Reinaldo José Pousa – “É preciso lutar por um país melhor”

Apaixonado pela atividade comercial e pelo E.C. XV de Novembro de Piracicaba, Reinaldo José Pousa, 55, presidente da CDL(Câmara dos Dirigentes Lojistas) de Piracicaba, do Partido Podemos e Clube Coronel Barbosa, ressalta que a vontade de ajudar o próximo despertou nele o interesse pelas causas sociais e pela participação na política. A paixão pelo comércio ele diz ter herdado do pai, que morreu aos 49 anos, Walton Pousa, e da mãe, Maria Aparecida Bandeira Pousa, 82, a paixão pelo comércio. Como presidente da CDL, Pousa elaborou carta de repúdio à Estapar – responsável pela administração dos serviços de Zona Azul Digital na cidade –, depois de um diretor da empresa sugerir que a prefeitura aumentasse a aplicação de multas aos motoristas que estacionam irregularmente na área de cobertura do estacionamento rotativo. Pousa é pai de Priscila, 28, e Rodrigo, 23, filhos do primeiro casamento dele, e também de Raphael, o caçulinha de 2 anos, do casamento com funcionária pública Fabiola Moraes Pousa, 37. Confira a entrevista que Pousa concedeu ao JP.

Qual sua expectativa, após ter levado para a Câmara de Vereadores, a carta de repúdio à Estapar?

Enquanto presidente da CDL, representante dos lojistas de Piracicaba, é bom ressaltar que a Zona Azul é algo que a gente quer, que lutou para ter, desde 20 anos atrás. O único objetivo é a rotatividade de vagas. Esse é o objetivo da Zona Azul. Ela não é, para nós, um posto de arrecadação. Nós gostaríamos que nossos clientes pudessem comprar no Centro da cidade ou nos corredores comerciais e encontrassem uma vaga para estacionar. Não somos contra a Zona Azul, desde que não passe a trabalhar de forma a afastar nossos clientes, com medo de serem multados. Não podemos deixar isso acontecer. Por pensar da mesma forma, o secretário Jorge (Akira, da Semuttran) disse em uma matéria que o importante é a rotatividade e que a fiscalização é feita e não existe essa questão de aplicar mais multas. Porém, a gente percebeu que a Estapar, dentro de uma fala ou interpretação de um repórter na notícia de que poderia aumentar sua arrecadação com mais multas, causou preocupação nos lojistas e na população. Pelo site da transparência da prefeitura, a gente percebe que a queda da arrecadação da Estapar acontece justamente, a partir de 2015, com a crise do País. Por que a Estapar não chama as entidades representativas de classes da área comercial e não pergunta o que pode ser feito para atrair mais gente para o Centro e corredores comerciais? Essa é a postura de um empresário, que está preocupado com a situação do País e quer manter o seu negócio. O vereador Paulo Campos se sentiu sensibilizado e viu que a questão deveria ser melhor avaliada. Foi aprovada na Câmara, a Audiência Pública sobre a Estapar, alguns problemas que já temos pontuados. Mas vou deixar para falar no dia. Nossa expectativa maior é que se esclareça a questão da multa, que isso não vai acontecer, que a prefeitura cumpra o seu papel de fiscalizar e que isso não seja aumentado nem diminuído por um pedido de uma empresa particular.

Existe algum projeto para atrair mais consumidores ao Centro de Piracicaba?

Temos que lutar muito para que o Centro de Piracicaba não se torne um centro velho. Nós temos um projeto, que é o calçadão da rua Governador, algo que seja realmente atrativo, com estacionamento, segurança, para que as pessoas possam ir. A CDL participa da questão da revitalização do Centro. A praça José Bonifácio deve passar por reforma, não da forma como Piracicaba merece, mas é o que hoje a prefeitura tem condições de fazer. O secretário Menten (José Otávio, da Sedema) desenvolveu um projeto de melhoria da praça. Estamos trabalhando em relação aos moradores de rua. São alguns pontos específicos que nós da sociedade civil não podemos nos calar.

Como começou seu interesse pelo comércio?

