Preço do etanol pode variar até 15% na cidade, aponta pesquisa da ANP

O preço do litro do etanol teve uma variação de até 14,72% entre os postos de combustíveis em Piracicaba na última semana. Essa é a diferença entre o menor preço praticado na cidade, de R$ 2,649, e o maior, R$ 3,039. Já o preço da gasolina variou 13,16%, decorrente do menor preço praticado, R$ 3,799, e do maior, R$ 4,299. Foi o que apontou pesquisa feita pela ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocumbustíveis) válida para o período de 21 a 27 de janeiro. A pesquisa foi feita em 19 postos no último dia 24.
 
A Petrobras mudou a política no início de julho de 2017 nas refinarias. Desde então, o preço da gasolina tem sido alterado de um dia para o outro. A intenção era repassar com maior frequências as flutuações do câmbio e do petróleo, seguindo as flutuações do mercado internacional.
 
Segundo a pesquisadora Ivelise Bragato, do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultora Luiz de Queiroz), a variação de preços entre os postos está condicionada ao repasse dos aumentos pelas distribuidoras e pelas usinas e pelos custos com energia elétrica, consumo de água, folha de pagamento, obrigações trabalhistas e fiscais. A oscilação varia entre o posto com bandeira branca e de marca.
 
Uma das causas do aumento do etanol é a entrada da entressafra da cana-de-açúcar — a safra vai de abril a dezembro. O aumento está atrelado entre a oferta e a procura. Compensa abastecer com etanol quando a diferença é de R$ 1,00 em relação à gasolina. “O etanol no Estado de São Paulo é mais vantajoso do que a gasolina. Mesmo com as oscilações, e com o aumento do preço nas usinas, na bomba é mais vantajoso para o consumidor”, explicou a pesquisadora. Na última semana, o preço da gasolina também ficou estável, depois de 18 semanas de altas consecutivas.
 
 
DRIBLANDO — O fato é que os aumentos pesam no bolso do consumidor, que tenta driblar a escalada de preços. O padeiro Cristiano Gustavo da Silva, 33, por exemplo, vai ao trabalho de moto, por ser mais econômica, e só tira o carro da garagem no fim de semana para passear com a família. Além disso, abastece o carro com etanol.
 
O fotógrafo Maurício Bento, 39, estuda a rota que vai fazer. Ontem, por exemplo, deixou o carro na rodoviária de Piracicaba e foi de ônibus até São Paulo. Gastou R$ 108 entre passagem e metrô. Se fosse de carro gastaria o dobro, porque teria de abastecer, pagar R$ 70 de pedágio e mais R$ 30 para deixar o carro em estacionamento.