Preparado para novos desafios

persona Parlamentar conhece todos os trâmites do Legislativo e disse estar preparado para comandar a Casa de Leis. Foto: Claudinho Coradini/JP.

Em seu segundo mandato, o vereador Gilmar Rotta (MDB), tenta agora ser o presidente da Câmara de Vereadores de Piracicaba. O piracicabano de 52 anos é filho de Diva Vazatti e José Antônio Rotta (já falecido), casado com Andreia Gomes Carvalho e pai de Felipe de Carvalho Rotta, de 18 anos. Graduado em matemática e física pela Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) e pós-graduado em gestão pública pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), ele atua como funcionário da Casa de Leis desde 1989, onde começou como auxiliar administrativo do Cedecom (Centro de Defesa do Consumidor). Depois passou a assistente administrativo e legislativo, chefe de CPD (Centro de Processamento de Dados), onde acompanhou toda a implantação de informatização do Legislativo, chefe de gabinete e da presidência. Na Prefeitura de Piracicaba, Rotta atuou como chefe de gabinete da Secretaria de Saúde.
Rotta também é músico, profissão que exerceu por muito tempo e passou por bandas como a Opus e a Themplus. Ele classifica o período como um tempo inesquecível, quando fez boa parte dos amigos que mantém até hoje. A música ainda faz parte da vida do vereador que a mantém como hobby, prova disso é dirigir a Corporação Musical União Operária de Piracicaba, que acaba de completar 112 anos de fundação.

Qual a sua trajetória no poder público?
Em 1989 comecei a trabalhar na Câmara de Vereadores como assistente administrativo. Eu tinha 23 anos, e aquela oportunidade fez com que eu me interessasse pela vida pública, pelo ambiente político. Eu atuava no antigo Cedecom (Centro de Defesa do Consumidor), o que me deu também a oportunidade de atender as pessoas, resolver problemas, buscar soluções. Ainda na Câmara, fui assistente administrativo e assistente legislativo e pude conhecer todos os setores da Casa de Leis responsáveis pelo seu funcionamento, tendo contato com grandes nomes da política piracicabana e que ganharam destaque no cenário estadual e federal.

Uma experiência marcante daquele tempo foi que participei de toda implantação do sistema de informatização da Câmara, como chefe do CPD. E por fim assessorei vereadores e a presidência, e tenho certeza que tudo isso foi essencial para que eu pudesse desenvolver hoje meu trabalho com mais clareza, com menos chances de erros. Depois deste período na Câmara, fui chefe de gabinete do secretário municipal de Saúde (João Pauli, na época) e então me identifiquei muito com a área. Sempre gostei de desafios e a área da saúde proporciona muitos, mas o maior deles é buscar colaborar com o Executivo na busca de soluções. Nossa cidade investe muito mais do que a legislação exige em saúde e somente a somatória de trabalho pode levar à população condições melhores. Depois desta experiência, voltei a assessorar o antigo vereador Pira, que faleceu durante seu mandato e, então, entendi que seria o momento de trilhar minha própria trajetória política.

Em qual mandato de vereador o senhor está?
Graças a Deus, em 2012, fui eleito para primeiro mandato pelo apoio e trabalho de muitas pessoas que confiaram em mim e reeleito em 2016.

Quais as principais linhas de atuação que o senhor destaca como mais importantes em sua trajetória na Casa?
Há vários projetos aprovados nas áreas da saúde, do meio ambiente, mas não podemos só ficar na formatação de elaboração de projetos de lei. Nessa trajetória política, atuamos diretamente para muitas ações, como a construção de um prédio novo para o USF (Unidade de Saúde da Família) do bairro Eldorado, a instalação de uma Unidade Básica de Saúde no bairro da Paulista, a conquista, junto ao deputado federal Arnaldo Jardim, Baleia Rossi e à senadora Marta Suplicy, de emendas parlamentares para a nossa cidade, cujos valores repassados foram investidos em saúde pública e equipamentos para a zona rural. Também trabalhamos muito para a conquista, juntamente com o secretário de Saúde Pedro Mello, e o apoio fundamental dos demais vereadores, do aumento do teto hospitalar do SUS (Sistema Único de Saúde) no ano de 2017 em quase R$ 10 milhões, da vinda de ambulâncias novas para o Samu (Serviço Móvel de Urgência e Emergência). Importante lembrar que, quando estava na Secretaria de Saúde, tivemos uma participação atuante na construção do Samu em nossa cidade, no ano de 2004, e do início da informatização da Secretaria de Saúde, enfim, são várias ações como vereador que contribuíram para benefícios para a cidade e que não estão, necessariamente, registradas em projetos de lei.

