Políticas públicas com base científica

Não é novidade que nosso país não tem histórico de políticas públicas efetivas e bem-sucedidas. Basta observar os problemas que nos acompanham e persistem há décadas, se não há séculos. Baixos níveis em desempenho econômico, educação, saúde, atividade industrial, elevado desemprego, corrupção, criminalidade e deficiência na segurança pública, falhas nas políticas ambientais, no abastecimento de água e tratamento de esgoto: esses são alguns dos problemas que aborrecem constantemente os brasileiros.

Os políticos têm grande responsabilidade nos resultados negativos. Muitos políticos são mal-intencionados e ingressam na política para corromper, desviar recursos, locupletar-se ou ainda para exercer o poder de forma arbitrária, envaidecendo-se e almejando apenas a continuidade e a manutenção da própria influência. Outros, mesmo sendo políticos bem-intencionados, não se prepararam de maneira adequada para o melhor exercício de suas atribuições, exercendo suas funções públicas sem o conhecimento técnico necessário e sem a fundamentação adequada para as tomadas de decisões que influenciarão o bem-estar de milhares de pessoas.

Uma minoria dos políticos brasileiros é bem-intencionada e possui formação e preparo técnico pertinentes para implementar políticas públicas eficientes a fim de transformar e desenvolver a sociedade. Evidentemente, se os políticos bem-intencionados e bem preparados fossem a maioria, o Brasil certamente já seria um país desenvolvido.

A concepção e a implementação de políticas públicas eficazes dependem de estudo e análise cuidadosa dos problemas enfrentados no mundo real. É o que demonstraram os três professores que ganharam o Prêmio Nobel de Economia deste ano, o indiano Abhijit Banerjee, a francesa Esther Duflo e o americano Michael Kremer, que realizaram trabalhos para avaliar políticas públicas que melhor promovem o desenvolvimento nas áreas da educação, saúde, agricultura e programas de microcrédito.

Os premiados realizaram pesquisas que avaliaram métodos para desenvolver programas de reforço escolar, de prevenção de doenças e de redução da pobreza. Destaca-se o trabalho realizado sobre como oferecer incentivos aos professores, para que crianças alcancem melhor desempenho em sala de aula e no processo educacional. É muito extensa a lista de estudos dos autores que avaliaram as melhores formas de se criar e aplicar políticas públicas.

Todo esse conhecimento que examina as melhores práticas de políticas públicas em países em desenvolvimento precisa ser cautelosamente estudado e aplicado por políticos e governantes sérios que desejem pavimentar as bases para mudanças relevantes em seus municípios. O melhor conhecimento científico está disponível e acessível para aqueles que, de fato, querem se dedicar ao aprimoramento das condições de vida de todas as pessoas.

Tal conhecimento, que é ensinado nas melhores universidades internacionais, é precisamente o que falta para a maioria dos políticos brasileiros. Fazer boa política não é simplesmente conseguir votos e dar tapinha nas costas dos eleitores. É zelar para aplicar o melhor conhecimento científico disponível para viabilizar mudanças que promoverão o bem-estar de toda a população.