“Quem meu filho beija, minha boca adoça”

Imagine: um pai interessado num produto, tentando conversar com o vendedor, a toda hora sendo interrompido pelo filho que está impaciente e quer ir embora. Ou uma avó tentando realizar um pagamento em uma loja enquanto o neto esperneia no chão ao lado da fila. Quantos de nós já vivemos ou testemunhamos cenas como estas? Negócios e crianças têm uma relação delicada. Nestes casos, é muito difícil ter uma venda tranquila quando não se usa a boa e velha psicologia infantil.

Além da minha experiência no comércio sou pai e percebo logo quando essa relação vai ser abalada. É frustrante para todos os envolvidos: para o vendedor, para o cliente e para a criança que, afinal, está agindo de acordo com a sua natureza. É inevitável que ela fique impaciente. Por esse motivo, quando soube que uma família viria com a filha pequena à minha loja para discutir detalhes de um novo projeto que estávamos desenvolvendo para eles pensei: “como posso melhorar a experiência de compra dessa família?”. Montei uma estrutura atrativa para a criança. Comprei uma mesinha infantil, cadeirinhas, livrinhos de pintar, lápis de cor e um pote grande de slime (uma atualização da antiga “geleca”, uma massa brilhante, colorida e pegajosa que virou febre entre as crianças). Recebi a criança na loja com calma, atenção e disponibilidade. Tentei perceber qual brinquedo ela gostaria de ver primeiro. Com a filha entretida e feliz, os pais puderam conversar atentamente sobre o projeto. Assim, criou-se uma atmosfera de segurança essencial para que eles pudessem fechar o negócio. Ao final, minha cliente disse: “André, eu não vou cotar em mais nenhum outro lugar. O que você fez por minha filha me encantou e eu vou fechar o negócio aqui mesmo”.

Concordo com aquele ditado que diz “quem meu filho beija, minha boca adoça”. Que pais não ficam felizes com a felicidade do filho? Essa é uma dica preciosa para todos os estabelecimentos. Entre os restaurantes, por exemplo, há hoje o que se chama restaurantes “kids friendly”, ou seja, espaços preparados para receber os pequenos. Além de playground e brinquedos, esses locais oferecem serviços de monitoria, cardápios especiais para crianças e estratégias de preparo rápido das refeições. Consultórios odontológicos procuram diminuir a ansiedade dos pacientes mirins com livros e brinquedos nas salas de espera e até monitores de TV no teto dos consultórios. Já os salões de beleza investem em cadeiras e lavatórios especiais para as crianças, games e DVDs, brinquedos… Tudo para tornar a experiência da família o mais proveitosa possível. Que mãe não se sente bem podendo dedicar um tempo a si, enquanto vê seu filho usufruindo de uma estrutura pensada para proporcionar esse bem estar?

Claro que essas estruturas dependem do espaço disponível e do tipo de negociação que acontece no estabelecimento. Quem vai comprar um carro precisa de tempo e tranquilidade para planejar e se decidir. Neste caso, um pequeno playground com brinquedos para crianças de várias idades e monitores de TV com programação infantil são a opção mais adequada. Se as compras costumam ser mais rápidas, jogos de montar ou lápis e livrinhos de pintar sobre uma mesinha já dão aos pais tempo para escolher e experimentar roupas, por exemplo, ou procurar um presente com calma. Nem sempre é necessário ter uma grande estrutura. Às vezes, ter numa gaveta um quebra-cabeça reservado para a ocasião pode salvar a sua venda.

Outras dicas importantes: atenção com a segurança dos brinquedos e objetos fornecidos. Verifique a adequação às faixas etárias e o estado de conservação do material. Preparar a sua equipe para lidar com esse público tão especial também é fundamental.