Referência de vereador a autistas rende repúdio nacional

“Vou pedir desculpas aos pais destas pessoas maravilhosas de Deus por me referir aos sintomas num linguajar simples”, explicou o vereador Lair Braga. (Arquivo/JP)

A Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down publicou uma nota de repúdio às declarações do vereador de Piracicaba, Lair Braga (SD), proferidas na sessão de quinta- -feira (10). Durante o uso da tribuna, o parlamentar, que é diretor da Apae (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais) falou da inclusão de crianças autistas nas escolas. Em determinado momento de sua explanação, Braga disse: “esses coleguinhas ficam olhando para essa criança, esse adolescente, permitam- -me dizer, que baba, balbucia e tem convulsões”, afirmou acrescentando que a criança autista pode sofrer bullying por parte dos outros alunos.

Para a federação, as palavras usadas pelo vereador piracicabano são discriminatórias contra pessoas com autismo e atingem outras com algum tipo de deficiência. Na nota da federação, assinada pelo presidente Antônio Carlos Sestaro e publicada no site da entidade, “a federação se solidariza com as pessoas com autismo, com as Associações e Movimentos em defesa dos direitos das pessoas autistas, manifesta-se contra as declarações do vereador Lair Braga, da Câmara Municipal da cidade de Piracicaba”.

Segundo a nota, o parlamentar afronta a dignidade das pessoas com autismo, ao proferir palavras discriminadoras e “agressivas” referindo-se como “aquelas que babam, balbuciam e tem convulsões…”.

“Ora senhor vereador, se quer discutir sobre ‘Inclusão’ nas escolas, se as escolas de Piracicaba estão tendo dificuldades para incluir crianças com deficiência, utilize de técnicas pedagógicas, coloque educadores para debaterem e não promova ofensas às pessoas com autismo, com os termos utilizados”, traz a nota.

O vereador Lair Braga disse ontem que foi infeliz ao falar de maneira simples, mas o intuito foi defender as entidades que abrigam deficientes. “Vou pedir desculpas aos pais destas pessoas maravilhosas de Deus por me referir aos sintomas num linguajar simples, mas não vou concordar com palavras bonitas que na prática estão fora da realidade”, afirmou.

“Minha fala foi um desabafo e revolta pela forma como o governo trata nossos deficientes e profissionais da área. E me causa estranheza como isto repercutiu em Brasília e, que eu saiba, até o momento não partiu de nenhuma entidade de Piracicaba”, acrescentou.

Beto Silva
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