Sabesp contesta PCJ e nega possibilidade de crise de água

Após o Consórcio das Bacias PCJ (Piracicaba, Capivari e Jundiaí) emitir alerta sobre uma nova crise hídrica — redução no volume de chuvas aliada a uma suposta baixa na capacidade de reservação de água com efeitos diretos na vazão dos mananciais —, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), operadora do Sistema Cantareira, que é o responsável pelo abastecimento em partes da Grande São Paulo e região de Campinas, negou preocupação com essa possibilidade.
 
 Apesar de não enfrentar problemas diretos no abastecimento por captar 90% da água para uso urbano no rio Corumbataí, em caso de uma nova crise hídrica, Piracicaba poderia ver novamente como resultado a seca do leito do seu principal cartão-postal. Isso pode ocorrer porque os formadores do rio Piracicaba — Atibaia e Jaguari — ajudam a abastecer o Sistema Cantareira.
 
O Consórcio PCJ justifica o alerta com os modelos atuais de chuva e reservação de água do sistema e possibilidade de ação do fenômeno La Niña (resfriamento das águas do Oceano Pacífico, que afeta o clima em todo o continente) a partir de abril. “Nós não analisamos com o que nós achamos e sim com os números”, disse o secretário-executivo da entidade, Francisco Lahóz. Ele explicou que o Sistema Cantareira foi dividido por faixas que indicam a situação do reservatório. “Atualmente, estamos na faixa 2, que significa de atenção (para desabastecimento)”, afirmou.
 
Ainda assim, a Sabesp, ao menos momentaneamente, descarta cenário crítico como o de quatro anos atrás. “Não existe, neste momento, razão para preocupação. A Sabesp tem hoje um sistema de abastecimento mais robusto do que o existente poucos anos atrás, com mais interligações e maior capacidade de tratamento de água. Nas próximas semanas entrarão em funcionamento o novo Sistema Produtor São Lourenço e a interligação Jaguari-Atibainha, duas grandes obras que trarão mais 11.400 litros de água por segundo para o abastecimento da Grande São Paulo. Há também que se festejar a mudança do padrão de consumo da população da Região Metropolitana de São Paulo, atualmente em média 15% menor do que antes da crise hídrica. Esses fatores, ligados ao fato de que estamos em pleno período chuvoso, com tendência de enchimento das represas, dão tranquilidade à população”, explicou em nota enviada ao JP.
 
Anteontem, de acordo com a Sabesp, o volume de água armazenado no Sistema Cantareira era de 45,5%. No mesmo dia de 2013, o índice era de 50,7% e, naquele momento, o volume de chuva da primeira quinzena do mês tinha somado 101,5 mm (milímetros). Na mesma data de 2014, ápice da crise hídrica, o volume reservado em 15 de janeiro era de 25,1% e o volume de chuva nos primeiros 15 dias daquele ano foi de 71,7 mm. A média de chuva sobre o Sistema Cantareira para janeiro é de cerca de 260 mm. Neste ano, o volume sobre o sistema soma 119,9 mm.