Queda de árvore aumenta em todas as regiões de SP

Mesmo com chuvas menos volumosas em 2017, a quantidade de quedas de árvores registradas na cidade de São Paulo foi a maior dos últimos cinco anos: 4.119 casos, o que equivalente a 11 por dia. Dados da Prefeitura mostram que, apesar de as ocorrências se concentrarem na zona oeste, a capital viu essa situação se tornar frequente em todas as suas regiões – em 30 das 32 áreas das prefeituras regionais o número aumentou.

A tempestade que atingiu a cidade na terça-feira, 20, matou três pessoas, derrubou 137 árvores e causou 24 desabamentos. Na Vila Mariana, zona sul, onde choveu 85 milímetros, houve o maior número de registros dessa semana: 27. O bairro está entre os três onde mais árvores caíram desde 2013, atrás de Pinheiros e Butantã, todas eles áreas consideradas mais arborizadas.

Para o botânico Ricardo Cardim, o poder público tem de entender a importância da árvore para a saúde pública. “Não se trata de um elemento decorativo. É uma ferramenta de saúde pública porque reduz o barulho, deixa a cidade com menos poeira, aumenta a umidade do ar, recicla os gases tóxicos e tem impacto sobre enchentes”, afirma. “A cidade cresceu de forma caótica e agora precisa encontrar o espaço adequado para árvores.”

Uma análise temporal das ocorrências dos últimos cinco anos permite identificar que os casos foram aumentando em todas as regiões. Em Perus, zona norte, os seis casos de 2013 saltaram para 51 em 2017. Em Ermelino Matarazzo, região leste, passou de dez para 71. Os dados ficam concentrados no centro expandido. A exceção é a Capela do Socorro, mais ao sul da cidade, que liderou o ranking de ocorrências em 2017.

Mas não dá para atribuir o aumento de quedas só à ocorrência de chuvas. A precipitação medida pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em São Paulo em 2017 mostra que o patamar (1.547 milímetros) foi menor do que no ano anterior (1.569) e em 2015 (1.896).

O aposentado Roger Cahen, de 70 anos, teme pela falta de poda em uma árvore na Rua Cônego Eugênio Leite, em Pinheiros, onde mora. Ele diz que a planta, em contato com a rede elétrica, traz riscos para a vizinhança. Seus pedidos de poda, porém, foram ignorados pela Prefeitura, segundo conta.

“Plantaram um monstro, que cresceu demais. Tenho três protocolos sem resposta da Prefeitura. Não sei mais o que fazer. Ninguém liga para nossa preocupação. Um dia de ventania forte vai derrubá-la. É questão de tempo”, reclama. A Prefeitura Regional de Pinheiros disse que vai vistoriar a rua citada e, se houver necessidade, realizar o serviço até o fim da semana.

Ao mesmo tempo em que viu as quedas crescerem, a administração municipal não conseguiu aumentar substancialmente a realização de podas nas rua. O total de 96 mil serviços dessa natureza realizados no ano passado é 7% maior que 2016, mas 30% menor que as 138 mil podas feitas em 2008, por exemplo.

A Prefeitura tem a exclusividade do serviço de análise e retirada de galhos, quando é confirmada a necessidade de podas em árvores localizadas em logradouros públicos.

Historicamente, a capital não cuida bem das suas árvores, segundo Cardim. “Isso infelizmente vem de muitos anos. Sequer temos contabilizada a quantidade delas”, diz. Estima-se que há 650 mil árvores só nas vias da cidade. “Julgo que não há uma rua na cidade que tenha 100% das suas árvores bem cuidadas. Há podas drásticas por causa da fiação elétrica que podem trazer mais problema, possibilitar a contaminação da planta por fungos, por exemplo, o que leva a quedas posteriormente”, diz.

Bairros mais tradicionais concentram as árvores mais antigas, com 80, 90 anos. “Elas foram sendo machucadas e chegam ao fim da vida muito maltratadas. Mas não dá para sair cortando. É como se entrássemos numa ala de idosos de um hospital e fizéssemos eutanásia em todos. Não é assim que se administra a situação.”

Podas

Em resposta à reportagem, a gestão João Doria (PSDB) disse que neste mês foi concluído pregão para contratar novas equipes de poda e áreas verdes, que começam a atuar em toda a cidade na próxima semana. “Este processo não era realizado desde 2014, o que inviabilizou, desde janeiro de 2015, a contratação de novos funcionários. A atual gestão retomou o processo licitatório em 2017 e, após a liberação do Tribunal de Contas do Município, está aumentando de 34 para cem as equipes, que somam cerca de mil funcionários”, informou.

A Prefeitura disse ainda ter firmado convênio com a Eletropaulo que prevê 200 mil podas em áreas com fiação até o fim deste ano. Em fevereiro, foi criado um grupo de trabalho para discutir melhorias sobre a arborização. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.