Salão de Belas Artes comemora os 50 anos da Pinacoteca Miguel Dutra

Salão de Belas Artes comemora os 50 anos da Pinacoteca Miguel Dutra. (foto: Amanda Vieira/JP)

O pleno funcionamento garantiu à Pinacoteca Municipal Miguel Archanjo Benício D’Assumpção Dutra, que suas paredes registrassem nessas cinco décadas, a exposição de grandes obras assinadas por artistas renomados de todo o Brasil. Em comemoração aos seus 50 anos, a galeria realiza a deposição de uma cápsula do tempo e a abertura da 67ª edição do Salão de Belas Artes (SBA) – um dos mais apreciados e respeitados do país.

A cápsula será depositada no dia 2 de agosto, às 10h, na praça Almeida Junior. O objetivo é que, daqui a 50 anos, quando a instituição completar 100 anos, seja aberta, revelando curiosidades de 2019 e outros.

Medindo 45 centímetros de comprimento, o estojo terá documentos históricos sobre a Pinacoteca; Atas do XVII SBA na inauguração em 02 de agosto de 1969; documentos das autoridades locais; fotos e catálogos dos salões abrigados pela galeria, como o Salão de Belas Artes, Salão de Aquarelas e de Arte Contemporânea.

Pela galeria circularam grandes nomes da arte brasileira. Archimedes Dutra, João Dutra, Alipio Dutra, Antonio de Pádua Dutra, Maria Bonomi, Leda Catunda, Eugênio Luiz Losso, Mira Schendel, Fortunato Losso Neto, Antonio Pacheco Ferraz, Renato Wagner, Manoel Martho, Hugo José Benedetti, Alberto Thomazi, Alfredo Rocco, Gino Bruno e Alfredo Oliani foram alguns deles. Suas obras fazem parte do acervo da Pinacoteca que atualmente reúne em torno de 900 trabalhos em óleo, acrílico, desenhos, aquarelas, nanquim, esculturas e objetos.

Para a secretária da Ação Cultural e Turismo, Rosângela Camolese celebrar os 50 anos da galeria é como prestigiar os muitos artistas que participaram das exposições neste local. “Piracicaba é privilegiada por contar com esse ‘edifício majestoso’ construído especificamente para ser Pinacoteca – o abrigo das obras de arte do município”, comenta.

OUTRA CELEBRAÇÃO

Dia 3, às 20h, será realizada solenidade de abertura do LXVII Salão de Belas Artes e a entrega das premiações. Neste ano, o salão recebeu 77 inscrições de 223 obras. Dessas, 86 foram selecionadas de 43 artistas advindos de 38 cidades e Estados como São Paulo, Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

O Salão de Belas Artes acontece nesta comemoração e foi o evento que inaugurou a Pinacoteca por ocasião do aniversário da cidade. Sua entrega oficial aconteceu em 29 de janeiro de 1969, e o XVII SBA inaugurou o novo prédio construído no antigo Jardim do Gavião, em 02 de agosto do mesmo ano. Seu projeto foi assinado pelos arquitetos João Chaddad, Cyro Gatti e Walter Naime.

A PINACOTECA

No início dos anos de 1950, o pintor Archimedes Dutra voltava de uma viagem à Europa encantado com o conceito que vira de ‘pinacoteca’. O prefeito Luciano Guidotti também se encantou com a ideia e decidiu realizar o projeto. A começar pela escolha do terreno, nada foi fácil. O único que pertencia ao município e estava disponível, era o chamado ‘jardim da cadeia’.

Em agosto de 1969, comemorando o aniversário da cidade, era entregue a “Casa das Artes”, desejada pelos artistas que pediam um abrigo para o Salão de Belas Artes (SBA) iniciado em 1953. Desde julho de 2001, o espaço é chamado Pinacoteca Municipal Miguel Archanjo Benício D’Assumpção Dutra.

Poucas cidades do Estado e do país têm essa predisposição para as artes plásticas. Depois do SBA, em 1967, surgia o Salão de Arte Contemporânea (SAC) e em 2015, o primeiro Salão de Aquarelas (SAP). O espaço também abriga eventos como a Mostra Almeida Jr. e Salão Joca Adamoli de Arte Contemporânea.

MIGUEL DUTRA

Miguelzinho Dutra, como era conhecido, nascido em Itú no dia 15 de agosto de 1812, foi um artista de notável talento, cuja contribuição para a história artística da cidade iniciou uma verdadeira escola dentro do estilo realista. Foi um multiartista, com interesses em aquarela, escultura, música, ornamentação festiva, escultura religiosa, engenharia, poesia, desenho e pintura. A arte de Miguelzinho se prolongou pelas gerações seguintes, sendo sucedido pelo seu neto Joaquim Miguel Dutra, o grande pintor da Rua do Porto e, posteriormente, seus bisnetos Alípio, João, Antonio de Pádua e Archimedes, que perpetuaram na tela e no papel a época em que viveram.