Professor defende ‘educação emocional’

Modelo visa reduzir o impacto causado pelo bullying, segundo Ometto. (Foto: Fabrice Desmonts)

Casos como o massacre na Escola Raul Brasil, em Suzano, e os assassinatos na Igreja Catedral de Campinas revelam o impacto de problemas emocionais na sociedade. Preocupado com a situação, o professor e psicanalista Francisco Ometto Júnior ocupou a tribuna popular da Câmara de Vereadores de Piracicaba, durante a 25ª reunião ordinária, na noite desta segunda-feira (6), para propor o trabalho de educação e psicologia junto a crianças e adolescentes no Município.

“O motivo desta violência é o bullying, como foi diagnosticado em pesquisa feita na área da psiquiatria. Quando alguém sofre bullying, a gente não ataca quem o recebeu, que é a causa principal, a gente ataca a consequência, mas como uma bola de neve, essa violência vai ter um motivo posterior”, disse Ometto Júnior.

Ele classificou que existem vários tipos de bullying, o físico, o verbal e o emocional. “A adolescência é uma das fases mais complicadas, entre a infância e a vida adulta, esse é um dos motivos que a gente precisa começar o acompanhamento emocional da criança, para que isso não seja tão difícil na vida do adolescente”, enfatizou.

Ometto Júnior esclarece que algumas das consequências do bullying afetam a vidas das pessoas, como a criança que não vai à escola, isola-se, deixa de comer, torna-se agressivo, vive com estresse, depressão e ansiedade e, por fim, comete suicídio.
“A raiva e o descontrole são produzidos pelo bullying e é isso que a gente tem que atacar. Temos uma mania, de modo geral, em atacar as consequências e, quando falo de bullying, não adianta evitar, porque (depois que ocorreu) já fica na cabeça da pessoa e vai produzir alguma tragédia”, disse, ao citar Sigmund Freud, “o que não fica resolvido na mente, o corpo transforma em doença.”

O psicanalista destacou que o problema não escolhe idade ou poder aquisitivo. “A maioria das doenças é por descontrole emocional, temos, a cada 40 segundos, um suicídio no mundo, e o bullying está aumentando, por isso podemos concluir que os massacres também vão aumentar e a gente precisa atuar na causa”, disse.

 

(da Redação)