Professor do Ano é da E.E.Hélio Nehring

CPP Professor é parabenizado pelos amigos de escola. ( Foto: Claudinho Coradini /JP)

Em um tempo no qual os relatos de indisciplina e desrespeito em sala de aula são cada vez mais frequentes, Alessandro Pampolini , professor de Química, disciplina que figura entre as mais chatas para a maior parte dos estudantes de Ensino Médio, adotou a estratégia de envolver os alunos da escola pública estadual Hélio Nehring, no bairro São Jorge, em práticas que iriam além da sala de aula, com atividades extras durante dias da semana e aos sábados. Daria certo exigir mais daqueles que o senso comum faria supor que não se comportariam bem nem no horário regular? Deu tão certo que Pampolini foi comunicado ontem sobre a escolha do nome dele como “Professor do Ano” pelo CPP (Centro do Professorado Paulista de Piracicaba).

A fórmula utilizada por Pampolini foi transformar o ensinamento da disciplina em algo lúdico. Explicar Química por meio de complexas fórmulas certamente pode ser entediante a jovens cheios de energia. E se os alunos pudessem aprender sobre a matéria transformando água em gás hidrogênio, aproveitado como combustível limpo? Ou então se construíssem uma uma minicidade e pudessem gerar toda a energia para ascender as lâmpadas das ruas e das casas, além dos semáforos, a partir da energia eólica gerada por meio de um cooler de computador? Foi assim que Pampolini transformou as aulas chatas em interessantes.

Os estudantes ganharam conhecimento. Ele, além do prêmio, ganhou respeito. Estratégia inteligente adotada pelo professor, que está há 12 anos na escola, para tornar o próprio exercício da profissão em algo mais leve. Quando a reportagem foi até a sala de aula em que ele lecionava na manhã de ontem para interrompê-lo para uma curta entrevista, o silêncio da sala era absoluto. “Com o trabalho diferenciado que propusemos, ganhamos a confiança deles. Passei a tê-los na mão. Agem com respeito e disciplina na sala de aula. Isso, além enriquecer as aulas, permite também que eu tenha mais tranquilidade para trabalhar”, afirmou.

Pampolini contou que atravessa um problema pessoal e que o prêmio o ajudou nesse momento. “Para mim foi uma surpresa. Pela primeira vez, tive a sensação de que valeu a pena tudo o que eu fiz. Foi preciso dedicação. Às vezes faltava material e a gente colocava do bolso. A diretora [Maria Regina Addad Romero] também ajudou nesse sentido”.

A diretora da escola ressaltou que o professor consegue fundamentar seus ensinamentos no currículo oficial, relacionando-os com o cotidiano dos alunos, atraindo assim “a curiosidade e despertando o espírito investigativo” neles. A diretora do CPP, Walderez Silva Barbosa, disse que Pampolini “foi escolhido por algo especial” e afirmou que o prêmio representa reconhecimento para a categoria. “Poucos reconhecem o trabalho dos professores. Ser professor está no coração. Ele não trabalha pelo dinheiro, porque não valeria a pena. Trabalha pelo amor. Se dedica como se fosse uma missão, assim faz o Alessandro Pampolini”.

(Rodrigo Guadagnim)