Revelando a alegria

 

O modo de vida atual, predominantemente imediatista, consumista e materialista, promove, divulga e procura vender satisfações superficiais e efêmeras, condicionando as pessoas a buscá-las como substitutos de uma alegria verdadeira.

A satisfação pode ser entendida como o preenchimento de alguma necessidade ou desejo, de curta duração e dependente de fatores externos. A alegria, por outro lado, pode ser considerada estado interior, estável e duradouro, que independe, até certo ponto, de condições externas. Pode-se estar superficialmente satisfeito e ao mesmo tempo infeliz, assim como, diante de situações adversas, manter-se alegre e otimista.

Certamente existem condições externas que favorecem uma vida mais tranquila, segura e estável, mas inúmeras pessoas que possuem riqueza, saúde física, boa instrução e estrutura familiar sentem-se angustiadas, aflitas, ansiosas e deprimidas, evidenciando que o verdadeiro contentamento é uma condição interna do ser, como tem sido ensinado por instrutores espirituais da humanidade em todos os tempos.

Há incontáveis exemplos de quem haja experimentado genuína alegria. O médico, filósofo e músico Albert Schweitzer, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1952, declarou que se tornou missionário em uma das regiões mais pobres e sofridas da África para compartilhar a imensa felicidade que sentia. Disse ele: “Só são verdadeiramente felizes aqueles que procuram ser úteis aos outros”. O Mestre Jesus afirmou, conforme anotado no Evangelho de João, cap. 15, verso 11: “…para que a minha alegria permaneça em vós e a vossa felicidade seja completa”. Os seres que trouxeram contribuições significativas à humanidade demonstraram a alegria de servir, ensinar e amar, o que tornou suas vidas significativas e inspiradoras, durante e após sua passagem pela Terra. Foram capazes de transcender as dores que os afligiam e sentir a imensa alegria de colaborar para a edificação de um mundo melhor. Exemplo eloquente desse fato foi a declaração do apóstolo Paulo de Tarso, o qual foi perseguido, preso e torturado: “transbordo de júbilo no meio de todas as nossas tribulações” (2 Co 7:4). A alegria expressa por tais pessoas notáveis é valiosa inspiração para buscarmos e descobrirmos esse estado interior capaz de nos sustentar em harmonia e contentamento, sobretudo nos momentos desafiadores e adversos da vida, que todos enfrentamos.

A alegria interior, alimentada por uma sincera busca espiritual e pelo cultivo de valores elevados, fortalecida pela fé e pelo serviço altruísta, significa conquista de inestimável valor em um mundo tão conflituoso, repleto de amarguras e tristezas. A assimilação de tais princípios tem como um dos seus maiores benefícios uma visão otimista da vida, favorecendo pensamentos, palavras e ações construtivos e promotores do bem-estar. Talvez uma boa forma de ajudarmos a sociedade e quem convive conosco seja pelo compartilhar contentamento, levando, tanto quanto possível, um pouco de alegria a outros corações.

André de Paiva Salum