O que faz uma pessoa dedicar-se exclusivamente à vida pública?
Acho que é poder estar mais perto da população, dar atenção às pessoas, poder fiscalizar o atendimento público, as obras no dia a dia e encontrar caminhos que se aproximem as necessidades da cidade às realizações públicas. É poder fazer do seu ofício uma missão, servir as pessoas, servir Piracicaba que é uma cidade incrível, de um povo com tradições maravilhosas e que merece nosso trabalho. Toda minha formação nesse sentido foi para estar preparado para este atendimento e não decepcionar as pessoas. Tenho certeza que escolhi o melhor caminho para minha vida porque acredito na boa política, na política que constrói e não tira das pessoas sonhos, pelo contrário, ajuda a construi-los.

Sua atuação como vereador tem estreita relação com a vida rural?
Sim. Meu trabalho como vereador iniciou-se na zona rural de nossa cidade até por força da minha relação familiar, pois minha esposa, Andréia Rotta, é de Ibitiruna, zona rural de Piracicaba. É nessa área onde os serviços públicos têm grande dificuldade em chegar e, pela simplicidade das pessoas, há uma dificuldade maior em se fazerem ouvir. Temos que sempre levar as reivindicações dos moradores e trabalhadores para dentro da prefeitura e fazer gestões junto ao prefeito e secretários para que assim, possamos dar uma melhor qualidade de vida àqueles moradores. Tivemos muitos avanços na zona rural, posso dizer que o Executivo tem olhado com mais atenção e dado essa qualidade de vida que essa parcela da população também precisa.

A saúde é um tema que lhe preocupa?
Sim, a mim e a todos os demais vereadores, prefeito e secretário. É uma área que sempre precisa de investimentos novos, de recursos novos e do apoio fundamental de todos os vereadores que nunca se furtaram em buscar apoio por intermédio de emendas parlamentares de deputados dos seus partidos. É onde o cidadão recorre quando está passando por problemas. Por isso temos que ter uma atenção especial à Saúde e dentro das possibilidades orçamentárias do município fazer com que sempre haja investimentos novos, para assim, poder dar uma melhor atenção aos usuários do SUS.

O senhor foi vice-presidente na primeira gestão de Matheus Erler (PTB) e depois colocou seu nome à presidência? Por que pretende ser presidente do Legislativo? É a primeira vez que pleiteia o cargo? Quantas vezes e em quais anos tentou?
Exato, minha gestão como vice-presidente do Matheus foi uma experiência importante para que eu conhecesse o funcionamento administrativo da Casa mais de perto. Foram dois anos importantes em que seguimos juntos até o final, mesmo eu colocando meu nome em 2016 para a presidência. O exercício da vida política nos ensina a grande satisfação que é auxiliar na vida das pessoas e, de assessor a vereador, poderia dizer que minha realização já seria suficiente. Mas a honra de estar à frente do Poder Legislativo, que representa toda uma cidade, é algo que sempre senti no coração e, para isso, me prepararei para que, se um dia tivesse a oportunidade, pudesse devolver à Câmara e à cidade tudo que ela me possibilitou realizar. Durante muitos anos, a Câmara foi alvo fácil de críticas que macularam sua história e estas críticas foram resgatadas pelo trabalho do Matheus, que com muita coragem fez os enfrentamentos necessários. Hoje, tenho uma motivação a mais: proteger o Legislativo e mantê-lo forte e com credibilidade perante à população.Se eleito presidente, quais medidas pretende tomar no cargo?
A Câmara segue em avanços constantes e é este ritmo que precisa ter continuidade. A organização interna tem neste momento a maior atenção da atual gestão como, por exemplo, a recomposição de servidores aposentados e outros que se exoneraram dos cargos. Passada esta fase, o momento será o de garantir aos servidores e vereadores as condições necessárias para a execução das suas funções, ampliando ainda mais a participação popular. Funções, aliás, que nada mais são do que o atendimento à população e as condições para que possa se fundamentar para a proposição e fiscalização da legislação. O nosso desafio é trazer estas inovações dentro da política de austeridade econômica que não é apenas a gestão atual que acredita ser necessária, é a população. Com essa atuação, a Câmara foi capaz de contribuir significativamente com a cidade por intermédio da sua economia. É outra forma de os vereadores trabalharem pela população. Muitas vezes isso gera dificuldades de gestão, mas com criatividade e análises pontuais podemos buscar garantir a viabilidade da execução das tarefas de todos os vereadores e as condições necessárias para a que a população se integre mais ainda da vida da Câmara. Da responsabilidade de gerir o erário com todo o cuidado, respeito às leis e aos órgãos fiscalizatórios, não abriremos mão, se eleito eu for.

