Prefeitura vai digitalizar os exames de raio-x na rede pública

Recurso de R$ 1,7 milhão para a modernização virá do Ministério Público do Trabalho da 15ª Região. (Foto: Divulgação)

A Prefeitura de Piracicaba recebeu R$ 1,780 milhão do Ministério Público do Trabalho da 15ª Região (MPT-15), oriundo de ações civis públicas. Esse recurso será investido na digitalização do Sistema de Raio-X da Rede Municipal de Saúde, o que envolve as UPAs (prontos-socorros) e a Central de Ortopedia e Traumatologia (COT).

O acordo foi firmado na semana passada, em audiência em Campinas, com a presença de Alvamari Cassillo Tabet, procuradora MPT-15, do secretário de Saúde de Piracicaba, Pedro Mello e da coordenadora do Centro de Referência de Saúde do Trabalhador (Cerest Piracicaba), Clarice Aparecida Bragantini.

Com o recurso, a Secretaria de Saúde implantará o Sistema de Raio-X Digital, aprimorando a qualidade dos exames com alta resolutividade das imagens, menor carga de radiação para os operadores, bem como menores danos ao meio ambiente. Além isso, o município vai economizar cerca de R$ 350 mil/ano, deixando de comprar componentes que se tornarão desnecessários, como filmes, reveladores e fixadores. As unidades de emergência registram, em média, 130 mil raios-x/ano.

Pedro Mello explicou que a tecnologia aplicada no diagnóstico por raio-X vai tornar a rede mais eficiente. “Além da digitalização, com monitores para laudos, computadores e softwares, a nova tecnologia permitirá a implantação de um sistema de laudo à distância, o que dará muito mais agilidade e assertividade ao trabalho de diagnóstico, encurtando assim o tempo de espera até o início do tratamento do paciente. Com o laudo à distância, um profissional, especializado na leitura da imagem, via internet, poderá colaborar no entendimento dos casos mais complexos e na definição da melhor conduta médica”, disse.

AMIANTO

Além da digitalização dos raios-x, a Secretaria, pelo acordo, terá por missão, no Programa de Monitoramento Regional de Doenças Respiratórias Relacionadas ao Trabalho, a busca ativa de profissionais expostos ao amianto, monitoramento e criação de um fluxo para o tratamento desses trabalhadores na área de abrangência, adoção de medidas para assegurar o atendimento médico, tornando disponíveis informações sobre agravos à saúde no setor relacionado ao trabalho e orientar ações que fortaleçam práticas de educação permanente dos trabalhadores. A responsabilidade do programa será do Cerest Piracicaba.

O recurso é uma contrapartida ao município pelo desenvolvimento, em Piracicaba, de um Programa de Monitoramento Regional de Doenças Respiratórias Relacionadas ao Trabalho para acompanhar trabalhadores de Piracicaba, Capivari, Elias Fausto, Rafard e Rio das Pedras expostos ao amianto nas indústrias do setor.

A fibra do amianto pode causar problemas à saúde ao ser aspirada ou ingerida. Trabalhadores da indústria do amianto ou de mineradoras estão expostos a concentrações mais altas e costumam desenvolver asbestose, doença em que as fibras de produto absorvido se aprofundam no pulmão, causando danos ao sistema respiratório.

Para isso, o município terá ainda que estimular, fortalecer e qualificar profissionais da Atenção Básica, Vigilância Epidemiológica (VE) e Vigilância Sanitária (VISA), bem como formar médicos para aprimorar o diagnóstico de doenças relativas ao amianto e à sílica. Esse trabalho contará com o apoio da Unicamp e do próprio MPT-15.

Da Redação