Remédios e tratamentos pesam no orçamento familiar

saúde Joceli tem problemas crônicos de pulmão não consegue todos os remédios na rede. ( Foto:Claudinho Coradini/JP)

O envelhecimento da população brasileira e suas consequências nas despesas com a saúde, tema de pesquisa de Carina Diane Nakatani Macêdo, doutoranda em Economia Aplicada da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) confirma que esse tipo de custo pesa no orçamento das famílias. A pesquisa aponta que, dentro do orçamento familiar, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), uma família brasileira possui uma despesa média mensal de R$ 2.134,77. Dividindo esse valor por itens, os gastos mais significativos são: 35% com habitação, 20% alimentação, 19,6% transporte. Ass despesas mensais familiares com saúde correspondem a 7,2%, sendo que desse percentual, 48,6% referem-se a despesas com remédios.

Pela pesquisa, a renda da família determina os gastos com saúde, ou seja, ganha mais e gasta mais, além disso, mulheres costumam cuidar mais de sua saúde que os homens. O resultado, segundo a autora, reforça a importância da preocupação com o envelhecimento populacional e com programas sociais para população de baixa renda e para homens.

A manicure Alexandra Kreyci tem dois exemplos na família: a sogra dela, de 88 anos, e o pai, de 78 anos. Segundo Alexandra, a sogra faz tratamento para demência e o pai sofreu cinco AVCs (Acidentes Vasculares Cerebrais). “Para o tratamento da minha sogra, pegamos alguns remédios no posto de sáude e outros compramos, com a ajuda de todos os filhos, e só um dos medicamentos custa mais de R$ 100. No caso do meu pai, que infartou, nem todos os remédios conseguimos no SUS e alguns temos que comprar também e o dinheiro sai da aposentadoria dele”, detalha a manicure, ressaltando que o dinheiro para comprar os medicamentos que faltam poderia ser usado para o bem-estar dele.

Paciente do SUS (Sistema Únido de Saúde), Joceli Aparecida Olguin Beltran, 60, enfrenta problemas crônicos de pulmão desde janeiro deste ano, quando passou por consulta na rede e descobriu que teria que fazer uma tomografia. “Conseguiu fazer a tomografia somente em junho, por interferência de um vereador. Em março, o pneumologista pediu broncoscopia. No Poupatempo me disseram que a máquina estaria quebrada. Fiz o exame agora em outubro e paguei R$ 930 na rede particular. Meus familiares arrecadarem o valor e mais R$ 200 para a biópsia. Também gastei mais R$ 520 com endoscopia e biópsia. E nem sempre encontro os medicamentos de uso contínuo no SUS, que são o Alenia e o Speriza, inaladores para o pulmão, que custam R$ 300 cada”, relata Joceli, que depende renda do marido autônomo.

SUS — Sobre o exame de bronscopia, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a máquina está quebrada e será comprado novo equipamento, com recursos federais. A Secretaria diz que o equipamento é importado e deve chegar apenas no primeiro semestre de 2019, sendo que os atendimentos de urgência são encaminhados para Limeira. A Coordenadoria de Assistência Farmacêutica do Governo do Estado afirmou que Joceli retirou o medicamento Alenia em outubro e que, assim como o Spiriva, está em processo de aquisição e que a paciente será comunicada quando houver disponibilidade do item.