Políticos da cidade analisam a situação do ex-presidente Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não havia se entregado à Polícia Federal dentro do prazo determinado pelo juiz federal Sérgio Moro, até às 17h de sexta-feira. O comportamento do ex-presidente e as repercussões no cenário político foram avaliados por correligionários e adversários. Moro determinou a prisão depois que o STF (Supremo Tribunal Federal) rejeitou o habeas corpus para permanecer em liberdade. Lula foi condenado em segunda instância no caso do triplex em Guarujá (SP) no dia 24 de janeiro deste ano. A 8ª Turma do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) aumentou a pena para 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de corrupção e lavagam de dinheiro – com início em regime fechado.
 
“No meu ponto de vista, o julgamento do TRF-4 em não considerar as provas em favor do ex-presidente e o STF não ter acatado a presunção de inocência foi injusto. Além disso, o juiz Moro ter pedido a prisão do Lula sem ter saído a publicação do acórdão é duvidoso, já que ele tem direito, ainda, a pelo menos mais dois embargos. A postura do juiz não é correta”, disse a presidente da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha, a Bebel.
 
“Tem muita gente aqui, cerca de 30 mil pessoas. Elas não estão aqui para defender somente o Lula e o PT, elas lutam pela democracia e pelo movimento de esquerda do Brasil. A intenção de prender o Lula, da forma como está sendo feita, é a forma que a direita teve de tentar fechar com chave de ouro o golpe que começou com a presidente Dilma”, afirmou o secretário geral do PT de Piracicaba, Ronaldo Almeida.
 
O presidente do diretório do PSDB, Camilo Antonio Barioni, minimizou o impacto da prisão de Lula no atual cenário político. “O Lula é uma liderança consolidada no Brasil. Isso é inegavável. Entretanto, vem se desgastando há bastante tempo. O impacto da prisão dele no cenário não é de grande importância agora, ninguém é candidato ainda. Era o único que estava em campanha e refletia na pesquisa, mas nenhum outro partido lançou candidato. Esse cenário de hoje tende a se modificar, não em função da prisão, mas pelas candidaturas que serão postas no debate”, afirmou Barioni.
 
“Independente das particularidades desta prisão, cuja a forma muito me preocupa pelo precedente que abre ao permitir a prisão antes do julgamento transitar em julgado e na segunda instância. Certamente seu corpo jurídico tem caminhos para atuar e precisa continuar respeitando a Justiça. Toda a corrupção tem que ser banida da vida pública. Se as provas forem contundentes contra qualquer um é preciso que a Justiça seja eficaz no sentido de não permitir a impunidade, sem contudo passar por cima dos direitos à defesa do cidadão”, disse o presidente da Câmara, Matheus Erler (PTB).
 
“Se está condenado, tem que se entregar. O Moro já deu algumas regalias, sem sair algemado, ficar na cela sozinho, banheiro privativo, banho de sol, visita. Eu entendo o seguinte: o grande chefe da quadrilha brasileira vai ser preso. Tem que fazer isso para moralizar a política brasileira”, afirmou o deputado estadual Roberto Morais (PPS).