Qual nosso futuro social?

A Reforma da Previdência passou na Câmara dos Deputados em primeiro e segundo turnos, agora estando no Senado Federal, exige de todos nós uma reflexão profunda sobre o futuro social do país.

Com as mudanças da reforma trabalhista, que já trouxeram uma nova realidade ao mundo do trabalho brasileiro e, agora, com a iminência de tanta mudança e retirada de benefícios, deixar de projetar o futuro é, no mínimo, uma omissão de todos nós que nos propormos à vida pública.

Mudanças que recebem apoio do eleitorado do presidente Jair Bolsonaro, não sua totalidade pois não é difícil encontrar alguém que nele tenha votado e, diante da Reforma já tenha repensado seu voto. Mas que nos alerta o quanto parte do povo brasileiro envolveu-se em argumentos que, não sendo sólidos, afetarão duramente sua vida.

Considerando que os cálculos do governo no aspecto econômico sejam honestos, mais de R$ 930 bilhões deixarão de circular, deixarão de ser distribuídos em benefícios. Isso o governo chama de economia e eu chamo de economia burra. Pelo menos grande parte dela.

O recurso de benefícios que seria colocado nas mãos dos brasileiros não ficaria guardado embaixo do colchão. Este dinheiro circularia no pequeno comércio, no setor de serviços, na manutenção da saúde do beneficiário, na sua alimentação e até no seu lazer. Ou seja, gerando impostos. Seria apenas uma forma de circulação do dinheiro. O governo opta por outro.

Circularia principalmente na autoestima do brasileiro, promovendo saúde de forma indireta e este impacto o governo certamente não fez e contribuirá para a formação de uma sociedade infeliz, doente e incrédula. Todos sabemos que a autoestima é fundamental para a produtividade, o que devolveria também ao governo recursos indiretos. Mas o governo opta por outro.

E quando opta por este modelo de acúmulo do dinheiro na mão do sistema financeiro, opta também pro assumir as consequências de um país que não cuidará dos seus idosos, que exigirá do seu trabalhador a permanência até a exaustão no mercado de trabalho. Exigirá a doença ao invés da saúde.

Estas são as opções do governo que nos fazer desacreditar nas defesas que sustentaram até aqui a reforma, entre elas a geração de empregos. A Reforma Trabalhista já mostrou que não foi capaz do mesmo objetivo. E da Previdência, queira eu que estejamos todos errados, não terá gerará empregos também.

Todas as defesas que fizemos neste espaço e na Tribuna da Câmara contra a reforma, e que continuaremos a fazer, tiveram e terão sempre um objetivo, mostrar o quanto socialmente doente no país se torna ao fazer opções contra as pessoas. Cidadãos que geram o volume de cada real que entra no cofre do governo. É dele o dinheiro, não do presidente, não dos deputados que trocaram seus votos pelas emendas parlamentares e pela reeleição – esta mesmo, de 2022.

Este triste episódio da política brasileira, apoiado por várias pessoas que não tiveram elementos para fazer o cálculo de uma tragédia social anunciada, seja para nós um estímulo para quem sabe, no futuro, trabalhar para amenizar seus efeitos nefastos aos brasileiros. Repito, que estejamos errados todos nós que alertamos para o caos que se avizinha.