Produção mineira de azeite ganha destaque internacional

Especialista em óleo de oliva dá dicas sobre o produto que realça o sabor dos alimentos em sua preparação. (Foto: Cristiani Azanha)

O azeite cada vez mais está ganhando seu espaço na mesa dos brasileiros. Atualmente, a maioria dos chefs de cozinha não dispensam esse ingrediente para dar um toque especial nos pratos. Até mesmo em casa. Quem não gosta daquele azeite especial na salada? Por muito tempo, adotou-se a ideia que os melhores eram os importados. No entanto, essa realizada está mudando de cenário.

Imagine a possibilidade de conhecer de perto como esse importante ingrediente é produzido. À aproximadamente 150 quilômetros de Piracicaba fica a Casa Mantiva, localizada na cidade de Consolação, no Sul de Minas. Em uma área de 35% da área nativa preservada e dez nascentes é produzido o azeite Reserva Casa Mantiva, que venceu o Concurso Mundial de Azeite em Nova York, o NYIOOC World Olive Oil Competition, considerado o mais prestigiado concurso de qualidade de azeite. O produto mistura as azeitonas koroneiki e grappolo, e tem notas de alcachofra, amêndoa, rúcula, maçã e tomate.

O especialista em azeite e proprietário da Casa Carlos Diniz acompanha de perto processo de fabricação, desde a análise da azeitona ainda no pé. “O azeite de qualidade tem que colher em um ponto muito específico das azeitonas, que geralmente são analisadas pela cor. No final de janeiro, já estão ficando no ponto ideal que é um verde palha começando a pintar de roxo, pois está com quantidade boa de azeite dentro do fruto e a qualidade em sua capacidade máxima”, disse Diniz.

Segundo ele, se deixar amadurecer mais terá mais azeite, mas ficará com menos qualidade. “Nossa colheita é manual e quando necessário, forramos o chão com uma tela, para que caso caia do pé, a azeitona não tenha nenhum contato com o chão. Usamos caixas de fruta vazada para ventilhar, pois se empilharmos em um saco pode fermentar. O azeite é muito delicado, é uma esponja para cheiro e sabores, pode adicionar. Quanto mais rápido a extração melhor é o azeite” destacou o especialista.

Para manter uma boa qualidade do azeite, na produção do Casa Mantiva. A partir da colheita, no prazo de 24 horas é feito a extração. As azeitonas são colocadas em um equipamento nacional, que separa ramos, folhas. Faz a lavagem e separação do azeite do fruto. A produção ainda é feito em pequena escala. Em 2019, a Casa produziu 1,2 mil litros de azeite 300 quilos de azeitona. A produção é direcionada para alguns restaurantes em São Paulo Gonçalves, Campos do Jordão, Santo Antonio do Pinhal, Paraisópolis. Há pouco tempo partiram para as vendas por meio das redes sociais. Pelo Instagram, já conseguiram vender azeites para Belo Horizonte (MG) e Brasília (DF).

QUALIDADE

Diniz explicou que atualmente há uma normativa do Ministério da Agricultura que estabelece que é preciso ter ácido oléico virgem menor que 0,8% para ser considerado um azeite extravirgem. Caso não atinja esse parâmetro, cai para azeite virgem, e dependendo da análise do produto pode ser desclassificado como lampante, que deriva da palavra “lamparina”, ou seja, não é para consumo humano e sim para iluminação. No entanto, caso seja vendido para refino, para tirar a acidez e cheiro, por exemplo, a legislação nacional permite que se adicione aproximadamente 1% de azeite virgem ou extravirgem e depois volta para o mercado como azeite de oliva (refinado).

Quando você olha na prateleira de um supermercado um azeite extravirgem sabe-se que é extraído somente por meios mecânicos. Já azeite de oliva passou por um processo de refino”, destacou Diniz.

Seja com aroma ou não, o fato é que é difícil encontrar quem não gosta de um bom azeite. Quem concorda?

A convite do Roteiro Moringa Mantiqueira e Travel for Life (www.travelforlife.com.br), o Jornal de Piracicaba conheceu a Casa Mantiva

Cristiani Azanha

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