Quando ser mãe se torna prioridade

A engenheira química Denise Nakamura e seu filho Matheus Mota, com 5 anos (Foto: Claudinho Coradini/JP)

A engenheira química Denise Nakamura é o exemplo de que amor de mãe não tem limites quando o bem estar e segurança emocional do filho são prioridades. Depois de uma carreira de 14 anos na área de pesquisa e desenvolvimento em multinacionais, ela não pensou duas vezes quando a função de mãe lhe exigiu dedicação exclusiva.

Há três anos os seus planos e projetos mudaram de rumo quando ela e o marido perceberam a ausência de fala no filho Mateus Mota, hoje com cinco anos. O bebê sempre teve desenvolvimento normal engatinhava, andava, balbuciava e brincava sem nenhum problema aparente. Mas o silêncio preocupava o casal.

Na época a pediatra disse que Mateus não estava atrasado, pois algumas crianças demoravam mais para falar. “ Mas com dois anos de idade eu pedi para ela me indicar profissionais que pudessem me ajudar na avaliação, pois eu estava muito preocupada”, lembra.

Foi quando os pais procuraram uma fonoaudióloga, que os encaminhou a um neurologista. Nesse momento, Mateus estava com dois anos e alguns meses e a hipótese levantada foi de TEA (Transtorno do Espectro Autista).

“Nessa época mudamos para Piracicaba e iniciamos as terapias para TEA. Após 12 meses, ele apresentou evolução em todos os aspectos menos na fala. Foi então, que através de um veículo de imprensa, chegou até mim uma reportagem que explicava o que era a apraxia. Eu e a fono dele fomos pesquisar e estudar”.

Há um ano, Mateus foi diagnosticado com AFI (Apraxia de Fala na Infância) – um distúrbio neurológico motor da fala que afeta a habilidade da criança em produzir e sequencializar os sons da fala. “A criança tem ideia do que quer comunicar, mas seu cérebro falha ao planejar e programar a sequência de movimentos, gestos motores da mandíbula, dos lábios e da língua para produzir sons para formar sílabas, palavras e frases”, explica a mãe que desde então decidiu pesquisar e participar de treinamentos para ajudar o filho.

A partir do diagnóstico a prioridade da família passou a ser o pequeno Mateus. “Felizmente eu tive a oportunidade de poder parar de trabalhar e acompanhar esse processo ele. Ninguém está preparado para ter um filho diferente, então me dediquei muito a entender o que ele tinha ou poderia ter para saber como ajudá-lo da melhor maneira possível”, contou.

Por causa da vida profissional, Denise e o marido moravam em cidades diferentes, pois a carreira era prioridade. “Acabei mudando para Piracicaba para ‘juntar’ a família. Ajudar nosso filho passou a ser a nossa prioridade, mas acho que isso acontece em todas as famílias”, contou.

O dia 14 de maio é dedicado internacionalmente à conscientização sobre a apraxia. Para Denise, a questão está caminhando no Brasil e é preciso ampliar a divulgação do tema. “Nem toda criança com dificuldade no desenvolvimento da fala tem apraxia, vários motivos podem causar o atraso ou a dificuldade no desenvolvimento da fala. O importante é que ao avaliar uma criança com dificuldade na fala, que este diagnóstico possa também ser considerado pelos profissionais envolvidos”, alertou.

Beto Silva