Professores da Rede Estadual devem entrar em greve a partir de abril

Dentro de um mês, alunos da rede estadual podem ter aulas paralisadas (Foto: Claudinho Coradini/JP) Dentro de um mês, alunos da rede estadual podem ter aulas paralisadas (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Em assembleia realizada na Praça da República, em São Paulo, na última sexta-feira, com mais de 15 mil professores da rede pública estadual, a categoria aprovou a deflagração de greve a partir de 26 de abril. Os professores reivindicam reajuste de 10,15%, melhoria nas condições de trabalho, contra o fechamento de escolas e classes, a superlotação de alunos em sala de aula, por 25 alunos por classe, contra a aplicação da Base Nacional Comum Curricular no Ensino Médio e também são contrários à proposta de reforma da Previdência Social do presidente Jair Bolsonaro, que tramita no Congresso Nacional.

Na assembleia comandada pela presidente da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial Estado de São Paulo), Maria Izabel de Azevedo Noronha, a Bebel, foi aprovado estado de greve contra o projeto de reforma da Previdência, que dificulta o acesso à aposentadoria. A paralisação vai ocorrer após encontros regionais a serem promovidos pelo sindicato. Na assembleia, além de criticarem o projeto de Bolsonaro, os professores decidiram exigir reajuste salarial de 14,54% para a categoria. A Apeoesp, que pretende unificar o movimento com outras categorias, anunciou ainda construir com as centrais, uma greve geral nacional dos trabalhadores de educação.

A Apeoesp também anunciou o lançamento da campanha “Livros Sim, Armas Não”, contra a política armamentista do presidente, que tenta facilitar o acesso dos cidadãos às armas de fogo. “Não queremos a militarização das escolas, queremos mais funcionários, queremos equipes multidisciplinares e mais professores”, declarou Bebel.

Ela convidou um professor chileno para participar do ato, país que Bolsonaro visitava no dia e disse se espelhar na previdência do país, que é privada e capitalizada. Raul Dervia afirmou que “essa reforma que querem passar no Brasil foi imposta no Chile há 40 anos pela ditadura de Pinochet”, que tomou o poder em 1973.
“No Chile não existe seguridade social, existe capitalização individual. Não devem permitir que aprovem essa reforma aqui. Os salários dos aposentados no Chile não os permite viver. É um quarto de um salário mínimo, em média. Ninguém vive assim”, falou.

Para a professora Bebel, “esta reforma ataca frontalmente a classe trabalhadora. Ela pega especialmente as mulheres. Teremos de contribuir 40 anos, isso é a morte de todo o trabalhador. Precisamos de um plano econômico, de emprego. Precisamos da valorização do salário mínimo. Não precisamos de reforma da Previdência”, afirmou.

Da Redação