Respeito e Fraternidade

André de Paiva Salum

No período eleitoral que vivemos no Brasil, além das naturais manifestações de preferências políticas, algumas posturas tomam ares de intolerância e agressão por diversos grupos em relação a outros que professam ideias discordantes, refletindo a nossa incapacidade como sociedade de conviver de modo plenamente civilizado. Muitos chegam a demonizar pessoas, grupos e propostas, ao mesmo tempo, endeusam, idolatram e veneram outras personalidades, ideias e posturas, desconsiderando que vivemos num mundo plural, incompleto, contraditório e relativo.

A despeito do imenso volume de informações disponíveis atualmente, revelando a riqueza da diversidade, há setores que manifestam intolerância com relação a divergentes opiniões e posturas, não somente políticas, mas igualmente com relação a temas religiosos, familiares e sociais. Parece que qualquer situação se torna pretexto para se exteriorizarem conflitos e frustrações na forma de acusações, agressões e confrontos.

Existe, em diversos setores da atividade humana, um ranço de intolerância, uma competição quase selvagem pela primazia de ideias e condutas, ao lado de uma imensa carência de compreensão, de respeito, de esforço pela inclusão e de união pelo bem-estar geral.

Segundo uma compreensão integrada da vida, cada um de nós, por meio de pensamentos, palavras e ações, alimenta o psiquismo coletivo e contribui, de forma mais ou menos intensa, com a realidade social e coletiva. A todo e a cada instante, situação ou circunstância estamos semeando paz e harmonia ou fornecendo combustível para alimentar conflitos, agressões, guerras.
Um grande incêndio começa por uma simples fagulha e se propaga ao encontrar material inflamável. Todos temos responsabilidade pelos destinos do país em que vivemos, não apenas com o nosso voto, que deve ser o mais consciente e responsável possível, mas também e, principalmente, pelo nosso padrão de conduta e exemplo em cada situação do cotidiano. O nível de consciência e de educação de alguém e, consequentemente, de uma sociedade, revela-se, dentre outros, pelo modo como convive com as diferenças, com as opções e verdades de cada um.

Muitas vezes, o que atacamos nos outros reflete nossos conflitos interiores não resolvidos ou nem sequer conscientizados. Frequentemente, quando nos sentimos atacados, ofendidos ou ameaçados por posturas ou condutas diferentes das nossas, desde que não haja nenhuma violência ou ameaça real, revelamos nossa incapacidade de reconhecer parcelas da verdade que nos desagradam ou simples opiniões de quem tem o direito de expressá-las.

Não apenas sobreviver ou existir, mas principalmente a capacidade de conviver, parece-nos de vital importância em uma sociedade cada vez mais plural e complexa, pois só pode existir uma coletividade saudável quando formada por pessoas intrinsecamente respeitosas, que expressem a liberdade indissoluvelmente ligada ao senso de responsabilidade, de consciência cidadã, motivadas a agir na construção do bem-estar coletivo.

é médico homeopata.