Protesto não, vandalismo

Todo mundo tem uma ideia sobre como deve ser o mundo, a cidade e, especialmente, a vida das outras pessoas. Todo mundo tem opinião, mas mesmo para opinar e defender sua posição é preciso educação e respeito. Sem respeito, o que poderia ser um bom discurso acaba virando uma gritaria, uma agressão ou mesmo vandalismo puro, simples e triste.

Ontem, vândalos atacaram a Passarela Doutor Aninoel Dias Pacheco, conhecida com ponte estaiada. Leia matéria de Beto Silva na página A-5 com os detalhes da cobertura. Não tenho outra palavra parar usar, porque quem depreda o patrimônio público por definição é isso mesmo, um vândalo. É lamentável observar que ainda existem pessoas que acreditam no vandalismo como forma de expressão de seu posicionamento político, cultural ou esportivo. A democracia que todos queremos e defendemos pressupõe desenvolvermos capacidade de conviver com diferenças e diferentes de forma harmônica e responsável. Palavrões, ofensas e pichações podem até ‘lavar a alma’ por um momento e será apenas isso. Não resolvem nenhuma questão e, pior, incentivam uma reação em igual ou maior intensidade. A física com uma ciência exata sempre nos avisou: ação e reação.

Os autores dos danos na ponte devem ser facilmente descobertos por que há câmeras no local, que são controladas pela Cemel (Central de Monitoramento Eletrônico), mas os danos mais uma vez devem ser pagos com recursos públicos, a exemplo do que ocorre toda vez que atacam o dourado que dá boas-vindas na rodovia Luiz de Queiroz, em uma das entradas da cidade.

É óbvio que esse fato vai resultar em troca de insultos de defensores da direita, da esquerda, da moralidade, da ponte entre outros, mas no final das contas todos vão perder essa batalha, porque quando o diálogo não avança todos perdem e questões importantes ficam insolúveis. Recorre-se aos discursos empoeirados para acusar o outro do horror da guerra, sem assumir a própria responsabilidade. A democracia estaciona, a humanidade emperra e como sempre ninguém fica feliz, porque quem foi ofendido quer vingança e quem ofender se sente no direito de agir com truculência. E, assim vamos continuar o surdo mostrando pro cego que o mudo disse alguma coisa.

(Alessandra Morgado)