Meu avô foi fundador da loja A Musical, que era a terceira loja mais velha da cidade nos últimos anos. A loja foi fundada em 1925. Meu avô faleceu em 1962, meu pai assumiu e ficou com a loja até 1975, ano que ele morreu. Com isso, assumimos eu, meus dois irmãos e minha mães. Quando meu pai faleceu, eu tinha 11 anos. Diante da necessidade de trabalhar, ajudar, eu o Rodolfo, meu irmão mais velho, começamos a trabalhar na A Musical. Em 1976, abrimos uma outra loja, que era O Discão, na rua Prudente de Moraes e eu, com 12 anos de idade, fiquei tomando conta da loja, sozinho, e meu outro irmão ficava na outra loja. Fomos lutando e eu fui me envolvendo com o comércio. Fomos até 2000 com essa formação, quando acabamos com a sociedade e eu segui sozinho com A Musical. Por ser uma loja de comercialização de CDs, em dezembro de 2017, paramos as atividades.

Com o encerramento da loja A Musical, como você direcionou suas atividades comerciais?

Em meados de 2004, eu já havia montado uma empresa de eventos, shows, representação comercial. Então, quando fechamos a loja em 2017, minha empresa de eventos já atuava aqui na cidade e na região inteira. Porém, a vontade de voltar a ter uma loja física realmente está próxima de acontecer. A ideia é voltar num novo formato da A Musical, não neste ano, mas no próximo ano. Vai ser o mesmo nome, mas em outro formato, dentro das novidades que temos hoje em dia na área musical.

Essa falta de estar em uma loja física está relacionada à influência de seus pais?

Desde criança, eu ia na loja com meus pais. Nós fomos criados dentro da A Musical. Esse fato de acompanhar o trabalho dos meus pais contribuiu. Meu pai era muito comunicativo e, por diversas vezes, via meu pai ajudando muita gente, sendo prejudicado por isso, num primeiro momento, mas sendo gratificado por Deus. Sempre buscou o ser, antes de ter. E isso, a gente acabou assumindo. Com a morte do meu pai, esse sangue comerciante me levou a tomar conta de uma loja com 12 anos de idade, tamanha era a vontade de trabalhar, de estar ali como lojista, como empresário, para buscar uma carreira empresarial. Meu pai tinha um olhar social para as coisas e eu e meus irmãos herdamos isso, sempre, de alguma maneira, estamos envolvidos com questões sociais. Já ouvi, várias vezes, gente me dizer que se eu trabalhasse para mim, como trabalho para os outros, já estaria milionário.

Há quanto tempo você faz parte da diretoria da CDL?

Desde 1996, questionando algumas coisas e com o espírito de querer ajudar o próximo, assumi a presidência da CDL pela primeira vez. De 1996 a 2000, foi presidente da CDL Piracicaba e vice-presidente da Federação dos Lojistas do Estado de São Paulo. Em 2001, fui diretor do XV, depois fui presidente da Comissão Municipal de Emprego, sempre envolvido na área política também. Acabei me afastando por um período por questões de doença na família. Fiquei cuidando só da loja até 2012.

E quando você decidiu ser entrar para a política?

Em 2000, saí candidato a vereador e fiquei como primeiro suplente da Câmara, mas acabei me afastando da política, para cuidar da minha vida pessoal. Mas essa vontade política de desenvolver alguma coisa junto à sociedade, me fez sair candidato a vereador novamente em 2012, ano no qual também assumi a vice-presidência da CDL Piracicaba. Fiquei até 2015 como vice, quando passei a ser presidente da CDL. Fui candidato a vereador em 2016, e hoje sou primeiro suplente. Em 2016, também assumi a presidência do Clube Coronel Barbosa. Fui reeleito, em 2018, para a presidência do Clube Coronel Barbosa e da CDL, com mandatos até 2020.

Você pretende ser candidato novamente?

Sim, vou sair candidato agora, em 2020. Fui suplente, quase entrei em 2016, e o que me motiva a ser candidato é saber que enquanto as pessoas boas, que realmente podem mudar a sociedade, não tiverem coragem de estar lá dentro, e ficarem do lado de fora, criticando, não vai adiantar. Não adianta eu falar que político nenhum presta, que a política não dá certo, que o Brasil não dá certo. Por que não ir lá, mostrar para a sociedade que a política dá certo, sim? A gente pode mostrar que essa corrupção tem que acabar, de um jeito ou de outro. Quem elege os políticos é o povo. As pessoas têm que parar de se vender por um saco de cimento, por uma cesta básica. Se existem políticos ruins, é porque o povo está os colocando no poder. As pessoas precisam entender que o voto é importante e que, no momento que elas trocam o voto por alguma coisa, vão passar mais quatro anos sem ter o direito de reclamar. Se eu acho que a política pode dar certo, que eu tenho condições de fazer algo, então que eu tenha coragem de dar meu nome para ir lá fazer. Eu acredito, realmente, que posso fazer algo melhor para nossa cidade.

