Redes sociais e seus limites

Ana Carolina Carvalho Pascoalete

Crianças e adolescentes já nascem conectados com a internet e tudo o que esse mundo virtual possa apresentar. Não há como negar a importância desse acesso, afinal, por meio dele temos acesso a informação, educação, comércio, lazer, entretenimento e, principalmente, comunicação. Milhões de pessoas em todo mundo montaram seus perfis nas redes sociais, compartilham fotos, arquivos, ideias e mensagens nas mais variadas plataformas digitais como Facebook, Twitter, WhatsApp, Instagram, Youtube, dentre outras.

Apesar das muitas vantagens que esses espaços proporcionam à população, também são considerados uma interface perigosa no universo virtual. Isso porque, crianças e adolescentes são estimulados frente às telas a uma diversidade de possibilidades em busca de informações, quando ainda estão desenvolvendo a capacidade de discernir o que é verdadeiro ou falso, o que é bom ou mau, o que é nocivo ou perigoso. Tais fatores possibilitam que a rede abra um leque para diferentes riscos.

Então, como permitir que crianças e jovens que não conhecem a vida sem a internet, possam fazer esse uso com segurança? Para isso, a educação e a supervisão rigorosa dos pais são fundamentais. Os pais e educadores precisam orientar as crianças e adolescentes sobre o conceito de riscos e segurança online. É necessário abordar abertamente sobre o conteúdo permitido, atividade inapropriada, ciberbullyng, perseguição, fraudes e riscos de divulgação de informações pessoais.

É necessário ensinar as crianças e jovens sobre a responsabilidade e os bons costumes online, mostrar o impacto que ações ruins podem causar, uma vez que o compartilhamento de dados ocorre de forma instantânea. Ainda é necessário frisar que a remoção do conteúdo virtual é morosa e difícil e, às vezes, impossível, deixando marcas irremediáveis e traumáticas.

Além de oferecer as instruções básicas às crianças e adolescentes, é imprescindível manter uma comunicação aberta com seu filho sobre as experiências nas redes sociais, fortalecendo, dessa forma, um vínculo para que ele sinta-se confortável para dizer se é vitima de algum abuso online. É importante também construir o hábito de manter algum tempo online junto com os filhos para, com sutileza, verificar e monitorar suas atividades.

Nunca é demais abordar sobre assunto embora pareça algo constantemente esclarecido, pois ainda mesmo que em períodos diminuídos surgem reincidências de casos que aterrorizam a população. Depois do perigoso desafio da Baleia Azul, que envolveu casos de crianças e adolescentes em todo o mundo com uma série de desafios que finalizavam com a ação do suicídio, pais e adolescente estão preocupados agora com o novo jogo que ronda as redes sociais e aplicativos e que pode colocar em risco a vida de muitos jovens. O jogo Momo é um desafio de enforcamento representado pela imagem aterrorizante de uma escultura japonesa de uma mulher pássaro, com olhos esbugalhados, pele pálida, sorriso sinistro e pés de pássaros.

Esse jogo tem se apresentado à população virtual como uma ação criminosa, que manipula crianças e adolescentes iniciando por meio de uma simples curiosidade, envolvendo-os em uma espécie de jogos e ameaças, instituindo golpes, extorsão, apologia ao suicídio e outras formas de auto lesão, sendo instigados por indivíduos mal intencionados dispostos a todo tipo de barbaridade.
Já temos casos sendo investigados no Brasil de crianças vitimas desse crime, e vale ressaltar que depois desse Momo poderão surgir outros jogos ainda ameaçadores à sociedade, e os pais precisam garantir que seus filhos estejam bem instruídos para não se tornarem alvos fáceis, por meio de comportamentos vulneráveis para evitar consequências trágicas.