Safra deste ano terá mais quantidade e menos qualidade

Defasagem do ATR que indica o total de açúcares da cana, está 5% a menor que na safra anterior. (foto: Amanda Vieira/JP)

Até o dia 31 de julho a produção de cana-de- -açúcar em Piracicaba e Região estava 3% a mais no comparativo com o mesmo período do ano passado. Em contrapartida, a defasagem do ATR (Açúcar Total Recuperável) que indica o total de açúcares da cana, está 5% a menor do que o verificado na safra anterior, revelando um cenário com mais quantidade e menos qualidade.

Para o presidente da Coplacana (Cooperativa dos Plantadores de Cana) de Piracicaba, Arnaldo Antonio Bortoletto, os percentuais acabam se equiparando, levando em consideração que a safra este ano irá até o final do mês de novembro.

A produção está dentro das expectativas, de uma média de 78 a 80 toneladas por hectare”, afirmou. Segundo Bortoletto, os mais de 40 dias de estiagem não prejudicaram a safra deste ano. “Essa época é boa para a qualidade, há um ganho em açúcar”, afirmou.

A estiagem também favorece a colheita pois viabiliza a entrada nas máquinas nas plantações.

O panorama é o mesmo na região do Centro-Sul do país, onde um estudo realizado pela parceria Pecege Projetos e Sistema TempoCampo apontam a produtividade agrícola média entre 74,2 e 75,6 toneladas de cana por hectare. Segundo o mapeamento, a queda no preço da gasolina em julho não impediu que o preço recebido pelos produtores de etanol se elevasse, consolidando a paridade favorável à produção de etanol.

A produção brasileira de açúcar caiu 5,5% em relação ao mesmo período da safra passada, que já foi uma das menores em produção do adoçante, tendência que deve se manter devido ao mix mais alcooleiro.

Em 2018 a Região Centro- -Sul colheu próximo de 573 milhões de toneladas de cana, mas para esta safra a expectativa é chegar a 580 milhões/ toneladas.

FERRAMENTA

O Sistema Tempocampo- -Esalq é produto de diversos projetos de pesquisa na área de modelagem agrícola e agrometeorologia da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) que tem sua primeira versão operacional disponibilizada na forma de uma ferramenta de apoio à decisão para o setor privado e instituições públicas.

Beto Silva
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