O que é necessário para que haja mudança na política?

Nós temos que deixar de de fazer politicagem e passar a fazer política, que é algo que a gente faz desde a hora que a gente acorda, na forma como a gente trata as pessoas no dia a dia. Se a gente quer ser bem tratado, tem que tratar bem as pessoas. Não adianta falar que não gosta de política. Se hoje tem pessoas ruins comandando nosso País, é porque as pessoas boas se omitiram. Com seriedade, honestidade, trabalho, a gente consegue mudar a situação. É difícil, mas é possível.

Qual é a sua frente de trabalho, se for eleito vereador?

Minha luta, primeiramente, é com a sociedade. Tenho vontade de mudar a história da minha cidade e, a partir do momento que você se coloca para mudar a história da sua cidade, você está se colocando para mudar a história do seu estado, do seu país. Uma coisa correta que você coloca no seu município, pode crescer e ser exemplo para outros lugares. Talvez eu não tenha mais idade para mudar o mundo, mas eu começo pelo quintal da minha casa, limpando a frente da minha casa. Temos algumas ações que trabalhamos a vida inteira. Acredito muito, que dentro da Câmara Municipal, todas as classes deveriam estar lá representadas: as mulheres, os sindicatos, médicos, advogados. A Casa do Povo tem que ser bem diversificada e, para isso, teria que ter vários representantes de vários segmentos. Me considero uma pessoa com grande conhecimento na área comercial, pela vivência que tenho há mais de 40 anos trabalhando no comércio. Outro ponto que a gente vem trabalhando, na área de eventos, é minha atuação junto ao CTN (Centro de Tradições Nordestinas). Tenho um trabalho muito forte com os migrantes nordestinos que vieram para cá, para São Paulo, que ajudaram a construir este País.

O que te despertou a trabalhar com os migrantes nordestinos?

Dentro da própria loja de CDs, quando comecei a trabalhar com as músicas, com os forrós nordestinos, foi conhecendo as pessoas. Primeiro show que eu fiz, em 2002 em Piracicaba, com minha empresa de eventos, foi com um cantor nordestino, e vi pessoas chorando próximas ao palco, por ser alguém da terra delas. Isso me encantou. Me encantou tanto, que hoje sou casado com uma nordestina, minha esposa é do Piauí. Hoje, temos o Centro de Tradições Nordestinas e fazemos alguns eventos voltados para a comunidade de Piracicaba. Temos o Arraiá Nordestino, que acontece em julho; o Encontro Nordestino, que neste ano, pela primeira vez, será no Engenho Central. A gente traz o Nordeste mais próximo de Piracicaba.

Como é seu relacionamento com seus filhos? O fato de ter um filho de 2 anos de idade te motiva a lutar mais pelos interesses sociais?

Por eu estar sempre muito envolvido com as atividades do comércio, isso acontece com todos os lojistas, comecei a faculdade de Administração de Empresas, mas não concluí. Sou radialista formado, trabalhei como radialista até o ano retrasado. Meus filhos não seguiram na área comercial. Minha filha é psicóloga e meu filho está se formando em Marketing e Publicidade. Eu brinco que minha filha realizou um pouco do meu sonho, porque psicologia é algo que eu gosto, porque é uma coisa que fiz um pouco a vida inteira: escutar os amigos, conversar, sugerir alguma mudança para as pessoas. Para mim, ela seguir esse caminho, foi uma felicidade muito grande. O meu filho do meio, o Rodrigo, se forma neste ano em publicidade, que é algo que eu gosto também, e ele trabalha comigo na empresa de eventos. Ele pegou mais o meu lado de falar bem e vai dar muito o que falar, esse menino! E o caçulinha, como a gente tem mais tempo agora, vai procurar dar o melhor estudo, prepará-lo o máximo possível, para que ele some todas as vantagens dos pais e dos irmãos, para chegar lá na frente, quando tiver idade, e poder mudar esse País. O Raphael (o caçula) nos encheu novamente de esperança, garra, determinação, para lutar por uma cidade melhor, por um País melhor. Se a gente quer um futuro melhor para nossos filhos, no presente temos que fazer a nossa parte.

Eliana Teixeira

(Foto: Amanda Vieira/JP)