Pretende fazer mudanças administrativas na Casa? Quais?
É natural que o perfil de cada pessoa interfere na sua atuação como gestor. E todos os perfis têm seu valor por focar mais um determinado setor. Eu acredito muito no diálogo antes da tomada de decisões, atuo assim no meu mandato e sempre atuei em toda minha vida pública e pessoal. Tomar decisões baseadas em fatos e em opiniões é fundamental para que as ações tenham mais chances de dar certo. Mas também é importante que se saiba que a responsabilidade civil, legal, jurídica e até criminal dos atos da Câmara recaem única e exclusivamente sobre o seu presidente, que deve estar sempre pronto a assumir o peso de decisões que precisam ser tomadas rapidamente, tanto no campo administrativo quanto no político. A Câmara decide a vida de quase 400 mil pessoas nesta cidade e neste sentido, então, entendo que diálogo e preparo são fundamentais para a possibilidade de êxito na gestão. A Casa tem um corpo de servidores exemplar, tecnicamente preparado e que dá sustentação à atuação dos diretores e vereadores. Mas o mundo administrativo é dinâmico e exige qualificação e requalificação constantes, exige comprometimento e a compreensão das responsabilidades de todos que lidam com o erário, agentes públicos, os servidores e agentes políticos. Acredito que será importante colaborar para qualificação e requalificação sempre que, como resultado, se projetar a melhoria de atendimento à população e dos processos internos.

Recentemente, a Câmara recebeu pedido de impeachment contra o prefeito Barjas Negri (PDSB) e uma denúncia de quebra de decoro parlamentar contra um vereador, como o senhor avalia a posição da presidência da Casa, o senhor agiria de maneira diferente?
O presidente da Câmara cumpriu o seu papel legal de gestor. Encaminhou ambas denúncias para o Departamento Jurídico da Câmara, formado por advogados concursados e, foram emitidos pareceres baseados no Regimento Interno e na Lei Orgânica do Município. De posse disso, o presidente cumpriu as normas legais, agindo com os critérios do cargo que ocupa. Muitas vezes o papel do presidente exige dureza, mas pesam sobre suas decisões leis e orientações dos órgãos fiscalizatórios. Como disse, são estilos de atuação e eu entendo que muitas vezes é possível dialogar mais sem deixar de cumprir todos os ritos regimentais. A política nos exige calma, que o mundo privado muitas vezes não nos permite ter.

Qual sua avaliação sobre a relação entre os chefes dos poderes Legislativo e Executivo, como deve se dar este diálogo?
Os poderes merecem respeito entre si. Têm sua independência constitucionalmente garantida, mas também não podem se isolar, não podem ficar sem dialogar, tem que haver o diálogo, tem que haver o bom senso e assim, ambos ter um único objetivo que é trabalhar para a população piracicabana. O papel da Câmara, além do legislar e fiscalizar, precisa ser o de contribuir para que a gestão do município ande bem, que o orçamento seja executado e os serviços públicos sejam cumpridos. Nem sempre quando ocorrem deficiência é vontade do poder Executivo e a Câmara tem que saber da importância do seu papel para a governabilidade da cidade, apoiando e criticando, quando necessário.

A transparência da Câmara é importante?
É politicamente muito importante e legalmente incontestável. Temos que valorizar ainda mais esse serviço porque garante à população a correção dos nossos atos. A transparência pública nada mais é do que uma prestação de contas à população e a sociedade têm o direito de saber tudo o que acontece no Poder Público, opinando inclusive. Entendo que isso só aprimora nosso trabalho de vereador e o da Câmara enquanto poder representativo do povo.

Que papel você atribui à Câmara para os próximos anos?
A Câmara terá um papel fundamental na gestão pública. Ela deverá ter participação em todas as ações do executivo, trabalhando em conjunto. Terá que estar próxima da população para atender e encaminhar seus problemas. A Câmara deverá estar atenta às políticas públicas do novo governo federal que serão implantadas para poder apoiar e, principalmente, se necessário for, defender os interesses da população piracicabana.

(Beto Silva)