Regiões Norte e Oeste lideram acidentes com escorpiões

perigo Clima quente e umidade aumentam incidência de escorpiões na cidade. ( Foto; Claudinho Coradini/JP)

O clima quente e úmido, a existência de rios, nascentes e córregos característicos de Piracicaba contribuem com a procriação rápida dos escorpiões. Segundo dados do Ipplap (Instituto de Pesquisas e Planejamento de Piracicaba), em 2016 foram registrados 1.161 acidentes com escorpiões e, em 2017, foram 1.002 casos. Nos dois anos, as regiões Norte e Sul lideraram as ocorrências com escorpiões.

Em 2016 foram 355 casos na Norte, o equivalente a 31%; seguida da Oeste com 282 (24%) e Sul com 204 (18%). Em 2017, as regiões com mais casos foram Norte com 267 (27%); Oeste com 239 (24%) e Sul com 177 (18%). Na sequência, as regiões que se sobressaíram pelos acidentes, em 2016, foram: Leste com 122 (11%); Zona Rural 103 (9%); Centro 88 (8%) e ignorado 7 (1%). Em 2017, os números foram: Leste 120 (12%); Zona Rural 102 (10%); Centro 92 (9%) e ignorado 5 (0%).

A Região Leste compreende a Vila Independência, Piracicamirim e Cecap; a Região Central abrange Centro, Cidade Alta, Nova Piracicaba, Vila Rezende e São Judas; enquanto a Região Norte reúne Santa Teresinha, Vila Sônia e Santa Rosa; a Região Oeste compreende os bairros Jaraguá, Jupiá e Vila Cristina e Região Sul abrange o Água Branca, Campestre, Caxambu e Paulista.
O secretário municipal de Saúde, Pedro Mello, alerta para a necessidade de saber se prevenir em relação aos escorpiões. “Os escorpiões existem e temos de aprender a conviver com eles de maneira segura. Isso requer alguns cuidados básicos, como manter os ralos fechados, o quintal limpo, retirar entulhos, evitar pilhas de telhas e madeiras, corrigir frestas nas paredes e verificar roupas e calçados antes de usá-los”, observa.

Somente na Santa Casa de Piracicaba foram atendidas 151 pessoas picadas por escorpião em 2017 e, neste ano, foram 167 casos. “Não é uma situação fora do controle. Piracicaba tem bastante ocorrências por causa de suas características. Indicamos para quem mora próximos a bueiros, aquele com tampa redonda de ferro, que solicite dedetização de baratas, que são o principal alimento dos escorpiões, por meio do 156”, recomenda Regina Lex Engel, bióloga do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses).

Durante todo o ano, destaca a bióloga, a prefeitura realiza ações de combate a escorpiões. Mas, com a proximidade do verão e as fortes chuvas da estação, aumenta o risco de acidentes provocados pela picada de escorpiões, já que nos meses mais quentes e chuvosos eles são desalojados pelas cheias de seus habitats, invadindo espaços domésticos. “O CCZ faz o que é preconizado pelo Ministério da Saúde e pelo Instituto Butantã. Pedimos à população que mantenha sempre os ralos fechados, já que são a principal via de acesso das galerias de esgoto aos imóveis, embora também possa haver escorpiões fora, em terrenos com mato alto, entulhos”, detalha Regina.

Escorpiões se escondem em roupas e sapatos

Antes de usar roupas e calçados, mexer em caixas de brinquedos, utilizar baldes que estão próximos a tanques, é preciso verificar se não há escorpiões. Em caso de acidentes, idosos e crianças são as pessoas mais vulneráveis aos efeitos dos escorpiões. Segundo o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses), 60% dos mortos estão na faixa etária abaixo dos 14 anos. “Quando os escorpiões são desalojados, procuram outros abrigos mais frescos e acabam invadindo as residências”, explica a coordenadora do CCZ, Eliane Carvalho.

A Secretaria Municipal de Saúde orienta à população, em caso de acidentes, a procurar uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) mais próxima. A gravidade do quadro clínico depende de vários fatores, como espécie e tamanho do escorpião, quantidade de veneno inoculado, número de picadas, massa corporal da vítima e sensibilidade ao veneno, tempo decorrido entre o acidente e o atendimento médico.”Quando existe uma sintomatologia mais grave é dado o primeiro atendimento na UPA e, caso ocorra a necessidade, o paciente é encaminhado à Santa Casa de Pìracicaba, referência em administração do soro antiescorpiônico em nossa região”, afirma a coordenadora das Urgências e Emergências, Flávia de Sá Molina.

 

(Eliana Teixeira)