Projeto Heroica faz primeira reunião de trabalho

A primeira reunião de trabalho envolvendo as voluntárias do Projeto Heroica acontecerá na próxima sexta-feira (20), no Balaminut Centro Empresarial, no Jardim Paulista, onde será a sede para atender mulheres em situações vulneráveis.
 
A presidente do projeto, a advogada Simone Seghese de Toledo, disse que o projeto-piloto foi implantado em Piracicaba há mais de um ano, as voluntárias ainda não contavam com um espaço físico para iniciar o atendimento às mulheres. Simone é doutoranda em filosofia pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e professora de pós-graduação na Universidade Mackenzie.
 
“O Heroica terá inicialmente três núcleos, que serão de psicologia, jurídico e de trabalho. Já iremos iniciar um curso de capacitação a partir de agosto deste ano e estamos com uma lista de espera”, disse Simone.
 
A presidente disse que o projeto é aberto para novos voluntários. “Estamos de portas abertas para receber os profissionais que possam fazer parte da nossa causa e com isso estender a oportunidade para mais mulheres que possam ser atendidas pelo projeto”, comentou a presidente.
 
A advogada disse que a ideia do projeto partiu da análise de suas clientes no escritório. “Enquanto elas relatavam os problemas, eu imaginava como não tinhas condições de enxergá-las como de fato são. Nem sempre a condição financeira ameniza. Já recebi clientes de um bom poder aquisitivo que queriam deixar o casamento, porque estavam cansadas de receber ofensas. São relatos de abusos diários, que, com o tempo, acabam pesando para elas”, comentou Simone.
 
A proposta do projeto é contar com o atendimento direcionado para o problema individual de cada uma delas. Seja o acompanhamento psicológico ou jurídico.
 
 
CR — Atualmente, o projeto já realiza um trabalho no CR (Centro de Ressocialização) Feminino de Piracicaba para 25 ressocializandas, desde o dia 2 de abril de 2018. Durante cinco encontros, elas irão receber uma preparação psicológica para encarar de cabeça erguida a sociedade depois de cumprirem as respectivas penas.
 
Quem gostou da experiência foi a reeducanda Andrelina Rodrigues de Oliveira, 32. Condenada a quatro anos, quatro meses e 15 dias por tráfico, ela conta os dias para voltar para casa, onde deixou os cinco filhos com cinco, seis, nove, 12 e 16 anos. “Estou presa há sete meses e já chorei muito por ficar longe de casa, fiquei com depressão e só melhorei após conseguir ocupar minha mente aqui na unidade com os trabalhos, cursos e agora com as palestras. Nunca tive a oportunidade de conhecer tudo isso. É muito bom a gente ter a consciência da nossa própria mente para não perder o foco lá fora”, relatou Andrelina.
 
As pessoas que quiserem conhecer um pouco mais sobre o projeto ou integrar a equipe de voluntários deve entrar em contato com a advogada pelo e-mail projetoheroica@gmail.com.