada melhor que os antigos, tem muita bobagem nova por aí.

Que tipo de filme prefere?

Sou bem eclético, prefiro filmes de ação, mas acompanho minha esposa num bom romance. Quer saber, com direito a choro no final. Alguns, a choradeira é do começo ao fim como no filme ‘A Cidade dos Anjos’.

O que lhe incomoda?

Então vamos falar daquilo que me incomoda muito. Por exemplo, Reforma da Previdência, que não respeita o povo, que é o maior patrimônio que um país pode ter. Uma “coisa” preparada por técnicos que só falam a língua dos números. Fica a mensagem, quem sabe entendam! Mas duvido.

Cristiani Azanha

[email protected]