Rio Piracicaba registra maior mortandade do ano

rio Peixes mortos de várias espécies ficaram boiando. Foto: Claudinho Coradini/JP

A mortandade de peixes registrada no Rio Piracicaba, no distrito de Ártemis, entre as 18h de quinta-feira até a manhã de ontem, foi a maior registrada neste ano, segundo o presidente do Instituto Beira-Rio, Luís Fernando Magossi, o Gordo do Barco. A morte de centenas de peixes de várias espécies do rio começou no final da tarde de anteontem, segundo o presidente da associação de moradores do Residencial Terra Ártemis, Eber Constantinov, que acionou a Polícia Militar Ambiental e a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental). Um boletim de ocorrência foi registrado e será encaminhado à Polícia Federal.

Constantinov disse que por volta das 18h de quinta-feira, desceu a rampa de acesso dos barcos ao rio e percebeu que alguns peixes permaneciam com a boca para fora d‘água. Ele seguiu para o píer, logo abaixo da rampa e passou a observar que cada vez mais peixes tentavam sair da água. “Qualquer espaço que eles encontravam na vegetação ou mesmo tentando pular para fora do rio”, De repente foram surgindo vários peixes mortos e o número só aumentava”, contou acrescentando que decidiu acionar o Instituto Beira Rio e comunicar o fato. Ele disse que já presenciou outras mortandades de peixes no local, geralmente nesse época do ano, quando o rio registra baixa vazão.

O presidente do Instituto disse que quando chegou ao local sentiu um cheiro forte de produtos químicos. “Vi várias espécies mortas boiando, ficou evidente que foi produto químico que matou os peixes”, afirmou. Para Gordo, a morte dos peixes era uma tragédia anunciada devido à baixa vazão do rio. “Na terça-feira o rio estava com 13,97 metros cúbicos por segundo quando o mínimo seria 40 (metros cúbicos por segundo)”, afirmou. “Essa vazão é uma sentença de morte para as plantas e os peixes do rio”, acrescentou. Ontem, segundo o Instituto, a vazão do Rio Piracicaba estava em 50 metros cúbicos por segundo .

A reportagem do Jornal de Piracicaba esteve no local no início da tarde de ontem e constatou os peixes mortos junto à rampa enquanto outra quantidade de variados tamanhos era levada pelo curso d‘água. Em nota, a Polícia Militar Ambiental informou que foi acionada pelo Instituto Beira Rio para averiguar a mortandade de peixes no Rio Piracicaba. Ao chegarem ao local acionaram a Cetesb, que colheu amostras dos peixes e da água para análise, e registraram boletim de ocorrência, que será encaminhado via ofício à Polícia Federal, para apuração do dano ambiental e eventual crime ambiental. A Cetesb foi procurada, via Secretaria de Meio Ambiente do Estado, para comentar as providências serão tomadas mas até o fechamento desta matéria não havia retornado.

(Beto Silva)