Prefeitura derruba dois barracos em área verde no Jardim Glória

Moradora diz que além da família dela, há mais três famílias residindo em quatro barracos (Crédito: Regiane Donato)

Na manhã dessa terça-feira (29), a prefeitura fez uma ação no Jardim Glória para remoção de barracos construídos em área verde. Segundo o CCS (Centro de Comunicação Social) da prefeitura, somente as estacas armadas para conclusão dos barracos foram derrubadas e que duas famílias morariam em outros barracos. Regiane Cristina de Souza Donato, 23, que mora com o marido e mais dois filhos na área verde invadida, diz que além da família dela, há mais três famílias residindo em quatro barracos. “Não temos para onde ir e a equipe da Emdhap que esteve aqui derrubando os barracos, nos deu até domingo (3) para deixarmos o local”, lamenta Regiane Cristina.

A opção de levantar um barraco na área verde, conta a dona de casa, aconteceu sete meses atrás, pelo desemprego do marido, atraso nos pagamentos de aluguéis, despejo da casa onde residiam e falta de local de moradia. “Meu marido está há três meses empregado, é auxiliar de limpeza, ganha R$ 1.100 e tem que pagar pensão para outro filho. Temos despesas com mais dois filhos, uma menina de 5 anos e um menino de 7 meses”, justifica.

O barraco erguido por Regiane Cristina e o marido, feito de tábuas de guarda-roupas e ripas de madeira, tem dois cômodos: uma cozinha com chão de terra e o quarto, com chão cimentado onde dormem as quatro pessoas. “Não temos banheiro e usamos da casa da avó do meu marido, que fica uns quatro quarteirões do barraco. Mas não temos como morar lá, porque já moram 12 pessoas numa casa de quatro cômodos”, detalha.

 

PREFEITURA

De acordo com o CCS, a Emdhap (Empresa Municipal de Desenvolvimento Habitacional de Piracicaba) apenas acompanhou a ação na área verde, não sendo de competência dela a derrubada dos barracos. “Somente duas famílias estão residindo nos barracos e outras duas que possuem alguns pertences, porém não residem, segundo informações dos próprios moradores do local”.

A assessoria destaca que as famílias foram informadas que até segunda-feira (4), deverão desocupar a área, “tendo em vista a alta incidência de risco. Deverão retornar para sua moradia de origem. A Emdhap apenas cadastrou-as, sendo que não é possível alocá-las em nenhum empreendimento, já que não tem imóveis disponíveis”.

(Eliana Teixeira)