Projeto Heroica atenderá 25 reeducandas do CR

O Projeto Heroicas passará a atender 25 reeducandas do CR Feminino “Carlos Sidnes de Souza Cantarelli” a partir desta sexta-feira (02). Durante cinco encontros, elas irão receber uma preparação psicológica para encarar de cabeça erguida a sociedade depois de cumprirem as respectivas penas. O projeto foi implantado pela advogada piracicabana Simone Sighese Toledo, que é também doutoranda em Filosofia pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e professora de pós-graduação na Universidade Mackenzie. O Heroica deve implantar em breve o Núcleo de Trabalho para dar o suporte às pessoas que buscam o tão esperado emprego.
 
“Escolhemos fazer essa parceria com o CR, pois levamos em conta que as reeducandas estão cumprindo pena em regime semiaberto e deverão receber novamente a liberdade no período de até um ano. Nossa proposta é que ela tenha a determinação de viver uma nova vida longe do crime”, disse a advogada. O primeiro encontro entre as reeducandas aconteceu no último dia 6 de fevereiro, com a psicóloga Elen Contro, que coordenada o Núcleo de Psicologia e Desenvolvimento Humano, do Projeto Heroica. 
 
“A psicóloga fez uma apresentação do trabalho que será iniciado em breve e antecipou alguns temas que serão trabalhados como o empodeiramento feminino e como enfrentar os obstáculos que as esperam lá fora, pois aqui, elas vivem em um mundo a parte, pois não têm contatos com amigos, ou usam o celular, por exemplo. Certamente quando saírem em liberdade vão estranhar muitas coisas, nosso objetivo na unidade é fazer a ressocialização delas. Esse trabalho vem ao encontro dos nossos objetivos”, afirmou a diretora do CR, Celeste Maria Varella Abamonte.
 
Quem gostou da experiência foi a reeducanda Andrelina Rodrigues de Oliveira, 32 anos. Condenada a quatro anos, quatro meses e 15 dias por tráfico, ela conta os dias para voltar para casa, onde deixou os cinco filhos com cinco, seis, nove, 12 e 16 anos. “Estou presa há sete meses e já chorei muito por ficar longe de casa, fiquei com depressão e só melhorei após conseguir ocupar minha mente aqui na unidade com os trabalhos, cursos e agora com as palestras. Nunca tive a oportunidade de conhecer tudo isso. É muito bom a gente ter o consciência da nossa própria mente para não perder o foco lá fora”, relatou Andrelina.
 
Só muito apoio psicológico para conseguir controlar a ansiedade de Edna Bonfim da Silva, 38, que foi condenada a mais de nove anos por tráfico de drogas. Mãe de dois filhos de 17 e 22 anos, ela tem uma neta de apenas um mês, que nasceu prematura, enquanto ela já estava presa. “Não tem como dizer o quanto esse trabalho será importante para nós aqui, pois ocupamos nossa mente com os trabalhos que são oferecidos, mas esse apoio psicológico faz toda a diferença. Agradeço de coração a cada envolvido no projeto e espero com muita ansiedade pelo nosso próximo encontro”, desabafou Edna.