Programa Jovem Aprendiz contribui para desenvolvimento profissional e pessoal

jovem Aprendiz Melissa Soares de Souza, 17, é jovem aprendiz no setor administrativo do Instituto Formar. (Amanda Vieira/JP)

Ingressar em uma empresa grande, ter contato com profissionais experientes e possuir independência financeira são alguns dos benefícios que o adolescente ganha ao se tornar um Jovem Aprendiz, conforme os responsáveis pelo Programa Jovem Aprendiz, criado em 2000, decorrente de uma iniciativa do Governo Federal, por meio da Lei nº 10.097, também conhecida como Lei do Aprendiz.

O projeto consiste em oportunizar a jovens com idades entre 16 e 24 anos o acesso ao primeiro emprego. O Programa dura dois anos em uma instituição de ensino credenciada. Neste período, o Aprendiz tem acesso ao curso de aprendizagem, que é gratuito e composto por aulas teóricas e práticas.

De acordo com Gisela Ubices Bassinello, técnica de desenvolvimento profissional coordenadora do Programa Aprendizagem do Senac Piracicaba, a instituição já qualificou em torno de 4 mil jovens. “O curso de Aprendizagem profissional em Comércio de Bens, Serviços e Turismo tem a proposta de contribuir para o desenvolvimento profissional e pessoal de jovens e também colaborar na construção de competências necessárias destes profissionais. Esse Jovem será incentivado a identificar, compreender e desenvolver suas potencialidades”, afirmou.

Segundo Ophir Figueiredo Jr, gerente regional do Senai-SP, por ano, a instituição tem cerca de 32 mil matriculados nos cursos de aprendizagem, que têm foco na demanda da indústria. “Em média, cerca de 90% dos jovens que estudam no Senai-SP nos cursos de aprendizagem já estão empregados em alguma indústria. Mais que conteúdos técnicos, os aspectos comportamentais são bastante importantes. Buscamos formar bons cidadãos, conscientes de seu dever. Pessoas que entendam que antes do direito vem o dever”, informou.

Além da idade, há outros requisitos para inscrever-se no Programa. O adolescente deve estar matriculado no Ensino Fundamental ou Médio, ter a frequência escolar em dia e disponibilidade para trabalhar 6 horas diárias. Pessoas com necessidades especiais não têm limite máximo de idade para participar.

para se inscrever, basta o Jovem escolher a empresa que deseja ingressar, porém, é preciso que saiba antes se a empresa está cadastrada no Programa. Segundo a Lei, as empresas são obrigadas a contratar Jovem Aprendiz, reservando o percentual mínimo de 5% e máximo de 15% do quadro de funcionários. para as microempresas a contratação é facultativa.

Outra alternativa é inscrever-se em empresas filiadas ao Programa que abrem vagas todo ano, como a Caixa Econômica Federal e os Correios, ou obter informações diretamente com uma instituição de ensino credenciada, como o Senac, Senai, Ciee (Centro de Integração Empresa Escola) e escolas técnicas como as Etec’s.

As organizações sem fins lucrativos que tenham como objetivo a assistência social e educação profissionalizante ao adolescente, como o caso do Instituto Formar em Piracicaba, também se enquadram no Programa.

De acordo com o gerente administrativo do Formar, Fábio do Amaral Sanches, a aprendizagem profissional da organização é destinada ao público em situação de vulnerabilidade e risco social, sendo chamado de socioaprendizagem. para se inscrever, o adolescente deve procurar o Cras (Centro de Referência de Assistência Social) ou o Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social). “Oferecemos atendimento e acompanhamento integral, como socioassistencial, psicossocial, pedagógico, materiais necessários para o desenvolvimento do Programa, alimentação e contratação formal com todos os direitos trabalhistas e previdenciários”, informou.

Dados do Ministério do Trabalho apontam que mais de 124 mil jovens foram contratados no primeiro semestre deste ano. Deste número, 36.186 foram admitidos em São Paulo. A indústria da transformação e o comércio foram os setores que mais contrataram.

A Jovem Aprendiz Melissa Soares de Souza, 17, trabalha no setor administrativo do Formar. Entrou no instituto aos 13 anos, na banda musical, onde também está até hoje. “Eu quis entrar porque a minha tia foi Guarda Mirim na época. Ela fazia parte da banda e trabalhava também e quis seguir o mesmo caminho. Sinceramente, esta experiência está sendo incrível. Nunca imaginei que pudesse aprender tanta coisa com apenas 17 anos”, disse.

Melissa também contou que teve diversas mudanças desde que ingressou no mercado de trabalho que possibilitaram o amadurecimento dela. A Jovem explicou que ganhou a independência com pequenas coisas, como pegar ônibus sozinha e administrar o próprio salário. “Por conta de ter que ajudar a minha família, tive que amadurecer rápido e o suporte do Formar foi muito importante. A Melissa de há alguns anos é bem diferente da de hoje”, relatou.

A experiência no mercado de trabalho também ajudou a Jovem Aprendiz a decidir qual carreira seguir. “Eu sou uma pessoa muito comunicativa e comecei a pesquisar profissões em que esse perfil pudesse ser encaixado e então descobri a área de negócios internacionais”, afirmou.

e quando a pergunta é o que fez com o primeiro salário, Melissa contou com orgulho. “Nossa, eu paguei um exame odontológico, guardei o dinheiro para tirar a minha CNH, que guardo uma quantia todo mês, ajudei a minha mãe e depois gastei um pouco com roupas, que era o meu desejo”, disse.

(Jéssica Souza)