Por que é difícil mudar?

Junior Ometto

O que é mais fácil mudar: uma crença ou um comportamento? Você já se perguntou por que sabota a si mesmo ou entende por que anda tão estressado, ansioso, deprimido, autocrítico ou acomodado? Por que para algumas pessoas é tão difícil mudar? E vamos além, por que muitas vezes temos a certeza de que algo é bom para nós, mas não conseguimos fazer isso acontecer? E as incoerências? Acreditar em algo pressupõe viver o que acredita e, enquanto as pedras vão sendo atiradas, esse paradoxo interior vai destruindo as mentes.

Já não sou mais tão adepto às datas como eu era antigamente. O tempo vai ensinando que a intensidade de cada momento está acima delas. Crenças e comportamentos são difíceis de serem alterados, entretanto, comportamentos são mais ainda. Explico: se existe algo a mudar ou a melhorar, isso deve acontecer agora! Um clássico exemplo disso são as “metas” estipuladas para todo “ano novo”, onde “anos novos” acumulam “velhas frustrações”, aniquilando inconscientemente um dos tesouros que nós, seres humanos, precisamos para nos desenvolver e evoluir: a motivação. Somos ótimos em “crer” que mudaremos (um dia), e até nos prometemos isso (com prazos) mas, na verdade, não “mudamos” de fato, agora.

Uma perigosa comodidade – também chamada de zona de conforto – bloqueia a liberdade que geraria a felicidade de muita gente. O receio de dizer não, a culpa, a fuga de uma decisão ou de um desafio que poderia mudar sua vida… A sinceridade que faltou… A mania de querer controlar o que não está no seu controle… A manutenção de comportamentos e vícios que claramente não trazem benefícios… A preocupação com que os outros vão pensar ou até a carência pela falta de um “like” numa rede social… O receio ou até o orgulho de não procurar ajuda.

Mudanças! Metas que se perdem na atmosfera bloqueada das pessoas. Não é à toa que a maioria não se realiza, por um só motivo: o foco está nas folhas. Qualquer mudança só se realiza se começar da raiz, num trabalho isento de expectativas imediatistas. Uma das técnicas de grande sucesso que mais oriento nas minhas consultorias é o que chamamos de “gatilho”, poderosa ferramenta que auxilia no processo de mudança.

Precisamos nos reconciliar com a criança interior que há dentro de nós. Em inúmeros casos, o peso real não está no que a balança mostra, mas no peso da alma. A felicidade não está no carro ou na casa que se pretende comprar, mas no contato mais próximo com seu filho, na reconciliação com um amigo ou um familiar. O sucesso não está nas viagens que fará, mas no encontro consigo mesmo, que talvez até hoje não aconteceu. A busca da beleza física não trará resultados na sua vida se seu interior não estiver bem resolvido, e essa é uma das grandes verdades que as pessoas não entendem. E se sabotam, pois, para evitar a dor ou a verdadeira liberdade, tentam ignorar a voz da criança interior, mas ela nunca irá embora e é exatamente esse descompasso que está gerando tanto problema emocional e infelicidade no mundo de hoje.

Não se prenda na sua própria versão da realidade ou na dos outros. Por que continuar vendo o mundo na mesma perspectiva? Do que você realmente precisa? Quem realmente é você?
Renunciar ao que te limita, escraviza ou diminui fará você encontrar uma riqueza de informações sobre si mesmo nas dificuldades, oportunidades e desafios que a vida proporciona.
Existe um vencedor dentro de você. Sua criança interior está bem viva e pede espaço! Então, não espere. Permita!