Quero um pet silvestre. Mas e aí?

Veterinária Nathalia Sant’Anna, especialista em exóticos, destaca a importância da legalidade e manejo correto. (foto: Arquivo pessoal)

Os animais silvestres e exóticos são lindos e atraem a atenção como pets. Apesar de toda a beleza, esses animais exigem cuidados especiais, além de legalização e um ambiente preparado para seu crescimento saudável. Mas, afinal, quais são os passos para adquirir um animal exótico de forma legal?

A veterinária Nathalia Sant’Anna indica que, antes de comprar qualquer animal, é importante verificar sua origem. “O animal deve ser comprado em uma origem legal, ou seja, um criadouro comercial autorizado pelo Ibama ou pela Secretaria do Meio Ambiente. É um mito popular dizer que se pode legalizar um animal sem certificação ou proveniente do tráfico ilegal de animais”, orienta.

Além desse cuidado, é preciso prestar atenção à nomenclatura das espécies, divididas em quatro tipos: silvestres (aquelas que são provenientes da fauna brasileira), exóticos (oriundos de outros países), domésticos (já domesticados pelo homem e não precisam de autorização das entidades legais para serem comercializados), e selvagens (aqueles que não podem ser criados como pets).

Periquitos australianos, calopsitas, coelhos e chinchilas, por exemplo, se enquadram na categoria de ‘domésticos’, já que podem ser adquiridos em pet shops e criados sem autorização. Já no caso do papagaio verdadeiro e do macaco-prego, essas espécies enquadram-se em ‘silvestres’, portanto devem ser adquiridas com autorização. “Já no caso do lobo guará, apesar dele ser um animal silvestre, ele é também selvagem, e não pode ser criado em casa”, explica Nathalia. “Por outro lado, a cacatua é uma ave exótica, que não faz parte da nossa fauna, mas pode ser criada como animal de estimação se adquirida de origem legal”.

Além de todas as questões legais, que podem até variar de um estado para o outro, é indispensável conhecer o comportamento do animal que se pretende criar, que, geralmente, é bem diferente de cães e gatos.

Os animais silvestres têm suas próprias características e hábitos. “Apesar dos animais criados de forma legal estarem acostumados com o manejo desde filhotes, terem a índole tranquila e serem mais dóceis, eles nunca serão como cães”, alerta a veterinária. “Antes de adquirir qualquer animal é preciso analisar o tempo que ele demanda, sua expectativa de vida, o espaço necessário para ele, sua alimentação e o custo para todas essas questões”.

Espécies noturnas apenas farão suas interações a noite, enquanto outras são especialmente ativas durante o dia. Algumas são herbívoras, outras carnívoras, e mesmo entre essas classificações existem aquelas que comem apenas grãos, por exemplo. Ou seja, são muitos os detalhes a serem avaliados antes de levar um pet exótico para casa, como destaca Nathalia Sant’Anna.

“É preciso ter em mente que esses animais manterão, para sempre, o comportamento de sua espécie. Serpentes darão botes, araras podem se defender bicando ao sentirem-se ameaçadas…”, revela. “Apesar disso, é possível conviver perfeitamente com esses bichos, desde que o tutor saiba como os cuidar e manejá-los”.

Informação é tudo! Com isso, seu animal, seja ele silvestre ou exótico, poderá ter uma vida saudável e plena.

 

Mariana Requena
[email protected]